Teoria da Literatura II - Conteúdo Online
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de um modo geral, e da 
poesia em particular. 
Universidade Estatal de Moscou - É uma das universidades mais antigas e a mais importante 
da Rússia. Onde surgiu o Círculo Linguístico de Moscou. 
Panorama Histórico Mundial 
Em 1916 é fundada a OPOJAZ \u2013 Sociedade para o Estudo da Linguagem Poética, projeto de 
linguistas e estudiosos de Literatura que tinha como finalidade consolidar os estudos 
formalistas. No entanto, uma forte corrente marxista começou a fazer oposição a esse grupo 
de pesquisadores, valendo-se da força política que, na época, favorecia uma ideologia que 
vinculava a produção artística a conflitos sociais. Como os formalistas opunham-se a essa 
visão que, no seu entendimento, limitava a arte, foram perseguidos e se dispersaram pelo 
ocidente, desenvolvendo trabalhos individualizados. 
O termo função poética foi cunhado nesta época, instituindo importantes considerações sobre 
a linguagem literária. 
Em 1917, Viktor Chklovsky formulou o ensaio \u2015A arte como procedimento\u2016, no qual propõe 
uma compreensão da literatura a partir de conceitos linguísticos, baseando-se no argumento 
de que a língua poética é um desvio da língua cotidiana. 
Viktor Chklovsky (1893 \u2013 1984). Considerado pai do Formalismo Russo, formulou o ensaio \u2015A 
arte como procedimento\u2016 baseando-se no argumento de que a língua poética é um desvio da 
língua cotidiana. 
A projeção do Formalismo Russo no ocidente também se deve a Victor Erlich, autor da obra 
Russian Formalism (1955), e Tzvetan Todorov, responsável por coligir textos dos formalistas 
russos. 
Tzvetan Todorov nasceu na Bulgária em 1939. Naturalizado francês, o filósofo e linguista é 
considerado hoje um dos mais importantes pensadores do século 20. Suas obras reúnem 
textos dos formalistas russos. 
Este livro, do autor Critovão Tezza, faz uma síntese do pensamento de Bakhtin e apresenta as 
linhas fundamentais da concepção formalista de poesia. 
Marxismo: 
\uf0b7 A obra literária é a expressão de seu 
tempo; 
\uf0b7 A arte, direta ou indiretamente, 
reflete a vida dos homens; 
\uf0b7 A poesia lírica não se vincula ao 
espírito social de uma época. 
Formalismo: 
\uf0b7 Não se importavam com a 
motivação social da obra; 
\uf0b7 Defendiam a abordagem 
morfológica da obra; 
\uf0b7 O objeto investigado era a própria 
obra. 
Contrário ao Marxismo, o Formalismo Russo caracterizou-se pela recusa de abordagens 
sociológica, política e filosófica que serviam de base para muitos estudos literários da época. 
Para os formalistas, a análise literária deveria ser efetuada apenas por meios estéticos, sem 
relevar aspectos externos da obra. 
Conceitos Fundamentais do Formalismo Russo: Estranhamento e Literariedade 
O Formalismo Russo reagiu contra os estudos geneticistas da Literatura, negando uma visão 
científica e determinista do texto literário. Os formalistas consideravam a autonomia da obra 
de arte como objeto de investigação, o que já havia sido esboçado pelos simbolistas 
franceses, os quais propunham a \u2015arte pela arte\u2016, o que já havia sido proposto, no século XIX, 
por Edgar Allan Poe. 
Edgar Allan Poe (1809 - 1849): \u2015Defino a poesia das palavras como Criação Rítmica da Beleza. 
O seu único juiz é o Gosto.\u2016 
Também contrários à tendência marxista, os formalistas russos não se importavam com a 
motivação social da obra. O Formalismo ocupa-se da relação entre a mensagem e o 
destinatário, mas sem vínculos com o contexto social. Por esse motivo, o teórico Boris 
Eichembaum propôs que se considerasse uma abordagem morfológica da obra, a fim de que 
se diferenciasse de outras abordagens, como a psicológica e a sociológica. Pela análise 
morfológica, o objeto a ser investigado seria a própria obra, enquanto pelas outras 
abordagens, investigar-se-iam outros aspectos que na obra se refletem. 
Boris Eichenbaum (1886-1959): Interessava aos formalistas uma relação entre o texto e o 
leitor na qual a Literatura promova, no destinatário, a reconstituição da realidade através do 
\u2015estranhamento\u2016. 
Antes dos formalistas, na Rússia, considerava-se que a arte corresponde ao pensamento 
organizado por imagens. Privilegiava-se o conhecimento adquirido com a arte e, para tanto, a 
imagem, na arte, tinha a função de promover analogias, ou seja, estabelecer semelhanças 
entre coisas diferentes, o que exigia ser a própria imagem mais simples do que a mensagem 
que ela pretendia transmitir; além disso, o estudo das imagens estava associado ao estilo de 
cada autor. 
(1912) Obra do pintor e escritor Kuzma Petrov. No período pré-formalista considerava-se que 
a imagem na arte tinha a função de promover analogias. 
Na análise do texto literário passa a ser considerada não apenas sua a estrutura verbal, como 
também a percepção do leitor e o reconhecimento de uma nova forma de o autor se 
expressar. 
O Estudo 
Em seu ensaio chamado \u2015O Formalismo Russo\u2016 (vide indicação em \u2015Atividades\u2016), Ivan Teixeira 
aponta o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, como o exemplo mais 
evidente de estranhamento, considerando que a obra se constitui pela visão de um \u2015defunto 
autor\u2016. 
A Palavra 
O leitor, logo no início do texto, passa por um processo de \u2015desautomatização\u2016, ou seja, deixa 
de ter uma compreensão automática do que lê, tendo em vista que se apresentou a ele uma 
proposta nova, diferente do que se havia estabelecido anteriormente para a elaboração de 
uma obra literária. O leitor estranha, de imediato, a \u2015Dedicatória\u2016 elaborada pelo autor: \u201cAo 
verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa 
lembrança estas memórias póstumas\u201d. 
Pioneirismo 
Outro importante morfologista, Roman Jakobson, argumenta que a investigação literária não 
deve ter como objeto a Literatura, mas a literariedade, ou seja, a especificidade do objeto 
literário, o que privilegia o texto e não o seu autor. 
É com essa proposta que os formalistas russos se contrapõem a outras correntes de 
pensamento que também se aplicavam ao estudo literário, como o determinismo e o 
positivismo. 
Roman Jakobson (1896 \u2013 1982) \u2013 pioneiro da análise estrutural da linguagem, poesia e arte. 
MANIFESTO da Literariedade 
Jakobson elaborou um manifesto que esclarece o processo de literariedade: 
A poesia é linguagem em sua função estética. Deste modo, o objeto do estudo literário não é 
a literatura, mas a literariedade, isto é, aquilo que torna determinada obra uma obra literária. 
E, no entanto, até hoje, os historiadores da literatura, o mais das vezes, assemelhavam-se à 
polícia que, desejando prender determinada pessoa, tivesse apanhado, por via das dúvidas, 
tudo e todos que estivessem num apartamento, e também os que passassem casualmente na 
rua naquele instante. 
Tudo servia para os historiadores da literatura: os costumes, a psicologia, a política, a 
filosofia. Em lugar de um estudo da literatura, criava-se um conglomerado de disciplinas mal--
-acabadas. Parecia-se esquecer que estes elementos pertencem às ciências correspondentes: 
História da Filosofia, História da Cultura, Psicologia etc., e que estas últimas podiam, 
naturalmente, utilizar também os monumentos literários como documentos defeituosos e de 
segunda ordem. Se o estudo da literatura quer tornar-se uma ciência, ele deve reconhecer o 
'processo' como seu único 'herói'. 
EIKHENBAUM, Boris et alii. Teoria da literatura: formalistas russos. Trad. Ana Mariza 
Ribeiro. et alii. Porto Alegre: Globo, 1978. 
\u2015Agora sabes que sou verme. 
Agora, sei da tua luz. 
Se não notei minha epiderme... 
É... nunca estrela eu te supus. 
Mas, se cantar pudesse um verme, 
Eu cantaria a tua luz! 
 
E eras assim... Por que não deste 
Um raio, brando, ao teu viver? 
Não te lembrava. Azul-celeste 
O