Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


DisciplinaFertilidade, Nutrição e Adubação49 materiais208 seguidores
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transportados via xilema para a parte aérea da planta, 
onde entrarão no metabolismo normal do nitrogênio. 
\uf0b7 Nitrogênio na planta 
Os tecidos vegetais apresentam, de maneira geral, teores de N que variam de 2 a 
5% da matéria seca: com poucas exceções às culturas é também o mineral mais exigido 
pelas plantas (Tabela 3.1.). 
Absorção, transporte e redistribuição \u2013 esses termos já foram definidos no Capítulo 
2 deste volume, Com relação ao N, as plantas são capazes de absorvê-lo do meio em 
diferentes formas: N2 \u2013 caso das leguminosas pela FBN; uréia e na forma mineral como 
NH4
+ e NO3
- , sendo esta última predominante em condições naturais, devido ao processo 
de nitrificação. Ambas as formas minerais são rapidamente absorvidas pelas raízes das 
plantas (ver Capítulo 2) e a maior absorção de uma forma em relação a outra é 
acompanhada por variações no pH do meio, como mostra a Figura 3.4. Para a 
manutenção da neutralidade elétrica interna no citoplasma, com a absorção do NH4 há a 
extrusão de um próton (H+) para o meio; da mesma maneira para o NO3
- com o OH- ou 
HCO-3; o que promove o abaixamento ou elevação do pH do meio, respectivamente. Além 
do processo de nitrificação, este é um fator adicional de acidificação do solo quando se 
aduba plantas com fertilizantes amoniacais. 
O pH do meio afeta a absorção do N da seguinte maneira: o pH ácido inibe a 
absorção do NH4+ e favorece a do NO3
- em pH neutro/alcalino o contrário é observado. 
Possivelmente, devido a efeitos competitivos do H+ e OH- no processo de absorção do 
NH4
+ e do NO3
-, respectivamente. 
O N absorvido pelas raízes é transportado para a parte aérea da planta através dos 
vasos do xilema, via corrente transpiratória. A forma pala qual o N é transportado, 
depende da forma em que foi absorvido, assimilado (incorporado a compostos orgânicos) 
nos tecidos das raízes e transportado como aminoácidos. O N-NO3
- pode ser transportado 
como tal para a parte aérea, mas isto depende do potencial de redução do nitrato das 
raízes ( ver a frente). Portanto, N-NO3
- e aminoácidos são as principais formas de 
transporte de N no xilema de plantas superiores. Nas plantas fixadoras de N2, como já 
referido, o transporte do N fixado é feito em compostos como a glutamina, uréidos e 
asparagina. 
O N é facilmente redistribuído nas plantas via floema, na forma de aminoácidos. 
Quando o suprimento de N pelo meio é insuficiente, o N das folhas velhas é mobilizado 
para os órgãos e folhas mais novas. Conseqüentemente, plantas deficientes em N 
mostram os sintomas primeiramente nas folhas velhas. A proteólise das proteínas nesta 
condições e a redistribuição dos aminoácidos, resultam no colapso dos cloroplastos e 
assim ocorre um decréscimo no conteúdo de clorofila. Por esta razão, o amarelecimento 
das folhas velhas é o primeiro sintoma de uma inadequada nutrição da planta em 
nitrogênio. 
Exigências Nutricionais e Funções dos Nutrientes 
 
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FIGURA 3.4 Variação de pH na solução nutritiva durante o cultivo de feijão em 
diferentes proporções de amônio; nitrato. A linha tracejada 
representa a correção do pH para o valor original (+ou- 6,0) 
(GUAZZELI, 1988). 
 
Funções do nitrogênio \u2013 Cerca de 90% do N da planta encontra-se em forma 
orgânica e é assim que desempenha as suas funções, como componente estrutural de 
macromoléculas e constituinte de enzimas. Os \u201caminoácidos livres\u201d dão origem: a outros 
aminoácidos e às proteínas e, por conseqüência, às coenzimas; são percursores de 
hormônios vegetais \u2013 triptofano do AIA e metionina do etilemo; núcleos porfirínicos \u2013 
clorofila e citocromos; reserva de N nas sementes \u2013 asparagina, arginina; às \u201cbases 
nitrogenadas\u201d (púricas e pirimídicas), aos nucleosídeos; nucleosídeos e por polimerização 
destes ácidos nucléicos \u2013 DNA e RNA;ATP; coenzimas como o NAD (dinucleotídeo de 
nicotinamida e adenina) e o NADP (dinucleotídeo de nicotinamida adenina e fosfato). 
Nos compostos orgânicos o N aparece na forma reduzida (-3), o que corresponde ao 
NH3. Como é absorvido predominantemente como N- NO3 (+ 5), oxidado, quer dizer que 
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houve uma redução antes da assimilação (incorporação a compostos orgânicos). 
NO e H3 8 8
\uf02d \uf02d \uf02b\uf02b \uf02b
 \uf0be\uf0be\uf0ae
NH H O OH3 22\uf02b \uf02b
\uf02d
 
 
Trata-se da chamda redução assimilatória do nitrato. 
A redução do nitrato ocorre basicamente em dois estágios: no primeiro há redução 
do NO3 para NO2 (nitrito) e no segundo há redução do NO2 para NH3 . Geralmente é 
aceito o esquema da Figura 3.5 para ilustrar a redução do nitrato nos tecidos das plantas. 
Duas enzimas são envolvidas no processo, a redutase do nitrato (RNO3
-) e redutase do 
nitrito (RNO2
-). A RNO3
- catalisa a primeira reação ( NO3
-\uf0aeNO2
-), a qual ocorre nos 
cloroplastos e é catalisada pela RNO2
-. Ambas enzimas funcionam em séries e a despeito 
da separação espacial não ocorre acúmulos apreciáveis de NO2
-, possivelmente devido a 
RNO2
- estar presente em níveis bem superiores aos de RNO3
- . 
 
FIGURA 3.5 Esquema da redução do nitrato e do nitrito 
(MENGEL & KIRKIBY,1987). 
 
A RNO3
- apresenta as seguintes características: é uma flavoproteína (FAD = 
dinucleotídeo de flavina e adenina); contém Fe e Mo; é uma enzima adaptativa e a 
atividade é induzida pelo NO3
- e Mo. A enzima apresenta três grupos prostéticos, FAD, 
citocromo e Mo, os quais funcionam em série como mostra a Figura 3.6. A enzima 
localiza-se no citoplasma e requer o NADH ou NADPH como doador de elétrons. Admite-
Exigências Nutricionais e Funções dos Nutrientes 
 
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se, como mostra a Figura 3.6., que os elétrons são transferidos diretamente do Mo para o 
NO3
-. Baixos níveis de RNO3
- nas plantas são observados sob condições de baixas 
concentrações de RO3
- e deficiência de Mo. A Tabela 3.3 mostra que em plantas 
deficientes em Mo, a atividade da RNO3
 é baixa e que a incubação de segmentos de 
folhas da planta em solução com Mo, aumenta marcantemente a atividade em curto 
espaço de tempo. Destes resultados dois aspectos podem ser destacados: o primeiro é 
que a diferença da atividade da RNO3
- em plantas deficientes e não em Mo pode ser 
utilizada para avaliação do estado nutricional da planta nos micronutrientes; o segundo é 
que em plantas deficientes em Mo há acúmulo de NO3
-. O acúmulo de nitrato em plantas 
alimentícias (hortaliças) e forrageiras é indesejável, pois quando ingerido o nitrato pode 
ser reduzido a nitrito (NO3
-), entrar na corrente sangüínea e causar a 
metahemoglobinemia (forma estável da hemoglobina que perde sua função carregadora 
de O2 para a respiração) ou resultar na formação de nitrosaminas, as quais são 
cancerígenas e mutagênicas 
O local de redução do NO3
- difere entre espécies de plantas. Em tomate, por 
exemplo, de 80-90% do N na seiva do xilema aparece como N-NO3
-, indicando que a 
grande parte do nitrato absorvido é reduzido nas partes verdes da planta. Mas, outras 
espécies são capazes de reduzir o NO3
- tanto nas folhas quanto nas raízes. De acordo 
com Pate (1971) citado por MENGEL & KIRKBY (1987) a proporção de NO3
- reduzido 
nas raízes decrescentes na seguinte seqüência: Cebola > Milho > Girassol > Cevada > 
rabanete. Em folhas de árvores e arbustos, pouco ou nenhum NO3
- é encontrado, 
indicando que a redução ocorre nas raízes. 
 
FIGURA 3.6 Grupos prostéticos da RNO-3 e a seqüência de reações 
 (Guerrero et. Al. 1981, em MENGEL & KIRBY, 1987). 
 
 
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TABELA 3.3 Efeito do pré-tratamento com molibdênio sobre a atividade da 
Redutase do Nitrato em segmentos de folha de trigo 
Solução