Sintaxe do Português I - Conteúdo Online
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é impessoal no sentido de \u2018existir\u2019 e quando indica tempo.
Ex.: Havia cinco anos que sonhávamos com essa viagem.
Não os vejo há três meses.
Deve haver cinco anos que não o vejo.
Como não temos sujeito, o verbo haver fica no singular, no entanto,  seus sinônimos têm sujeito e devem concordar. Assim, o verbo existir é pessoal (= com sujeito) e deve concordar com o seu sujeito.  
Verbos ou expressões que indicam fenômenos da natureza são impessoais. 
Ex.: Aqui faz um frio terrível.
Chovia horrores quando chegamos ao aeroporto.
No entanto, quando esses verbos que exprimem fenômenos da natureza são usados, em sentido figurado, deixam de ser impessoais. 
Ex.: Choviam lágrimas de seus olhos. (Sentido metafórico)
O verbo fazer indicando tempo decorrido. Quando usamos o verbo fazer para indicar tempo decorrido ele é impessoal e, portanto, fica no singular.  
Ex.: Faz cinco meses que ele casou.
A expressão \u2018VAI FAZER\u2019 apresenta ideia de tempo decorrido e, por isso, os dois verbos ficam no singular.
Ex.: Vai fazer dois anos que não viajamos.        
Concordância do Verbo SER
A regra básica estabelece que o verbo ser concorde em com o sujeito. 
Ex.: Ana era muito estudiosa.
Ana e Maria eram muito estudiosas.  
Quando o sujeito da oração é constituído por expressões que indicam quantidade, preço, valor, medida e o verbo ser aparece nas expressões é muito, é pouco, é bastante o verbo ser permanece na 3ª pessoa do singular.  
Ex.: Cem reais é pouco para irmos viajar. 
Dez quilos de carne é mais do que pedi.
O Verbo SER e o Predicativo
O verbo ser concorda com o predicativo nos seguintes casos:
Se o substantivo ou pronome designa pessoa.  
Ex.: Sua grande alegria eram os filhos que a visitavam sempre.
Embora ouçamos com frequência \u201cO escolhido foi eu\u201d, a forma prescrita é \u201cO escolhido fui eu\u201d, já que o verbo ser deve concordar com o predicativo \u2018eu\u2019.
Se o predicativo for o pronome demonstrativo \u2018o\u2019, o verbo ser fica no singular: 
Ex.: Problemas é o que não lhe falta.
Nas indicações de tempo e de distância, ele é neutro, ou seja, relaciona-se a horas, distâncias e datas, concordando com o numeral a que se refere. 
Ex.: É uma hora.
São quinze horas. 
Hoje é dois de agosto.
Hoje são vinte de junho. 
Daqui a casa será um quilômetro.
Daqui a casa serão três quilômetros.
Se o sujeito for um dos pronomes que, quem e o que, o verbo ser concordará obrigatoriamente com o predicativo.  
Ex.: Que são homônimos? 
       Quem foram os vencedores do campeonato?
Com o sujeito representado pelos pronomes tudo, isso, aquilo, isto, ninguém, nenhum ou expressão do tipo de o resto, o mais etc. o verbo ser concorda, preferencialmente, com o predicativo. 
Ex.: Tudo são problemas ao logo do dia. 
Isto são confusões de criança.
Concordância do Verbo PARECER
O verbo parecer se flexiona e o infinitivo não varia. 
Ex.: As paredes do prédio pareciam estremecer.
Não varia o verbo parecer e o infinitivo é flexionado. 
Ex.: Os alunos parecia concordarem com o diretor da escola.
O verbo parecer concordará no singular, usando-se oração desenvolvida. 
Ex.: As paredes parece que estão estremecidas.
A Concordância Com \u2018DAR\u2019 e Sinônimos Aplicados a HORAS
Verbos como dar, bater e soar concordam com as horas quando não há sujeito expresso.  
Ex.: Deu uma hora.
O relógio deu dez horas.
Deram quinze horas.
AULA 8 \u2013 REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
Regência Verbal
A Regência Verbal é o estudo da relação de dependência entre os verbos e seus complementos.
Por que estudar Regência Verbal?
O pai agrada o filho. -> agradar significa acariciar, contentar.
O pai agrada ao filho. -> agradar significa causar agrado ou prazer, satisfazer.
Observou como o simples uso de uma preposição pode alterar o significado?  "agradar alguém" é diferente de "agradar a alguém\u201d.
Para os verbos, a regência vai se relacionar ao termo que completa o sentido de um verbo é que é chamado de objeto. Esse objeto, que é um termo regido, pode estar ligado ao termo regente por meio da preposição ou não.  
Se completar o verbo sem preposição obrigatória, recebe o nome de objeto direto; se completar o verbo com preposição recebe o nome de objeto indireto.
Importância do Estudo da Regência
Diferentemente da maior parte das ocorrências de concordância, na regência temos o fenômeno da variação e da música atuando de forma mais intensa. Por que será? Marcos Bagno, em Nada na língua é por acaso (2007, p. 138), apresenta o quadro a seguir.
	Regência Conservadora
	Regência Inovadora
	Assisti ao filme.
	Assisti o filme.
	Atenda ao chamado.
	Atenda o chamado.
	Dei o livro a ela.
	Dei o livro para ela.
	Ensina aos alunos.
	Ensina para os alunos.
	Evite fazer compras inúteis.
	Evite de fazer compras inúteis.
	A reforma implicou gastos não previstos.
	A reforma implicou em gastos não previstos.
	Maria namora João.
	Maria namora com João.
	Obedeça ao regulamento
	Obedeça o regulamento
	Já paguei ao marceneiro.
	Já paguei o marceneiro.
	Perguntou ao professor.
	Perguntou para o professor.
	Prefiro abacaxi à manga.
	Prefiro mais abacaxi do que manga.
	Responda ao questionário.
	Responda o questionário.
Será que dizer \u2018Namora com\u2019 ou \u2018assisti o\u2019 vai nos marcar como pessoas pouco escolarizadas? E o que dizer das ocorrências a seguir?
Esse é o livro de que eu gosto. (oração relativa padrão: gostar é regido pela preposição DE)
Esse é o livro ( que eu gosto. (oração relativa cortadora: apagamento da preposição DE)
Esse é o livro que eu gosto dele. (oração relativa copiadora)
Das afirmativas:
a letra (a) apresenta a forma prescrita pela Gramática Normativa;
a letra (b) apresenta uma estratégia bastante utilizada pelo falante culto que é o apagamento da preposição \u2013 essa estratégia não irá marcá-lo socialmente; 
a letra (c) apresenta um uso considerado marcado por ser utilizado por indivíduos de menor escolaridade.  
É por isso que estudar a regência com atenção é tão importante.
Independentemente de a forma usada ser mais ou menos marcada, como professores de Língua Portuguesa devemos observar esses usos para que possamos orientar nossos alunos de forma adequada. 
Considerando as preposições, nem sempre a presença delas marca um vínculo obrigatório de regência. Se dissermos \u2018Ela sai de manhã para o trabalho\u2019, essa preposição \u2018de\u2019 faz parte de uma locução de tempo. 
A ideia falsa de uma preposição só existe porque uma palavra a \u201crege\u201d, pode levar alguém a corrigir frases que a rigor, nada têm de erradas.
É o caso, por exemplo, da preposição \u2018a\u2019 da expressão \u201centregas a domicílio\u201d, que nada tem a ver com o substantivo \u201centregas\u201d (que regeria a preposição \u2018em\u2019) e sim com  o adjetivo \u201cdomiciliar\u201d \u2013 o que é apenas uma coincidência, pois sabemos que locuções nem sempre têm palavras substitutas. (Henriques: 2010, p. 47)
Os Pronomes Como Complementos Verbais
O uso do pronome \u2018ele\u2019 e suas variantes (ela, eles, elas) como complemento verbal é frequente na língua falada, mas esse é um pronome pessoal do caso reto que somente deve funcionar como sujeito ou como complemento verbal quando vier acompanhado de preposição.
Ex.: Ele chegou cedo ao trabalho.
Ana deu a elas os novos perfumes.
Seguindo o que prescreve a Gramática Normativa, os pronomes oblíquos são os adequados à posição de complementos verbais.
* Átomos (sem preposição)
Tônicos (com preposição)
a) Funcionam como objeto direto os pronomes o, a, os, as que são complemento de verbos transitivos diretos.  
Joana comprou uma blusa.
\u2014> Comprou-a.
Henrique pagou o carro. (Pagar algo = objeto direto)
\u2014> Pagou-o.
Ele convidou meus pais.
\u2014> Ele convidou-os.
b) Funcionam como objeto indireto os pronomes lhe, lhes são complementos de verbos transitivos indiretos.
Henrique pagou ao gerente. (Pagar a alguém = objeto indireto)
\u2014> Pagou-lhe. (LHE é usado para pessoa)
Eu obedeço a meu pai.
\u2014> Eu obedeço-lhe.