Nutricao mineral de plantas
186 pág.

Nutricao mineral de plantas


DisciplinaFertilidade, Nutrição e Adubação50 materiais208 seguidores
Pré-visualização46 páginas
a adubação foliar teria a 
finalidade de garantir a produção pendente em períodos de estresse nutricional. Os 
resultados neste caso também têm sido bastante contraditórios, faltando maiores 
informações sobre a sua viabilidade técnica e econômica. 
Assim, o consenso sobre a adubação foliar como um método de fornecimento de 
nutrientes às plantas na prática agrícola, pode ser resumido do seguinte modo: 
\uf0a7 macronutrientes \u2013 para as culturas extensivas, a adubação foliar seria um 
complemento (e não substituto) da adubação feita no solo, principalmente 
para N, P e K. A foliar teria seu lugar na correção de deficiências eventuais, 
como cobertura de N e K e quando a foliar for o único recurso. Em culturas de 
alto rendimento e ciclo curto, como a floricultura, admite-se o fornecimento 
dos macronutrientes totalmente via foliar, como substituto da radicular. 
\uf0a7 micronutrientes \u2013 devido às menores exigências, as necessidades das 
plantas são supridas em poucas pulverizações. Assim, esta prática é bastante 
utilizada em plantas perenes, sendo neste caso, substitutiva à adubação no 
solo. 
 
Cálcio e Boro \u2013 ambos não são redistribuídos na planta, portanto, exigem um 
suprimento constante, que é feito eficientemente via solo. Sendo imóvel no floema, a 
aplicação foliar apresenta pequena eficiência, visto que a translocação da folha para 
outros órgãos é praticamente nula. Assim, recomenda-se suas aplicações via solo e a 
Absorção, Transporte e Redistribuição 
 
65 
foliar seria apenas como corretiva ou preventiva, especialmente em culturas como o 
tomateiro e macieira. Neste caso, as pulverizações tem por objetivo atingir diretamente os 
frutos. 
Prática da Adubação Foliar 
 
Os produtos usados na adubação foliar podem ser simples (contém apenas um 
elemento principal, macro ou micronutriente) ou produtos mistos (contém dois ou mais 
nutrientes, que podem ser macro ou micro). Podem ser encontrados no comércio no 
estado sólido ou líquido, que são dissolvidos ou diluídos em água, preparando-se a 
solução na concentração desejada. 
A concentração dos macronutrientes (N + P2O5 + K2O) varia entre 25 a 32% para os 
líquidos e 45 a 60% para os sólidos. Existe no mercado uma variedade muito grande de 
fórmulas NPK e de micronutrientes, separados em coquetéis. Como exemplo, em 
seguida uma mostra das disponibilidades (FERNANDES, 1987).: 
14 \u2013 04 \u2013 07 + 0,2% Mg 
15 \u2013 05 \u2013 10 
07 \u2013 14 \u2013 07 
05 \u2013 15 \u2013 05 
10 \u2013 30 \u2013 00 
10 \u2013 30 \u2013 00 
30 \u2013 00 \u2013 00 + Zn e B 
Ca a 6% 
Ca a 10% + 0,5% B 
Zn a 7% 
Zn a 7% + 0,5% B 
Mg a 4% + 4% S 
Ca a 1,5% + 3,0% Mo 
Mo a 4% 
Mo a 6% 
Mn a 5% 
Café (N-10%, Zn-4%, Mg-1,5%, B-0,5%, Fe-0,5%, S-2%) 
Citrus (N-10%, Zn-3%, Mn-2%, B-0,4%, Fe-0,5%, Mg-1%) 
 
As principais fontes de NPK utilizadas como matéria-prima para a produção de 
adubos foliares pelas indústrias são: 
EDITORA - UFLA/FAEPE - Nutrição Mineral de Plantas 
 
66 
Uréia 
Amônia anidra ou hidróxido de amônio 
Nitrato de amônio 
Ácido fosfórico purificado (MAP) 
Fosfato monoamônio purificado (MAP) 
Hidróxido de potássio purificado 
Cloreto de potássio purificado 
Sulfato de potássio purificado 
 
Para os macronutrientes secundários e micronutrientes as fontes utilizadas são 
cloretos, sulfatos e óxidos. Os cátions geralmente são quelatizados. Os agentes quelantes 
mais utilizados são o EDTA (ácido etileno diamino tetracético) ácido cítrico, ácido tartárico 
e ácido oxálico. Na produção de fórmulas NPK + micronutrientes, o coquetel de micros 
quelatizados é preparado separadamente e somente após são misturados. 
De maneira geral, as concentrações de micronutrientes contidas nas formulações 
NPK são muito baixas e insuficientes para corrigir deficiências. Há produtos contendo 
maiores concentrações que deverão ser utilizados, como aqueles listados anteriormente. 
As formulações de macronutrientes em geral são diluídas antes do uso para dar 
concentrações da ordem de 0,5 a 3% (peso/volume ou volume/volume) quando 
empregados a alto volume; a baixo volume as concentrações podem ser aumentadas sem 
risco de queima. 
A Tabela 2.18. apresenta algumas recomendações para a correção de deficiências 
por via foliar, empregando-se produtos simples. 
Como há uma tendência de se aplicar mais de um nutriente de uma só vez, bem 
como destes com defensivos, existe a necessidade de os adubos e os defensivos da 
mistura serem compatíveis uns com os outros, tanto do ponto de vista físico ou químico, 
quanto com respeito à nutrição das plantas. Não deve haver precipitação (insolubilização) 
ou perda por volatilidazação, como também a presença de um elemento na solução não 
deve impedir a absorção de outro a ponto de tornar ineficiente a aplicação. Tais questões 
devem estar presente na tecnologia de fabricação e na mente de quem vai usar o 
produto. Algumas citações são encontradas na literatura sobre este fato: 
O sulfato de zinco não deve ser misturado com emulsão de óleos minerais. Neste 
caso, pode-se empregar o óxido de zinco que é compatível com as emulsões; 
O sulfato de zinco, a calda sulfocálcica e outros compostos que têm reação alcalina 
não devem ser misturados com reguladores de crescimento; 
O bórax e o sulfato de zinco são incompatíveis, devendo se utilizar o ácido bórico 
neste caso; 
O ácido bórico é compatível com o óxido de zinco, uréia, DDT, paration e malation. 
Absorção, Transporte e Redistribuição 
 
67 
TABELA 2.18 Recomendações para a correção de deficiências por via foliar 
Deficiência Formação de Concentração 
de Cultura Aplicação Kg/100 litros
(1)
 
Nitrogênio Abacaxi Uréia 3-12 
 Algodão 1,0-1,5 
 Batatinha 2,0-2,5 
 Cafeeiro 2,5 
 Cana-de-açúcar 
 Banana, manga, chá 1,25-3,0 
 Macieira, videira 0,50-0,75 
 Tomateiro 2,0-2,5 
Fósforo Cafeeiro Super simples 1 
 Cana-de-açúcar Fosfato de amônio ou 
 De potássio 0,5-2,0 
Potássio Cafeeiro Cloreto, sulfato, 
 Nitrato 0,5 
 Citrus Sulfato 0,6-1,2 
 Nitrato 0,3-1,2 
Cálcio Aipo Cloreto 1,8-2,4 
 Tomateiro (podridão 
estilar) 
 0,6-2,4 
Magnésio Aipo, citrus, macieira, 
 Tomateiro, cafeeiro Sulfato de Mg 1-2 
Boro Aipo, alfafa, beterraba, Borax ou outros 
 Crucíferas, frutíferas, 
cafeeiro 
Boratos solúveis, 0,1-0,3 
 Ácido bórico 0,3-0,5 
Cobre Hortaliças, frutíferas Oxicloretos, e 
 Cafeeiro Sulfato de cobre + cal 0,2-0,5 
Ferro Abacaxi, sorgo Sulfato de Fe 0,6-2,0 
Manganês Aipo, citrus, feijões, 
 Soja, tomateiro Sulfato de Mn 0,4-0,8 
Molibdênio Citrus (\u201cMancha amarela\u201d), Molibdato de sódio 
 Couve flor, repolho Ou de amônio 0,05-0,10 
Zinco Plantas anuais Sulfato de Zn 0,25-0,40 
 Plantas perenes Sulfato de Zn 0,60-1,00 
 
(1) O primeiro número se refere a aplicações a alto volume. 
Fonte: MALAVOLTA (1981). 
 
Quanto à época de aplicação, como regra geral, a adubação foliar é feita nos 
períodos de maior exigência da cultura. Tal período ou períodos podem, às vezes, se 
traduzir pelas épocas em que começam a aparecer os sintomas de deficiência. Mas, nem 
EDITORA - UFLA/FAEPE - Nutrição Mineral de Plantas 
 
68 
sempre a regra é obedecida, citando-se como exemplos a adubação foliar nitrogenada em 
mudas de cafeeiro em viveiro; B e Mo em mudas nas sementeiras de hortaliças e o 
aproveitamento de operações, juntando-se defensivos com adubos foliares com o objetivo 
de controlar enfermidades ou pragas e alimentar a planta em uma única operação. 
Alguns fatores discutidos em Fatores Externos, que afetam a absorção foliar devem 
ser aqui relembrados. A aplicação da solução deve ser feita nas horas menos quentes do 
dia, pela manhã ou a tarde. Porém, se a umidade do ar e do solo