Teoria da Literatura II - Conteúdo Online
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experiência) e racionais. 
Na obra Curso de Filosofia Positiva (1830-1842), Auguste Comte expôs sua doutrina dividindo-
a em três etapas do desenvolvimento intelectual da humanidade. 
Primeiro estágio (teológico): pelo qual o homem explicaria os fenômenos da natureza 
recorrendo a entes sobrenaturais ou divindades, primeiro em uma crença politeísta (diversos 
deuses) e, numa fase superior, na crença monoteísta (um só deus). 
Segundo estágio (metafísico): pelo qual o conhecimento sobre o mundo sensível não se daria 
por elementos exteriores a ele, mas por conceitos imanentes e abstratos, ou seja, as idéias, as 
formas, as potências e os princípios. 
Terceiro estágio (estado positivo): no qual o homem se limita a descrever os fenômenos e a 
estabelecer \u2015as relações constantes de semelhança e sucessão entre eles\u2016. É nesse último 
estágio que se situa a filosofia positivista, que não pretende encontrar as causas ou a essência 
das coisas, mas identificar as leis que as regem, pois o papel da filosofia, como acreditava 
Comte, não era descobrir, mas organizar o conhecimento adquirido. 
Os pressupostos fundamentais da filosofia positivista são, portanto, a ordenação e a 
classificação das ciências. 
Avançando em seus estudos positivistas, Auguste Comte estabelece, na obra Discurso sobre o 
conjunto do positivismo (1848), uma proposta de significação moral mais ampla, pela qual 
indicava o predomínio do coração sobre a razão e a atividade para que se formasse uma 
\u2015religião da humanidade\u2016. Assim, o positivismo se configurava sob três aspectos: uma teoria 
da ciência, uma doutrina de reforma social e uma religião. 
Na obra Sistema de Política (1851-1854), Comte retoma os propósitos práticos em detrimento 
dos teóricos ou filosóficos. Consolida-se a \u2015religião da humanidade\u2016 com ídolos, sociolatria, 
sociocracia e catecismo, propostas muito semelhantes às do catolicismo, o que se confirma 
com a obra O Catecismo Positivista (1852). O positivismo, então, assume a condição de um 
credo baseado na ciência, e disso decorrem aberturas de templos e práticas de cultos 
positivistas. 
Essas novas idéias de Auguste Comte dividiram os pensadores dos séculos XIX: uns, os 
ortodoxos, seguiram as propostas religiosas de Comte; outros, os heterodoxos, permaneceram 
fiéis aos postulados iniciais da filosofia positivista, de cunho científico e filosófico. 
A doutrina filosófica positivista alcançou grande repercussão no Brasil, protagonizando o 
advento da república, visto que vários republicanos, como Benjamin Constant, eram 
positivistas. A divisa Ordem e Progresso, que consta da bandeira nacional, tem inspiração no 
lema do Positivismo \u2015o amor como princípio, a ordem como base e o progresso como fim\u2016. 
O Determinismo 
É o nome de uma teoria filosófica segundo a qual todos os acontecimentos do universo 
obedecem às leis naturais causais, ou seja, a natureza, a história e a sociedade estão 
submetidas a leis e causas que determinam sua existência, sua forma e sua evolução. 
As concepções deterministas estão presentes na filosofia da Antiguidade Clássica, 
especialmente no atomismo (é uma filosofia natural que preconiza a existência de partículas 
mínimas, sólidas e indivisíveis, chamadas átomos, que originam todas as coisas do universo. A 
reorganização constante desses átomos explicaria as constantes transformações do mundo) 
grego, mas somente foram estabelecidas por uma proposta teórica mais sistematizada no 
século XIX, devido aos avanços no campo do saber científico. 
As doutrinas deterministas estão vinculadas a uma compreensão mecanicista da realidade, 
estudada a partir da relação de causa e efeito entre os objetos e fenômenos. A concepção 
clássica de determinismo teve origem nos estudos de Pierre-Simon Laplace, na Teoria Analítica 
das Probabilidades (1812), obra na qual o filósofo defende a idéia de que, se num momento 
específico, fossem conhecidas todas as forças da natureza e o estado de cada um de seus 
elementos, seria possível determinar tanto o passado quanto o futuro do objeto investigado 
mediante uma análise matemática. Essa teoria pode ser sintetizada da seguinte maneira: as 
mesmas causas, em circunstâncias idênticas, produziriam os mesmos efeitos. 
Essa teoria determinista mais radical configura o homem como objeto de investigação 
científica, não o distinguindo das outras coisas presentes no universo. Para os deterministas 
clássicos, as ações humanas também seriam condicionadas a causas específicas, assim como 
os fenômenos naturais. 
A filosofia determinista defende a tese de que seria impossível ao homem agir livremente, pois 
ele estaria condicionado a causas anteriores. Essa idéia não exime o homem de suas 
responsabilidades, mas entende ser possível prever suas ações e os resultados dessas. 
Contexto Histórico e Social do Positivismo e do Determinismo 
Em meados do século XIX, o mundo sofreu grandes transformações. Se, por um lado, o 
advento da Revolução Industrial, ao lado dos avanços científicos, possibilitou ao homem 
sonhar com o progresso e o bem-estar social, por outro, o caos da urbanidade gerou 
insatisfações devido ao crescimento desordenado das cidades e às distâncias crescentes entre 
a classe operária e os donos do capital. 
A nova orientação cientificista transformou o homem em mais um objeto de investigação 
dentro de um universo de coisas materiais, inserido em um contexto histórico e social. Essa 
nova proposta, inevitavelmente, anula a subjetividade romântica e o homem moderno vê-se 
diluído entre teorias científicas e filosóficas e práticas que o coletivizam, aniquilando sua 
individualidade. 
Positivismo e Determinismo na Crítica e na Historiografia Literária 
Na literatura ocidental, a dicotomia entre a subjetividade e o cientificismo se fará presente em 
movimentos antagônicos. Românticos e simbolistas tendem a um afastamento do mundo real, 
buscando, os românticos, o mundo idealizado, e os simbolistas, a fuga da existência. 
Em comum, apresentam um estado de depressão finissecular (conceito que representa, 
literariamente, o fim do século, extremo de uma época). Seguindo outra vertente de 
pensamento, parnasianos, realistas e naturalistas, filiados ao cientificismo, tenderão a 
compreender o homem como produto da sociedade e do meio ambiente, fundados na certeza 
de que a investigação criteriosa dos fenômenos sociais, dos quais o homem faz parte, levaria 
a uma evolução humana e social. 
Todas essas transformações e o posicionamento antagônico de intelectuais e artistas levam a 
uma \u2015reflexão sobre a gênese da obra literária, em termos de especulação científica\u2016. 
(GONÇALVES, Magaly Trindade; BELLODI, Zina C. Teoria da literatura \u2015revisitada\u2016. 
Petrópolis: Vozes, 2005. p. 94) Taine (1828-1893) foi o introdutor desse postulado, 
estabelecendo a tríade \u2015raça, meio e momento\u2016. 
Hippolyte Adolphe Taine foi um dos expoentes do Positivismo do século XIX. Criou o 
Método de Taine, que consistia em compreender o homem sob três fatores determinantes: 
meio ambiente, raça e momento histórico. 
Elemento Raça nos Estudos da Hereditariedade e a Visão Científica da Gênese 
Em relação ao elemento raça, conceito hoje negado por teses diversas, está inserido nos 
estudos da hereditariedade; quanto ao meio, explica-se pelas transformações sociais drásticas 
ocorridas com o advento da modernidade; e quanto ao momento, deve ser entendido como 
um conceito que engloba, na concepção contemporânea, aspectos sociais, políticos, 
econômicos e culturais de um período determinado da evolução histórica. 
A visão cientificista da gênese da obra literária surge em um contexto social e histórico de 
formulação de teses que se consolidavam a partir do estudo da origem do objeto investigado, 
cujo ponto alto