Sintaxe do Português I - Conteúdo Online
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dessas preposições na predicação em questão, veja:
O menino assistiu ao filme. - O menino assistiu o filme.
Ela atendeu ao chamado. - Ela atendeu o chamado.
Ela satisfez ao marido. - Ela satisfez o marido.
E os verbos bitransitivos ou transitivos direto e indireto?
Mas você deve estar se perguntando: e o complemento relativo que acabamos de estudar?
Não podemos nos esquecer dos verbos tradicionalmente chamados nas gramáticas escolares de bitransitivos ou transitivos direto e indireto.  
Todavia, poderíamos afirmar que tratam-se daqueles verbos que exigem dupla argumentação, ou dois complementos, um que não exige preposição e outro que a exige.
É exatamente em razão dessa noção que Azeredo (2010) nos confronta com os seguintes verbos:
Verbos transitivos diretos e indiretos;
Ex.: Demos a vaga ao estrangeiro.
		O.D	 O.I
Verbos transitivos diretos e relativos;
Ex.: Confundimos a nora com a filha.
		 O.D COMPLEMENTO RELATIVO
Verbos birrelativos.
Ex.: Reclamamos do garoto1 com os pais2.
1 COMPLEMENTO RELATIVO - Reclamamos DELE com os pais.
2 COMPLEMENTO RELATIVO - Reclamamos do garoto COM ELES.
O Objeto Pleonástico
Há casos na língua em que precisamos dar ênfase a determinados argumentos. 
Por causa dessa necessidade, a gramática classificou outro tipo de complemento verbal: o objeto pleonástico.  
E ele pode ser tanto direto como indireto, vejamos:
Objeto Direto Pleonástico 
Ocorre quando se quer dar ênfase à ideia e o objeto direto aparece repetido na oração. 
Ex.: Essas pessoas, já as conheço.
Objeto Indireto Pleonástico
Ocorre quando o objeto indireto aparece duplamente na oração para se dar ênfase à ideia.  
Ex.: Aos noivos, desejemos a eles muita felicidade.
Uma observação importante decorre do fato de que, geralmente, o objeto pleonástico aparece em virtude de ênfase e em orações na ordem inversa, com o objeto topicalizado, tamanha sua importância naquela predicação.
AULA 4 \u2013 TERMOS DA ORAÇÃO: COMPLEMENTO RELATIVO, AGENTE DA PASSIVA E PREDICATIVO
Complemento Relativo
Rocha Lima (1972) já trata de complemento relativo. Segundo esse autor, ele \u201c[...] é o complemento que, ligado ao verbo por uma preposição determinada (a, com, de, em etc.), integra, com o valor de objeto direto, a predicação de um verbo de significação relativa.\u201d O complemento relativo possui similaridades tanto com o objeto direto como com objeto indireto.
Originalmente, o complemento relativo é, assim como o objeto indireto, ligado ao verbo por uma preposição.
Devemos lembrar, no entanto, a regência do objeto indireto, conforme Bechara (2000:421):
\u201cEste novo argumento do predicado se chama complemento ou objeto indireto e apresenta as seguintes características formais e semânticas: 
é introduzido apenas pela preposição a (raramente para) (...).\u201d
Conforme vimos em nossa aula 3, o complemento relativo possui duas diferenças básicas quando consideramos o objeto indireto:
Não pode ser substituído por lhe/lhes, pois somente o objeto indireto o faz. Deve ser substituído por preposição + outro pronome que não lhe/lhes;
Pode, via de regra, perder sua preposição, por ser semanticamente esvaziada, como ocorre, na língua falada, com os verbos assistir, obedecer, atender etc.
Além disso, enquanto o objeto indireto aponta para seres animados, exclusivamente, o complemento relativo aponta para seres tanto animados quanto inanimados, vejamos alguns exemplos de complemento relativo:
Isso depende dos documentos. / Isso depende deles.
Ela se separou do marido. / Ela se separou dele.
Vamos assistir a um filme. / Vamos assistir a ele.
As crianças gostam de chocolate. / As crianças gostam dele.
Bechara (2000:420) afirma, ainda, que é quase nula a possibilidade de o complemento relativo e o objeto direto coexistirem e, por outro lado, há uma identidade funcional entre eles, uma vez que, principalmente na linguagem corrente, muitos verbos estão alternando a construção do complemento relativo e a do objeto direto.
Segundo Azeredo (2010:217), isso ocorre por conta do esvaziamento semântico dessas preposições na predicação em questão:
O menino assistiu ao filme.		O menino assistiu o filme.
Ela atendeu ao chamado.		Ela atendeu o chamado.
Ela satisfez ao marido.		Ela satisfez o marido.
Não podemos nos esquecer dos verbos tradicionalmente chamados nas gramáticas escolares de bitransitivo ou transitivo direto e indireto: aqueles que exigem dupla argumentação, ou seja, dois complementos, um que não exige preposição e outro que a exige.
EXEMPLOS:
Em (a), teríamos: Demos a vaga ao estrangeiro. 
a vaga = objeto direto.
ao estrangeiro = objeto indireto, uma vez que atende aos pré-requisitos já aqui abordados para o objeto indireto. 
Em (b), teríamos: Confundimos a nora com a filha. 
a nora = objeto direto.
com a filha = complemento relativo, uma vez que atende aos pré-requisitos já aqui abordados para o complemente relativo, entre eles, o fato de ser regido por \u2018com\u2019. 
Em (c), teríamos: Reclamamos do garoto com os pais. 
do garoto = complemento relativo. (Reclamamos dele com os pais)
com os pais = complemento relativo. (Reclamamos do garoto com eles)
Agente da Passiva
Outro complemento verbal importante é o agente da passiva: nesse caso é o agente que completa o verbo. A relação desse complemento com o verbo parece-nos mais de ordem semântica e pragmática do que meramente sintática, uma vez que sua presença/ausência depende diretamente das intenções comunicativas do falante.
Ex.: As medidas socioeducativas1 foram aprovadas2 pelo diretor.
1 Sujeito	
2 Forma Passiva do Verbo aprovar		
O Complemento Predicativo
Por fim, vamos tratar do complemento predicativo, que pode ser predicativo do sujeito ou predicativo do objeto. No entanto, antes disso, vamos relembrar os verbos de ligação, também chamados de verbos relacionais, por expressarem uma relação entre o sujeito e as atribuições que ele recebe como qualidades, estados etc. através desse trecho retirado de Azeredo (2008), Gramática Houaiss da Língua Portuguesa.
Verbo de ligação (copulativos ou predicativos)1
A informação contida no predicado pode resultar, ainda, da união obrigatória do núcleo verbal (em itálico) com uma propriedade qualquer (qualidade, estado, atributo, identidade) expressa no termo adjacente (sublinhado):
As crianças são inteligentes.
Os legumes estão frescos.
O céu ficou nublado.
Estas pegadas parecem de tigre.
1 Estes verbos, que jamais exprimem ação, denominam-se \u2018verbos de ligação\u2019 (também conhecidos como \u2018verbos copulativos\u2019 ou \u2018verbos predicativos\u2019), mas em alguns pontos se assemelham aos verbos auxiliares: formam um conjunto limitado de elementos e indicam basicamente diferenças aspectuais no sentido de \u2018conceptualização do estado de coisas\u2019 [...]
Comparem-se as frases a seguir em que a conceptualização do estado de coisas \u2013 indicado nos parênteses \u2013 varia segundo o verbo selecionado:
As águas são turvas. (atributo constante)
As águas estão turvas. (atributo adquirido)
As águas ficam turvas. (atributo resultativo)
As águas continuam turvas. (atributo persistente)
O verbo parecer difere dos demais porque seu papel não é aspectual: ele é empregado para exprimir uma atitude ou ponto de vista do enunciador, funcionando, desse modo, como um recurso da modalização, haja vista seu uso como auxiliar: parece ser, parece estar etc.
Sintaticamente, os verbos de ligação se parecem com os verbos transitivos, uma vez que podem concorrer com termos adjacentes típicos dos predicados cujo núcleo é um verbo transitivo. Comparem-se:
Sua filha está uma bela moça.
Seu filhos escolheu uma bela moça.
Tal como acontece com os verbos transitivos, estabelece-se entre o verbo de ligação e o termo adjacente uma relação de implicação mútua. É esse fato que distingue, sintaticamente, o verbo de ligação de outros verbos (intransitivos) seguidos do mesmo termo adjacente. Comparem-se:
Os pássaros voam livres.
A mulher parou assustada.