Trabalho Medicina Legal
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por três médicos que, separados do casal por um cortina, em aposento contíguo, confirmavam a realização ou não da conjunção carnal, em burlesca caricatura de perícia\u201d (CROCE, 2012).
Jozefran Freire afirma que práticas rudimentares e poucos conhecimento predominavam, o que demonstra \u201co esforço despendido por diversos autores na resolução de problemas que, embora originados no cotidiano, eram extremamente complexos, principalmente pelo parcos fundamentos científicos da época\u201d. 
No século XVI, em 1532 foi promulgada a Constitutio Criminalis Carolina pelo imperador alemão Carlos V, considerada o primeiro documento ordenado de Medicina Judiciária, que discorria exaustivamente acerca de temas médico-legais, tais como traumatologia, sexologia e psiquiatria forense, e também previa a obrigatoriedade da oitiva dos médicos antes da prolação das sentenças. Em decorrência dessa legislação criminalística, a Alemanha é considerada o berço da Medicina Legal. Um dos maiores avanços da norma foi permitir a realização do exame tanatoscópico em caso de morte violenta, o primeiro grande passo no sentido de tornar compulsória esta prática (GOMES, 1997). O corpo do Papa Leão X foi necropsiado por suspeita de morte de envenenamento. (FRANÇA, 2008). Hélio Gomes afirma que a Constitutio Criminalis Carolina \u201cabrigava o embrião da Medicina Legal como disciplina distinta e indivudualizada\u201d (1997, p. 10).
Na França, em 1757, surge o que pode ser considerado o primeiro livro ocidental de Medicina Legal, escrito pelo grande cirurgião do exército francês, Ambroise Paré. Na obra, o autor estuda as feridas por projéteis de arma de fogo, além de outros temas (GOMES, 1997).
Na França, depois de Ambroise Paré, são encontradas poucas obras de real valor até o fim do século XVIII. Entra as causas da decadência citam-se a multiplicidade de jurisdições, a necessidade de confissão dos réus, mesmo que obtida por torturas, a ausência de defensor em muitas causas, a inexperiência e incompetência dos peritos, além da venalidade e do segredo dos ofícios. A atuação pericial continuavam a cargo dos cirurgiões, já que os clínicos a abominavam. 
1.2 Evolução da Medicina Legal do Brasil
O início dos estudos médico-legais no Brasil começou muito mais tarde do que nos países europeus, apesar disto e felizmente, o movimento científico brasileiro, no que se refere à Medicina Legal, acha-se hoje em condições merecedores dos maiores elogios, face aos progressos realizados (GOMES, 1997).
Os primeiros registros de documentos médico-legais só aparecem ao findar o período colonial. Segundo Oscar Freire, a evolução da Medicina Legal do Brasil pode ser dividida em três fases: estrangeira, de transição e de nacionalização (GOMES, 1997). 
A fase estrangeira compreende o período entre o fim do período colonial até o ano de 1877, no qual Souza Lima assume a cátedra de Medicina Legal da faculdade medicina que pertence hoje à Universidade Federal do Rio de Janeiro. A primeira publicação desta fase data de 1814 e era um documento em que Gonçalves Gomide, médico e senador do Império, contestava um parecer dado por dois outros médicos em que afirmavam ser santa uma rapariga da comarca de Sabará, na capela de Nossa Senhora da Piedade da Serra (GOMES, 1997).
Em 1832 foi regulamentado o processo penal, estabelecendo-se regras para os exames de corpo de delito, criando-se assim, a perícia profissional. Além disso, as antigas escolas médico-cirúrgicas criadas por decreto de D. João VI em 1808, de medicina oficiais, sendo transformadas em faculdades de medicina oficiais, sendo criada a cadeira de Medicina Legal em ambas (GOMES, 1997).
Em 1835, Hércules Otávio Muzzi, cirurgião da família imperial brasileira, publica a \u201cAutópsia do Exmo. Sr Regente João Bráulio Moniz, feira segunda-feira, 21 de setembro de 1835. Era a primeira publicação de necropsia médico-legista no Brasil (GOMES, 1997).
A segunda fase começou em 1877, quando o ensino da Medicina Legal assume um caráter prático. Como os exames toxicológicos representavam um ônus não retribuído para a faculdade de medicina, prejudicando as atividades didáticas, Agostinho José de Sousa Lima, que acabara de assumir a cadeira de Medicina Legal, consegue ser nomeado, juntamente com o seu assistente Borges da Costa, consultante da polícia. Em 1879, recebeu, inclusive, autorização para dar um curso prático de tanatologia forense no necrotério oficial, fato memorável, já que a mesma facilidade só tinha sido conseguida por Brouardel, na França, no ano anterior (GOMES, 1997).
A terceira fase começou em 1895, com a posse de Raimundo Nina Rodrigues, como catedrático de Medicina Legal da faculdade de medicina da Bahia. Foi ele o maior professor de Medicina Legal brasileiro do século XIX. Sua obra avulta principalmente no campo da Psiquiatria Forense e da Antropologia Criminal (GOMES, 1997).
2 RAMOS DA MEDICINA LEGAL
A Medicina Legal se subdivide é vários ramos, dentre eles: identificação, tanatologia, traumatologia forense, asfixiologia, sexologia forense, pediatria forense, psiquiatria forense, genética forense.
2.1 Identidade e identificação
Segundo o professor Hélio Gomes (1997, p. 51) \u201cidentidade é a soma de carecteres que individualizam uma pessoa, distinguindo-as das demais\u201d. A identificação médico-legal é a que mais interessa ao médico-legista e vem a ser a que é determinada no vivo, no cadáver inteiro, reduzido a fragmentos ou a simples ossos, mediante processos médicos ou paramédicos, somente aplicáveis por peritos médicos. 
	Por meio da identificação médico-legal busca a identificação do vivo ou do morto, por meio de vários elementos. Além disso, nos cadáveres é possível determinar a raça, o sexo, a idade, altura, peso, conformação, sinais individuais, abrangendo as malformações e as cicratrizes, os sinais profissionais e as tatuagens (GOMES, 1997).
	A odontologia legal também é muito utilizada para a identificação cadavérica, pois em muitos casos o que se tem como objeto de análise é somente a arcada dentária do morto. 
	O estudo dos dentes permite determinar a idade certa ou aproximada, diferenciar dentes humanos dos de animais, identificar certas profissões e colaborar com dados úteis na identificação de raças (GOMES, 1997).
 2.2 Tanatologia
Em síntese, a Tanatologia é a parte da medicina legal que se ocupa não só da morte mas também dos problemas médico-legais com ela relacionados. A palavra tem origem grega: Tanathos - o deus da morte e Logia - ciência.
A Tanatologia Forense procura a identificação do cadáver, o mecanismo da morte, a causa da morte e o diagnóstico diferencial médico-legal (acidente, suicídio ou morte de causa natural).
Embora todas as pessoas morrerão um dia, o momento da morte pode ser antecipado por interferência de energias externas, independentes do ciclo vital do ser humano. Estas mortes causadas pela ação de energias externas são chamadas de violentas e podem ser provocadas por acidente, suicídio ou crime. 
O professor Hélio Gomes (1997, p. 103) ensina que \u201co diagnóstico diferencial das modalidades de causa jurídica apoia-se em dois pilares: boa investigação do local e necropsia conduzida com técnica apurada\u201d. 
2.3 Traumotologia Forense Geral
É a parte da Medicina Legal que se ocupada das implicações jurídicas dos traumatismos. É um ramo da Medicina Legal bastante extenso, pois abarca enorme gama de agentes vulnerantes, capazes de lesar o organismo ou de prejudicar de algum modo seu perfeito funcionamento (GOMES, 1997).
Considera-se trauma a atuação de uma energia externa sobre o indivíduo, de modo intenso e suficiente para provocar desvio da normalidade, com ou sem tradução morfológica. Isto quer dizer que um trauma pode ser insuficiente para causar lesão perceptível mas alterar de modo importante a função.
2.4 Sexologia Forense
A Sexologia Forense é a parte da Medicina Legal que estuda os problemas médico-legais ligados ao sexo. Constitui matéria de suma importância, ela nos ensina tudo o que devemos saber a respeito dos problemas sexuais, de modo