Teoria da Literatura II - Conteúdo Online
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literário não pode prescindir de dados biográficos relevantes para a compreensão da mensagem. \u201cO escritor é, pois, um criador, mas, ao mesmo tempo, a sua obra está, toda ela, mergulhada no momento histórico que a origina\u201d. (RICCIARDI, Giovanni. Sociologia da literatura. Lisboa: Publicações Europa-América, 1971, p. 80)
Justifica-se a crítica biográfica pela produção de autores comprometidos com a sociedade da qual participam. Na literatura de Portugal e do Brasil, temos diversos exemplos de escritores realistas e neorrealistas, como Eça de Queirós, Machado de Assis, Carlos de Oliveira, Graciliano Ramos, entre muitos outros.
A situação econômica do escritor e a classe social a que pertence têm sido parâmetros para a análise de uma obra a partir da crítica biográfica. As ideologias que defende e aspectos cotidianos e psicológicos da vida do autor também se configuram objetos de análise.
A crítica biográfica como método fundamental sofreu diversas críticas, inclusive de Afrânio Coutinho:
\u201cA biografia monopolizou quase por completo os estudos literários no Brasil, inclusive a crítica, a ponto de constituir um sério desvio a ser corrigido. Ela absorveu, por influência de Sainte Beuve, a própria interpretação crítica, e chegou-se a inverter a ordem natural dos estudos literários: em vez de chegar-se à obra através do autor, como poderia ser o legítimo objetivo da biografia literária, passou-se a usar a obra como ponte para atingir-se o autor, idealizado romanticamente na sua individualidade. 
A hipertrofia biográfica chegou a ponto de afastar a leitura das obras em proveito do conhecimento da vida dos autores\u201d. (COUTINHO, Afrânio. Introdução à literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1959, p. 67).
Conheça Alguns Nomes da História da Crítica Literária
Charles Augustin Sainte-Beuve (1804-1869). Considerado um dos mais importantes nomes da história da crítica literária, inaugurou a crítica moderna e a crítica de jornal. Ele acreditava ser possível uma crítica isenta da obra literária a partir da biografia dos autores. Sainte Beuve estabeleceu a diferença entre a crítica subjetivista (romântica) e a objetivista (científica).
Benedetto Croce, na obra Estética (1902), procurou um meio termo entre a crítica impressionista e a crítica biográfica, afastando-se tanto da visão subjetivista de Anatole France quanto do método cientificista de Taine. Croce não aceitava qualificar a obra literária a partir de uma classificação de gêneros ou de quaisquer outras regras impostas à análise literária que, segundo ele, deveriam partir apenas da obra em si mesma.
Distanciando-se das discussões primeiras sobre a validade desse ou daquele método crítico, os estudos literários avançam em direção a um consenso, extraindo do texto e de sua autoria o mais relevante para a análise.
É o que propõe Flora Sussekind ao fazer um estudo sobre a poesia contemporânea brasileira. Com o subtítulo:
\u201cA literatura do eu \u2013 Onde se lê poesia, leia-se vida\u201d
É o que propõe Flora Sussekind ao fazer um estudo sobre a poesia contemporânea brasileira. Com o subtítulo \u201cA literatura do eu \u2013 Onde se lê poesia, leia-se vida\u201d, a autora propõe uma compreensão biográfica da literatura não mais baseada nos fatos que marcam a vida do autor, mas na concepção de que vida e obra se fundem irremediavelmente:
São as vivências cotidianas do poeta, os fatos mais corriqueiros que constituirão a matéria da poesia\u201d. (SUSSEKIND, Flora. Literatura e vida literária \u2013 polêmicas, diários & retratos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. p. 67)
Os estudos sobre crítica literária têm indicado uma dicotomia entre a crítica acadêmica e a crítica jornalística ou de \u201crodapé\u201d. Como a polêmica se revigora periodicamente, cabe conceituar essas propostas e estabelecer as diferenças entre elas.
A crítica acadêmica dá-se no âmbito das universidades. Os estudos, nesse caso, fundamentam-se em teorias diversas que atendem às necessidades da compreensão do texto literário objeto da análise ou da formação do próprio analista.
É comum, então, a associação entre literatura e filosofia, literatura e história, literatura e sociologia, literatura e psicanálise etc. Como parâmetros de análise, selecionam-se autores e obras canônicas, mesmo que os textos analisados sejam contemporâneos. Tais análises, de um modo geral, tendem a se enquadrar em teorias consolidadas. Esse método, não raro, tem como destinação o leitor especialista, visto que se vale de citações e referências que conferem erudição à análise elaborada.
A crítica de rodapé faz a análise do texto literário objetivando uma percepção estética e subjetiva do mesmo, muitas vezes para divulgar um livro, qualificá-lo ou desqualificá-lo ante um público leitor.
E se propõe, até mesmo, a formar um público leitor, atendendo a critérios que passam ao largo das teorias acadêmicas. Assim, a crítica jornalística ou de rodapé pode servir a interesses mercadológicos, mas a adesão de críticos renomados e a sua permanência, além da visão crítica subjetiva de um público leitor cada vez mais exigente tem validado esse método de análise dos textos literários.
AULA 4 \u2013 O FORMALISMO RUSSO
Origens do Formalismo Russo \u2013 O Círculo Linguístico de Moscou e a OPOJAZ
A origem do Formalismo Russo encontra-se na Universidade de Moscou, quando, em 1914-15, um grupo de estudantes fundou o Círculo Linguístico de Moscou e se dedicou a desenvolver estudos de linguística e de poética. Entre seus fundadores, destaca-se Roman Jakobson, importante linguista que se dedicou à análise estrutural da linguagem de um modo geral, e da poesia em particular.
Universidade Estatal de Moscou - É uma das universidades mais antigas e a mais importante da Rússia. Onde surgiu o Círculo Linguístico de Moscou.  
Panorama Histórico Mundial
Em 1916 é fundada a OPOJAZ \u2013 Sociedade para o Estudo da Linguagem Poética, projeto de linguistas e estudiosos de Literatura que tinha como finalidade consolidar os estudos formalistas. No entanto, uma forte corrente marxista começou a fazer oposição a esse grupo de pesquisadores, valendo-se da força política que, na época, favorecia uma ideologia que vinculava a produção artística a conflitos sociais. Como os formalistas opunham-se a essa visão que, no seu entendimento, limitava a arte, foram perseguidos e se dispersaram pelo ocidente, desenvolvendo trabalhos individualizados.
O termo função poética foi cunhado nesta época, instituindo importantes considerações sobre a linguagem literária.
Em 1917, Viktor Chklovsky formulou o ensaio \u201cA arte como procedimento\u201d, no qual propõe uma compreensão da literatura a partir de conceitos linguísticos, baseando-se no argumento de que a língua poética é um desvio da língua cotidiana.
Viktor Chklovsky (1893 \u2013 1984). Considerado pai do Formalismo Russo,  formulou o ensaio \u201cA arte como procedimento\u201d baseando-se no argumento de que a língua poética é um desvio da língua cotidiana.
A projeção do Formalismo Russo no ocidente também se deve a Victor Erlich, autor da obra Russian Formalism (1955), e Tzvetan Todorov, responsável por coligir textos dos formalistas russos.
Tzvetan Todorov nasceu na Bulgária em 1939. Naturalizado francês, o filósofo e linguista é considerado hoje um dos mais importantes pensadores do século 20. Suas obras reúnem textos dos formalistas russos.
Este livro, do autor Critovão Tezza, faz uma síntese do pensamento de Bakhtin e apresenta as linhas fundamentais da concepção formalista de poesia.
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Marxismo:
A obra literária é a expressão de seu tempo;
A arte, direta ou indiretamente, reflete a vida dos homens;
A poesia lírica não se vincula ao espírito social de uma época.
Formalismo:
Não se importavam com a motivação social da obra;
Defendiam a abordagem morfológica da obra;
O objeto investigado era a própria obra.
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Contrário ao Marxismo, o Formalismo Russo caracterizou-se pela recusa de abordagens sociológica, política e filosófica que serviam de base para muitos estudos literários da época. Para os formalistas, a análise