Teoria da Literatura II - Conteúdo Online
55 pág.

Teoria da Literatura II - Conteúdo Online


DisciplinaTeoria da Literatura II1.053 materiais8.702 seguidores
Pré-visualização20 páginas
literária deveria ser efetuada apenas por meios estéticos, sem relevar aspectos externos da obra.
Conceitos Fundamentais do Formalismo Russo: Estranhamento e Literariedade
O Formalismo Russo reagiu contra os estudos geneticistas da Literatura, negando uma visão científica e determinista do texto literário. Os formalistas consideravam a autonomia da obra de arte como objeto de investigação, o que já havia sido esboçado pelos simbolistas franceses, os quais propunham a \u201carte pela arte\u201d, o que já havia sido proposto, no século XIX, por Edgar Allan Poe.
Edgar Allan Poe (1809 - 1849): \u201cDefino a poesia das palavras como Criação Rítmica da Beleza. O seu único juiz é o Gosto.\u201d
Também contrários à tendência marxista, os formalistas russos não se importavam com a motivação social da obra. O Formalismo ocupa-se da relação entre a mensagem e o destinatário, mas sem vínculos com o contexto social. Por esse motivo, o teórico Boris Eichembaum propôs que se considerasse uma abordagem morfológica da obra, a fim de que se diferenciasse de outras abordagens, como a psicológica e a sociológica. Pela análise morfológica, o objeto a ser investigado seria a própria obra, enquanto pelas outras abordagens, investigar-se-iam outros aspectos que na obra se refletem.
Boris Eichenbaum (1886-1959): Interessava aos formalistas uma relação entre o texto e o leitor na qual a Literatura promova, no destinatário, a reconstituição da realidade através do \u201cestranhamento\u201d.
Antes dos formalistas, na Rússia, considerava-se que a arte corresponde ao pensamento organizado por imagens. Privilegiava-se o conhecimento adquirido com a arte e, para tanto, a imagem, na arte, tinha a função de promover analogias, ou seja, estabelecer semelhanças entre coisas diferentes, o que exigia ser a própria imagem mais simples do que a mensagem que ela pretendia transmitir; além disso, o estudo das imagens estava associado ao estilo de cada autor.  
(1912) Obra do pintor e escritor Kuzma Petrov. No período pré-formalista considerava-se que a imagem na arte tinha a função de promover analogias.  
Na análise do texto literário passa a ser considerada não apenas sua a estrutura verbal, como também a percepção do leitor e o reconhecimento de uma nova forma de o autor se expressar.
O Estudo
Em seu ensaio chamado \u201cO Formalismo Russo\u201d (vide indicação em \u201cAtividades\u201d), Ivan Teixeira aponta o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, como o exemplo mais evidente de estranhamento, considerando que a obra se constitui pela visão de um \u201cdefunto autor\u201d.
A Palavra
O leitor, logo no início do texto, passa por um processo de \u201cdesautomatização\u201d, ou seja, deixa de ter uma compreensão automática do que lê, tendo em vista que se apresentou a ele uma proposta nova, diferente do que se havia estabelecido anteriormente para a elaboração de uma obra literária. O leitor estranha, de imediato, a \u201cDedicatória\u201d elaborada pelo autor: \u201cAo verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas\u201d.
Pioneirismo
Outro importante morfologista, Roman Jakobson, argumenta que a investigação literária não deve ter como objeto a Literatura, mas a literariedade, ou seja, a especificidade do objeto literário, o que privilegia o texto e não o seu autor.
É com essa proposta que os formalistas russos se contrapõem a outras correntes de pensamento que também se aplicavam ao estudo literário, como o determinismo e o positivismo.
Roman Jakobson (1896 \u2013 1982) \u2013 pioneiro da análise estrutural da linguagem, poesia e arte.
MANIFESTO da Literariedade
Jakobson elaborou um manifesto que esclarece o processo de literariedade:
A poesia é linguagem em sua função estética. Deste modo, o objeto do estudo literário não é a literatura, mas a literariedade, isto é, aquilo que torna determinada obra uma obra literária. E, no entanto, até hoje, os historiadores da literatura, o mais das vezes, assemelhavam-se à polícia que, desejando prender determinada pessoa, tivesse apanhado, por via das dúvidas, tudo e todos que estivessem num apartamento, e também os que passassem casualmente na rua naquele instante.
Tudo servia para os historiadores da literatura: os costumes, a psicologia, a política, a filosofia. Em lugar de um estudo da literatura, criava-se um conglomerado de disciplinas mal---acabadas. Parecia-se esquecer que estes elementos pertencem às ciências correspondentes: História da Filosofia, História da Cultura, Psicologia etc., e que estas últimas podiam, naturalmente, utilizar também os monumentos literários como documentos defeituosos e de segunda ordem. Se o estudo da literatura quer tornar-se uma ciência, ele deve reconhecer o 'processo' como seu único 'herói'.
EIKHENBAUM, Boris et alii. Teoria da literatura: formalistas russos. Trad. Ana Mariza Ribeiro. et alii. Porto Alegre: Globo, 1978.
\u201cAgora sabes que sou verme.
Agora, sei da tua luz.
Se não notei minha epiderme...
É... nunca estrela eu te supus.
Mas, se cantar pudesse um verme,
Eu cantaria a tua luz!
 
E eras assim... Por que não deste
Um raio, brando, ao teu viver?
Não te lembrava. Azul-celeste
O céu talvez não pôde ser...
Mas, ora! enfim, por que não deste
Somente um raio ao teu viver?
 
Olho, examino-me a epiderme
Olho e não vejo a tua luz!
Vamos que sou, talvez, um verme...
Estrela nunca eu te supus!
Olho, examino-me a epiderme...
Ceguei! ceguei da tua luz?\u201d
\u201cO Verme e a Estrela\u201d, poema do simbolista brasileiro Pedro Kilkerry (1885-1917).
Os conceitos literariedade (literaturnost) e estranhamento (ostranenie) são as marcas específicas da literatura: o dizer algo de outra maneira, que leva a uma compreensão distinta da obra de arte, aquilo que se torna incomum e se afasta do dizer cotidiano.
Para os formalistas, a poesia e suas metáforas não estabelecem uma \u201ceconomia da linguagem\u201d, como ocorre na comunicação verbal cotidiana. Isto cria um afastamento do objeto conhecido de sua função comum.  
A Perspectiva Formal da Análise Literária
A Poética
A \u201cpalavra poética\u201d é o objeto fundamental de estudos dos formalistas russos, e que melhor define a perspectiva da análise literária que os teóricos filiados ao Formalismo apresentam.
A Poesia
Na poesia, a palavra não tem como única função a mensagem denotativa (caráter do que tem dois aspectos radicalmente diferentes, até mesmo opostos), a qual remete a uma coisa específica; também não atende exclusivamente ao apelo da emoção.
A Estética
De acordo com a perspectiva formal de análise literária, é necessário que o leitor investigue a multiplicidade do signo (unidade linguística constituída pela união de um conceito, ou significado, e a imagem acústica, significante, gerada através de uma relação arbitrária), explorando todas as possibilidades de significação das palavras. Por esse motivo, a semântica é um instrumento de análise da estética da poesia.
Acompanhe agora a definição de \u201cpoética\u201d segundo os formalistas russos:
A Prosa
Chklovsky, Eichembaum e Todorov elaboraram análises formalistas de textos em prosa, considerando o conceito de \u201cprosa poética\u201d, pelo qual se entende que as propriedades da poesia podem ser utilizadas na narrativa.
O Autor
Também deve ser destacado o nome de Vladimir Propp, teórico estruturalista que analisou os componentes básicos dos contos populares russos, a fim de identificar os seus elementos indivisíveis, ou seja, Propp analisava os contos com o objetivo de encontrar o núcleo simples dos mesmos, comprovando a existência de uma estrutura comum em todos os contos, como a figura do herói, a sua luta e a superação das dificuldades.
A Obra
Sua obra Morfologia do Conto Maravilhoso, publicada em 1928, influenciou diversos autores como Todorov, Claude Lévi-Strauss e Haroldo de Campos.
Vladimir Propp (1895 \u2013 1970) - Autor do Livro Morfologia do Conto Maravilhoso.
AULA 5 \u2013 AS POÉTICAS CLÁSSICAS E A PERSPECTIVA ROMÂNTICA
O Método Formal \u2013 Análise de Poemas
O Simbolista
Recusa Poética