Trabalho Medicina Legal
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uma verdade formal, vez que as partes podem dispor de seus direitos, no Processo Penal, impera a busca pela verdade real, excepcionalmente atendo-se o Juiz à verdade formal, uma vez que os direitos contestados na lide penal são indisponíveis, buscando o Estado exercer o jus puniendi.
Enquanto a verdade real é aquela fiel aos acontecimentos, a verdade formal é aquela pautada em convenções, deduções, e até mesmo ficções, desde que os fatos versem sobre interesses disponíveis. Sendo estes interesses quase que exclusivamente os discutidos na esfera cível, ainda que não seja o Juiz um mero espectador afundado em inércia durante a produção de provas do feito.
No caso do processo penal, a verdade que se busca não é uma verdade absoluta mas apenas a verdade histórica, ou seja, aquela que guarda uma relação de correspondência entre os fatos que constituem o thema probandum e a ideia ou juízo que se faz a respeito da realidade de tais fatos (juízos verdadeiros).
Pode-se afirmar que a perícia é a materialização, em documento oficial, de verificação de coisas e fatos, traduzindo-se numa constatação juridicamente reconhecida. Consiste em exame, avaliação ou vistoria. É considerada uma prova crítica.
Apesar de não vincular o Juiz, respeitando o princípio do livre convencimento do Magistrado, o exame pericial deve ser pautado nas normas técnicas, científicas e jurídicas, para que bem sirva o seu objetivo de auxiliar a Justiça e esclarecer fatos obscuros para o julgador. Ainda, não se pode ignorar o conjunto de regras éticas que norteiam cada especialidade profissional.
A perícia médico-legal desempenha fundamental papel no auxílio processual não apenas penal, mas auxilia todos os ramos do Direito. O papel primordial da perícia é, de forma imparcial, verificar o fato e o que veio a lhe dar causa. Muito mais que satisfazer interesses particulares das partes, a perícia visa satisfazer os interesses da Justiça, se materializando este fato no auxílio da formação da convicção do douto julgador.
5 A LEI DO ATO MÉDICO E A DOCÊNCIA DA MEDICINA LEGAL
5.1 Lei do Ato Médico
O ato médico foi o nome dado ao Projeto de Lei do Senado Federal (PL) 268/2002 e ao Projeto de Lei (PL) 7703/2006, que preveem uma regulamentação do exercício da medicina no pass. Estes Projetos de Leis foram aprovados após tramitar no Congresso Nacional por volta de 11 anos, vindo a ser sancionado no dia 10 de julho de 2013, pela então Presidente Dilma Ruseff, o qual foram convertidos na Lei nº 12.842/13.
A Lei do Ato Médico surgiu para regular o exercício da atuação da profissão médica no país. O termo "Ato Médico" para Luís Graças compreende a "todo conjunto das atividades de diagnóstico, tratamento, encaminhamento de um paciente e prevenção de agravos ao mesmo, além de atividades como perícia e direção de equipes médicas".
Desta forma, a referida Lei veio para tipificar quais são os procedimentos que são exclusivos dos médicos, bem como criar mecanismos para os responsabiliza-los em casos de erro.
Essa lei provoca grandes avanços entre os profissionais de várias categorias da área da saúde, como enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogo, referente a atuação dos profissionais da medicina, por estabelecer uma série de limites nos atos praticados pelos médicos diplomados. Desta forma, outros profissionais poderão formular diagnóstico e respectiva prescrição terapêutica, indicar o uso de órteses e próteses e prescrever órteses e próteses oftalmológicas aos seus pacientes.
Assim, esta Lei traz expresso entre outros, atos privativos do médico: perícia e auditoria médicas, ensino de disciplinas especificamente médicas e coordenação dos cursos de graduação em Medicina, dos programas de residência médica e dos cursos de pós-graduação específicos para médicos. A direção administrativa de serviços de saúde, porém, pode ser exercida por outro profissional.
Desta forma, a Lei do Ato Médico veio para regular a atuação dos médicos perante outros campos da medicina, para que possa dar melhor atendimento a prestação dos serviços na área da saúde, bem como, a aplicação das sanções pertinentes em caso de inobservância das normas determinadas pelo Conselho Federal.
5.2 Docência da Medicina Legal
O que concerne a Medicina no campo jurídico, esta tem uma grande atuação com a disciplina da Medicina Legal, pois com o seu conhecimento técnico-científicos da Medicina é responsável de dar esclarecimento de inúmeros fatos de interesse da Justiça. Ou seja, auxilia a Justiça na elaboração, aplicação e interpretação das leis, coopera para o cumprimento e execução das já existentes e interpreta dispositivos legais de relevância médica. 
Desta Forma, a respeito a Docência da Medicina Legal o artigo 5º inc. III, da Lei nº 12.842/13 dispõem que:
Art. 5º São privativos de médico:
[...]
III - ensino de disciplinas especificamente médicas.
Posto isto, compreende-se que a função de ministrar disciplinas relacionada a conteúdos médicos, a Lei 12.842/13 deixa claro que é privativo ao médico diplomado, tendo em vista que medicina legal é uma especialidade médica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira e Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Educação.
Da mesma forma, a Resolução CFM nº 1627/2001, expressa em seu artigo 3º que: \u201cAs atividades de coordenação, direção, chefia, perícia, auditoria, supervisão e ensino dos procedimentos médicos privativos incluem-se entre os atos médicos e devem ser exercidos unicamente por médico\u201d.
Portanto, pelo exposto, entendesse a Medicina Legal é uma disciplina essencial para o estudante de Direito bem como é primordial a Justiça. Em relação ao exercício da Medicina Legal é prerrogativa e privativa da classe médica. A função de ensinar esta matéria, cabe ao médico, pois este está vinculado a um Código de Ética.
6 A IMPORTÂNCIA DA MEDICINA LEGAL NO DESLINDE DE QUESTÕES CRIMINAIS E DE DIREITO PRIVADO
A Medicina Legal serve mais ao Direito, visando defender os interesses dos homens e da sociedade, do que à medicina. A designação legal emprestada a essa ciência indica que ela se serve no cumprimento de sua nobre missão, também das ciências jurídicas e sociais, com as quais guarda, portanto íntimas relações. 
É a medicina e o Direito completando-se mutuamente, em engalfinhamentos. Ao Direito Civil empresta sua colaboração no que concerne as questões relativas a paternidades, impedimentos matrimoniais, erro essencial, limitadores e modificadores da capacidade civil, prenhes, personalidade civil e direitos do nascituro, comoriência etc. Ao Direito penal, aqui me refiro as questões criminais, a Medicina Legal contribui no que diz respeito a lesões corporais, sexualidade criminosa, aborto legal e ilícito, infanticídio, homicídio, emoção e paixão, embriaguez etc.
O Direito moderno não pode deixar de aceitar a contribuição cada vez mais íntima da ciência. O operador jurídico não deve desprezar o conhecimento dos técnicos, pois só assim é possível a aproximação da verdade que se quer apurar seja ela no âmbito criminal ou privado. Sendo assim, não é nenhum exagero afirmar que é inconcebível uma boa justiça sem a contribuição da medicina legal, cristalizando-se a ideia de que a justiça não se limita aos conhecimentos das leis, da doutrina e da jurisprudência. 
Ademais, é preciso saber distinguir o certo do duvidoso, explicar clara e precisamente os fatos para uma conclusão acertada, não omitindo detalhes, sendo essa a importância transcendente da ciência em comento.
Para o juiz, é indispensável o seu estudo, a fim de que possa apreciar melhor a verdade num critério exato, analisando os informes periciais e adquirindo uma consciência dos fatos que constitui o problema jurídico.
Talvez seja essa a mais fundamental missão da perícia médico-legal: Orientar, iluminar a consciência do magistrado. Muitas vezes, a liberdade, a honra e a vida de um indivíduo estão subordinados ao esclarecimento de um fato médico-legal que se oferece sob os mais diversos aspectos.
De modo geral, a medicina