Teoria da Literatura II - Conteúdo Online
55 pág.

Teoria da Literatura II - Conteúdo Online


DisciplinaTeoria da Literatura II1.051 materiais8.697 seguidores
Pré-visualização20 páginas
8 anos de idade 
antes de completar 8 anos de idade 
antes de completar 8 anos de idade 
antes de completar 8 anos de idade 
antes de completar 8 anos de idade 
                    (Ferreira Gullar, 1962)
Segundo Antonio Candido, \u201cuma crítica que se queira integral deixará de ser unilateralmente sociológica, psicológica ou linguística, para utilizar livremente os elementos capazes de conduzirem a uma interpretação coerente. Mas nada impede que cada crítico ressalte o elemento da sua preferência, desde que o utilize como componente da estruturação da obra\u201d (CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. 8 ed. São Paulo: T. A. Queiroz Editor, 2002. p. 7).
Os Estudos Sociológicos Aplicados à Literatura
Antonio Candido classifica os estudos sociológicos que fundamentam a análise literária em diferentes modalidades, conforme o método aplicado:
Paralelo entre a obra literária e a sociedade;
Representação da sociedade na obra literária;
Relação entre a obra e o público em termos de definição do público \u2013 alvo, aceitação da obra de ação recíproca de ambos;
Posição e função social do escritor relacionadas com a natureza de sua produção e com a organização da sociedade;
Ação política das obras e dos autores, segundo a ideologia que os defende;
Investigação hipotética das origens da literatura ou de seus gêneros vinculados a tendências de pensamento, como o marxismo.
Antonio Candido valida todas essas modalidades de análise sociológica, \u201cna medida em que as tomarmos não como crítica, mas como teoria e história sociológica da literatura, ou como sociologia da literatura, embora algumas delas satisfaçam também as exigências próprias do crítico. Em todas nota-se o deslocamento de interesse da obra para os elementos sociais que formam a sua matéria, para as circunstâncias do meio que influíram na sua elaboração, ou para a sua função na sociedade\u201d. (CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. 8. ed. São Paulo: T. A. Queiroz Editor, 2002. p. 11-12)
\u201cA Literatura e a Vida Social\u201d
Qual a influência exercida pelo meio social sobre a obra de arte?
Qual a influência exercida pela obra de arte sobre o meio?
Antonio Candido reforça a idéia de que a sociologia é uma disciplina auxiliar, que \u201cnão pretende explicar o fenômeno literária ou artístico, mas apenas esclarecer alguns dos seus aspectos.\u201d (CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. 8. ed. São Paulo: T. A. Queiroz Editor, 2002. p. 18)
\u201cHá neste sentido duas respostas tradicionais, ainda fecundas conforme o caso, que devem todavia ser afastadas numa investigação como esta. A primeira consiste em estudar em que medida a arte é expressão da sociedade; a segunda, em que medida é social, isto é, interessada nos problemas sociais.\u201d (CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. 8. ed. São Paulo: T. A. Queiroz Editor, 2002. p. 19)
\u201cDurante todo o século XIX, não se avançou muito na teoria geral de que a literatura é um produto social. Colocou \u2013 se em prática uma tendência de se analisar o conteúdo social das obras. Tais estudos, então, possibilitaram a compreensão de que a arte é social nos dois sentidos: depende da ação de fatores do meio, que se exprimem na obra em graus diversos de sublimação e produz sobre os indivíduos um efeito prático, modificando a sua conduta e concepção do mundo, ou reforçando neles o sentimento dos valores sociais.
Isto decorre da própria natureza da obra e independe do grau de consciência que possam ter a respeito os artistas e os receptores de arte.\u201d (CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. 8. ed. São Paulo: T. A. Queiroz Editor, 2002. p. 19)
Os estudos de sociologia moderna devem se interessar em analisar os fenômenos que levem em conta tanto a literatura social, mesmo a hermética, quanto a poesia política ou romance de costumes. A primeira tarefa, portanto, é investigar as influências exercidas pelos fatores socioculturais sobre a obra.
Certamente, os mais decisivos se ligam à estrutura social, aos valores e ideologias e às técnicas de comunicação (a linguagem, os recursos de interlocução etc.). Temos, então, os quatro momentos da produção:
O artista, segundo os padrões de sua época;
Os temas escolhidos;
As formas utilizadas;
A síntese resultante desse processo e que age sobre o meio.
No processo de elaboração da arte literária, três elementos se destacam e se vinculam: o autor, a obra e o público. É a partir do estudo desses três elementos que o crítico pode definir:
Como a sociedade define a posição e o papel do artista;
Como a obra depende dos recursos técnicos para incorporar os valores propostos;
Como se configuram os públicos.
A Posição e a Função Social do Artista
A estrutura social exige que os seus participantes assumam uma posição específica, o que envolve o artista individualmente e grupos de artistas. Há forças sociais condicionantes que guiam o artista e que determinam, primeiro, a ocasião da obra a ser produzida; depois, a necessidade de ela ser produzida; e, por último, se a obra vai se tornar ou não um bem coletivo.
É possível pensar a função social do artista desde os tempos pré \u2013 históricos, quando alguém dotado de habilidades especiais era retirado de suas atividades normais para registrar ações cotidianas. Seja nas sociedades africanas, com a tradição dos \u201carautos\u201dmbongi, de Moçambique, que cantavam sua própria genealogia, seja com os aedos gregos, evidencia \u2013 se, na história, a posição e função social do artista.
Nas sociedades medievais estratificadas do Ocidente, os artistas e intelectuais congregavam grupos poderosos, como o clérigo (filósofos, teólogos, cientistas), os trovadores associados ao estamento cavaleiresco, os arquitetos e pintores identificados com a burguesia e os jograis diversos que criavam e difundiam a cultura popular.
Nas sociedades modernas, é comum que o artista exerça, também, outras funções sociais e sua posição seja identificada com a atividade de maior destaque. Definida sua atividade prioritária e, senda ela a arte, o artista pode permanecer isolado em seu processo de criação ou formar grupos que se aliam pela técnica ou pela ideologia.
Clérigos medievais: as sociedades estratificadas formam grupos de intelectuais e artistas.
A Configuração da Obra
A obra depende fundamentalmente do artista e das condições sociais que determinam a sua posição.
Antonio Candido considera a necessidade de se investigar os valores sociais, as ideologias e os sistemas de comunicação, que na obra se configuram em conteúdo e forma, inseparáveis no espírito criador do artista, mas que devem ser discerníveis na análise.
Os valores e ideologias contribuem principalmente para o conteúdo, enquanto as modalidades de comunicação influem mais na forma. O artista também interpreta a experiência cotidiana e esta deve ser considerada pelo analista da obra.
O livro: conteúdo e forma se integram no espírito criador do artista.
O Público
Nas sociedades antigas, não era muito nítida a diferenciação entre artista e público, já que todos participavam do ato ritualístico que representava a criação. No entanto, conforme as sociedades crescem demograficamente, artista e público assumem características mais distintas. Surgem, então, os grupos diferenciados de receptores de arte, identificados com movimentos e estilos variados.
Essa segmentação determina a criação artística. Porém, nas sociedades modernas, os receptores de arte têm perfil indefinido e constituem o que Antonio Candido denomina \u201cmassa virtual\u201d, salvo a constituição de grupos limitados em congressos e outras iniciativas de caráter acadêmico. E os receptores de arte aumentam em número e se fragmentam na medida em que cresce a complexidade das estruturas sociais.
E somente o elemento estético forma um ponto de convergência entre esse público variado. Essa é a ação