Sintaxe do Português I - Conteúdo Online
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Os pássaros estão livres.
A mulher ficou assustada.\u201d (p. 213,214)
O Predicativo do Sujeito Ocorre nos Seguintes Casos
O predicativo do sujeito ocorre nos seguintes casos:
Quando o verbo for de ligação (verbo instrumental) como argumento deste verbo, mas com dependência sintático-semântica do sujeito. Nesse caso, temos o predicado nominal. Vejamos:
A manhã é fria.
O céu está limpo.
As fichas permaneceram incompletas.
Quando o verbo for predicador, ou seja, transitivo ou intransitivo, mas, no predicado, houver expressão atributiva referente ao sujeito, como em:
As pessoas chegaram cansadas. (chegar = verbo intransitivo)
Os meninos chutaram a bola animados. (chutar = verbo transitivo direto)
Azeredo (2000:182) atribui três diferentes valores ao predicativo do sujeito. Ele afirma que o predicativo do sujeito pode significar atributo, identidade ou situação. Vejamos os respectivos exemplos dados pelo autor:
As águas do rio estão turvas. (atributo)
Esse menino é o caçula da família. (identidade)
A recepção será no clube. (situação)
Para o autor (Azeredo), o atributo é marcado por um adjetivo, locução adjetiva, pronome ou numeral. Já a identidade é expressa por um sintagma nominal com função referenciadora e caracteriza-se pela possível permuta de posição com o sujeito. No que tange à situação, usamos predicativos que denotam a situação no tempo ou no espaço. Nesse último caso, só podemos diferenciar de adjunto adverbial pela existência da estrutura de um predicado nominal, que precisa de VL + PRED. DO SUJ.
O Predicativo do Objeto
O predicativo do objeto é o termo que se refere ao objeto de um verbo transitivo ampliando-lhe o sentido, vejamos exemplos:
O juiz declarou o réu inocente.
As grávidas tinham os pés inchados.
Os amigos chamaram-lhe (de) traidor.
Henriques (2010) comenta sobre o predicativo do objeto indireto:
\u201cEncontra-se em alguns livros o esclarecimento de que o único caso de predicativo do objeto indireto é o que ocorre com o verbo chamar em frases do tipo \u201cChamei-lhe de tolo\u201d. Cf. a Gramática do Português Contemporâneo (Belo Horizonte: Bernardo Álvares, 1970, 1ª ed., p. 103), de Celso Cunha, ou as Novas Lições de Análise Sintática, (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 27 \u2013 a 1ª edição é de 1961, Editora Fundo de Cultura), de Adriano da Gama Kury.
Cegalla (2005:344) apresenta observações interessantes a respeito do predicativo do objeto:
O predicativo do objeto, às vezes, vem regido de preposição que, em certos casos, é facultativa;
O predicativo do objeto geralmente se refere ao objeto direto. Excepcionalmente, pode referir-se ao objeto indireto (ou a um complemento relativo, usando a nomenclatura de nossa aula) do verbo chamar. Chamavam-lhe poeta.
Podemos antepor o predicativo a seu objeto: O advogado considerava indiscutíveis os direitos da herdeira.
Acrescentamos a essas observações o fato de que, se desmembrássemos a oração, teríamos um predicado nominal e outro verbal, por isso o predicado, nesse caso, é verbo-nominal:
O advogado considerava os direitos da herdeira. (predicado verbal)
Os direitos da herdeira eram indiscutíveis. (predicado nominal)
O advogado considerava indiscutíveis os direitos da herdeira. (predicado verbo-nominal)
AULA 5 \u2013 OS COMPLEMENTOS NOMINAIS, O ADJUNTO ADVERBIAL E O VOCATIVO
O Adjunto Adverbial
Começaremos nossa aula por um dos complementos verbais importantes ao discurso, que é o adjunto adverbial.
Vejamos como dois conceituados autores o definem:
Afirma que esse complemento é, na maioria das vezes, como um termo acessório, uma vez que pode ser removido da oração sem afetar sua integridade gramatical e sua importância está nos efeitos discursivos que produz. Azeredo (2010:282)
Advoga que o chamado adjunto adverbial é um termo não argumental, ou seja, \u201cfora do âmbito da regência do verbo na oração, isto é, não pedido por ele\u201d, o que comprova o caráter acessório desse termo. Bechara (2000:436)
Circunstâncias do Adjunto Adverbial
De acordo com o que vimos, podemos concluir, com a ajuda do gramático Azeredo, que o adjunto adverbial é: o termo da oração que indica uma circunstância do processo verbal, ou intensifica o sentido de um adjetivo, verbo, advérbio, ou uma oração inteira.
É uma função adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais exercer o papel de adjunto adverbial.
As circunstâncias comumente expressas pelo adjunto adverbial são:
\ufffd
Afirmação;
Assunto;
Causa;
Companhia;
Concessão;
Conformidade;
Dúvida;
Instrumento;
Intensidade;
Lugar;
Tempo;
Modo, etc.
\ufffd
Por isso, sua classificação depende diretamente da circunstância por ele expressa.
Correlação Sujeito-Predicado
O adjunto adverbial indica a circunstância em que se processa o fato expresso pela correlação sujeito-predicado.  
É, portanto, um sintagma nominal acessório, que amplia a comunicação feita pelo verbo, indicando variadas circunstâncias de tempo, modo, lugar etc.
O adjunto adverbial pode ser expresso por:
Advérbio: 
Ex.: O trabalho foi escrito maravilhosamente.
Sintagma preposicional constituído de:
Locução adverbial: 
Ex.: Saiu às pressas.
Sintagma nominal regido de preposição significativa: 
Ex.: Moro num pequeno sítio.
Verbo no infinitivo antecedido por preposição: 
Ex.: Deve comer para viver (\u201cPara viver\u201d é uma oração subordinada adverbial final) e não viver para comer. 
Oração adverbial: 
Ex.: Quando olhares o que te é dado, olha também quem o dá. 
Aprendemos a escrever, escrevendo, a falar, falando.
Também certos adjetivos podem ser usados como advérbio (processo de nominalização): 
O nosso bom Dirceu talvez que esteja metido no capote a ler gostoso. (Tomás A. Gonzaga)
Adjunto Adverbial: o Sintagma Adverbial Altamente Comutável
Outra característica no comportamento do adjunto adverbial reside no fato de que possui grande mobilidade dentro da oração.  
Isso significa que se trata de Sintagma Adverbial altamente comutável, ou seja, pode vir no início, no meio ou no fim da oração.  
Todavia, é preciso que se tenha cuidado quanto à pontuação, pois, ao invertermos a ordem desse sintagma na oração, devemos marcar tal mudança com a vírgula.
Veja: 
Ontem pela manhã, meu professor viajou.
Meu professor, ontem pela manhã, viajou. 
De acordo com norma gramatical, na ordem direta, o adjunto adverbial é posto ao fim da oração, não havendo necessidade de vírgulas.
Entretanto, Henriques (2010:79) afirma que, via de regra, podemos usar a vírgula antes do adjunto adverbial, mesmo ao fim da oração, por razões de expressividade. 
Vamos ao exemplo dado pelo autor:
Preciso de você todos os dias.     X 	Preciso de você, todos os dias.
Aposto e Vocativo
Há dois termos que são tradicionalmente classificados em termos acessórios da oração. São eles: aposto e vocativo.
Aposto 
A palavra \u201caposto\u201d significa \u201cposto após\u201d. Assim, aposto é um termo acessório que permite ampliar, explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida num termo anterior que exerça qualquer função sintática.  
Veja: 
Ontem, segunda-feira, passei o dia mal-humorado. 
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tempo ontem. 
Vocativo 
Esse termo, tradicionalmente, é considerado termo acessório da oração, como o aposto. Entretanto, atualmente, alguns autores o têm dado outro tratamento. 
Complemento Nominal
Outro termo importante da oração é o complemento nominal, formado sempre por um sintagma preposicionado (SPrep), uma vez que deve ser regido por uma preposição.
Talvez, essa noção de complemento seja mais fácil de ser percebida em relação aos verbos. Todavia, há nomes que também necessitam de complementos para lhes assegurar o sentido, veja o exemplo do substantivo necessidade:
Temos necessidade de carinho.
O sentido da oração estaria prejudicado se não houvesse o complemento DE CARINHO para o substantivo necessidade. 
Dessa forma, podemos afirmar que nomes também podem precisar de complemento.
O Complemento Nominal