Sintaxe do Português I - Conteúdo Online
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Muitas vezes erra-se no uso do pronome oblíquo por não ser considerada a relação entre o pronome oblíquo e o complemento verbal.
Regência Nominal
Diferentemente do que acontece com os verbos, os nomes \u2013 substantivos, adjetivos e advérbios \u2013 só possuem regência quando apresentam preposição.  
Ex.: Esse comportamento é impróprio para menores. 
Ficamos contentes por você.                    
Os alunos votaram favoravelmente ao projeto.
Uso das Preposições \u2013 Casos Especiais
No livro O português do dia a dia: como falar e escrever melhor, do Professor Sérgio Nogueira, há diversos casos interessantes acerca do uso das preposições.
Primeiro caso
Ex.: O problema só será resolvido em nível federal.
Lembramos que a expressão "A NÍVEL DE" é um modismo a ser evitado.
Segundo caso
Dele ou de ele?
Dele corresponde a um pronome possessivo:
Ex.: O dinheiro dele acabou antes do esperado.
Dele também pode ser a combinação da preposição de com o pronome pessoal oblíquo tônico ele, na função de objeto indireto:
Ex.: Nós gostamos muito dele.
De ele é a preposição de e o pronome pessoal reto ele. Só pode ser usado quando ele for sujeito de uma oração reduzida de infinitivo:
Ex.: Saímos antes de ele chegar.  (= de que ele chegasse)
Apesar de ele ter viajado sozinho, prefiro não telefonar.
O segredo é o verbo no infinitivo. Só podemos usar de ele quando houver o verbo no infinitivo: 
Ex.: Saímos antes de ele chegar1.
1 Segundo o Professor Sérgio Nogueira, essa regra não é rígida. Muitos autores aceitam a contração da preposição com o pronome como uma variante linguística. Ex.: \u201cCheguei antes dele sair.\u201d No entanto, embora essa seja a maneira como muitas pessoas falam, ela não deve ser utilizada em textos formais.
Essa regra também se aplica em outros casos:
a) preposição + artigo: 
Ex.: As demissões ocorreram depois de o banco ter decretado falência.
b) preposição + pronome demonstrativo:
Ex.: O empresário assinou o contrato, apesar de essas cláusulas não garantirem uma margem de segurança.
Terceiro caso
A forma prescrita é TEM DE. 
Embora o uso da forma tem que esteja consagrado e muitos autores considerem as duas formas aceitáveis, deve-se utilizar, preferencialmente, a forma \u2018tem de\u2019.
Ex.: Nós temos de pagar nossas dívidas.   
Quarto caso
Para mim ou para eu?
Devemos observar que:
Eu é um pronome pessoal do caso reto e exerce a função de sujeito.
Mim é um pronome pessoal oblíquo tônico, nunca exerce a função de sujeito e, obrigatoriamente, deve ser usado com preposição: a mim, de mim, entre mim, para mim, por mim etc.
Ex.: Eu comprei o livro. (= sujeito)
Eu comprei o livro para mim. (= não é sujeito)
Entretanto, observe o exemplo a seguir: Eu comprei o livro para eu ler.
Nesse caso, são duas orações. \u201cEu comprei o livro\u201d é a oração principal e  \u201cpara eu ler\u201d é oração reduzida de infinitivo (= para que eu lesse).  
Devemos usar o pronome pessoal reto (= eu), porque exerce a função de sujeito do verbo infinitivo (= ler).  
Resumindo: a diferença entre para mim e para eu está na presença ou não de um verbo (= sempre no infinitivo) após o pronome.
Ex.: Este livro é para mim.
Este livro é para eu ler.
Portanto, sempre que houver um verbo no infinitivo, devemos usar os pronomes pessoais retos. Isso ocorrerá com qualquer preposição:
Ex.: Eles compraram o carro antes de mim.
Ela almoçou antes de eu chegar.
Meus pais fizeram isso por mim.
Ele fez isso por eu estar com dúvidas.
Observe, no entanto, a mudança no significado trazida pelo uso da vírgula:
Para eu comprar este carro, foi preciso que meus pais ajudassem.
Para mim, comprar este carro foi uma grande conquista.
Na primeira frase, o pronome pessoal reto (= eu) é o sujeito do infinitivo (= comprar); na segunda frase, a vírgula indica que o para mim está deslocado. Devemos usar o pronome oblíquo (= mim), pois não é o sujeito do verbo comprar.
Quinto caso
Não há nada entre EU e VOCÊ  ou  Entre MIM e VOCÊ?
Como explicamos, \u2018eu\u2019 é pronome pessoal reto e só pode ser usado na função de sujeito. Assim:
com verbo no infinitivo: \u201cNão há nada entre eu sair e você ficar em casa.\u201d;
sem verbo no infinitivo: \u201cNão há nada entre mim e você.\u201d
Sexto caso
A quem
Quando o substantivo que antecede o pronome relativo é pessoa, podemos usar o pronome \u2018quem\u2019
Ex.: Este é o gerente a quem encontrei no congresso.
Sétimo caso
DE QUE ou DE QUEM ou DO QUAL.
Aqueles são os arquivos de que (ou dos quais) a empresa dispõe. 
(= a empresa dispõe dos recursos)
São os funcionários de quem ou dos quais a empresa dispõe.
(= a empresa dispõe dos analistas)
 c.1) É a diretora da escola da qual os alunos gostam muito.
(= eles gostam muito da diretora)
 c.2) É a diretora da escola da qual eles gosta muito.
(= eles gostam muito da diretora).
Quando houver dois antecedentes (= a diretora da escola), devemos evitar o pronome QUEM porque gera ambiguidade, ou seja, gera uma dupla interpretação. 
Em \u201cÉ a diretora da escola de quem eles gostam muito\u201d, não saberíamos se eles gostam muito da diretora ou da escola.
O pronome relativo QUAL deve ser usado sempre que vier antecedido de preposição que não seja monossílaba (= após, contra, desde, entre, para, perante, sobre etc.).
Ex.: Este é o livro sobre o qual falei ontem.
Esta é a ocasião para a qual eles se prepararam tanto.
Oitavo caso
Cujo 
O pronome relativo \u2018cujo\u2019 deve ser usado sempre que houver ideia de posse.
Ex.: Aqui está o professor de cuja aula ninguém gostou. 
Este é o professor a cuja aula eu me referi. 
Este é o indivíduo com cujas ideias eu não concordo.
Esta é a revista em cujas páginas li aquela teoria.
(= eu li aquela teoria nas páginas) 
Este é o autor cuja obra foi premiada.
(= A obra foi premiada \u2013 sem preposição).
Não se usa artigo definido entre o pronome \u2018cujo\u2019 e o substantivo. 
Ex.: Esta é a escola cujo professor ganhou o prêmio.
Nono caso
Os pronomes relativos aparecem precedidos de preposição quando os verbos que eles acompanham são regidos por preposições.
Ex.: Aquele é o bolo de que eu gosto tanto.
Aquela é a criança a quem eu chamei mais cedo.
Esse é o médico em quem as pessoas confiam.
Décimo caso
O pronome QUE pode aparecer com ou sem preposição quando for substituir coisa; quando for substituir pessoa, só poderá ser usado sem preposição já que o pronome QUE será substituído pelo pronome QUEM.
Ex.: Os livros que compramos foram muito úteis para o concurso.
Os livros de que precisávamos para o concurso não chegaram.
As crianças que cumprimentamos eram muito educadas.
As crianças a quem convidamos não vieram.
AULA 9 \u2013 A PONTUAÇÃO E O SENTIDO (PARTE I)
Você Já Pensou Sobre a Origem da Pontuação?
Pontuação foi criada algum tempo depois da escrita. No início, as palavras eram escritas sem segmentação e sem pontuação. Isso porque os leitores \u2013 bastante raros ainda \u2013 faziam a segmentação e a pontuação durante a oralização do texto ou mesmo durante a leitura em voz baixa. Assim, a pontuação surge na interface entre fala e escrita e foi sendo sofisticada ao longo do tempo. (Mendonça, 2003:115)
Analisando a pontuação sob esse ponto de vista, percebemos que ela deve dar conta, no texto escrito, de alguns aspectos da oralidade, como pausas e entonação.
Assim, o uso dos sinais de pontuação vai orientar o leitor para as relações entre os elementos que compõem o enunciado e a importância dessas relações para as construções de sentido.
Como as regras de pontuação não são fixas há divergências entre os diversos autores.  
Nesta aula, trataremos apenas de algumas regras básicas no que se refere à pontuação para que você considere que, quando pontuamos um texto, produzimos sentidos.
Exemplo 1: João toma banho e sua mãe diz ele quero banho frio. 
Como pontuaríamos esse trecho?
Exemplo 2: João toma banho e sua. "Mãe", diz ele, "quero banho frio".
Interpretaríamos o vocábulo "sua" como a 3ª pessoa do presente do verbo SUAR e não o pronome