Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


DisciplinaFertilidade, Nutrição e Adubação50 materiais208 seguidores
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plantas: 
ar \u2013 C (como CO2) 
água \u2013 H e O 
solo \u2013 os demais = elementos minerais, aqui simbolizados como M. 
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Do ponto de vista quantitativo, o solo é o meio menos importante no fornecimento 
de elementos às plantas; entretanto, é o mais facilmente modificável (torná-lo produtivo) 
pelo homem, tanto no aspecto físico (aração, gradagem, drenagem) quanto no químico 
(calagem e adubação). E a calagem e a adubação são a maneira mais rápida, mais 
barata e maior de que se dispõe para aumentar a produção de alimentos, fibras e 
energia. Como o homem come planta ou planta transformada e a planta tem que se 
alimentar, somente alimentando a planta adequadamente é possível alimentar o homem 
e ainda fornecer-lhe energia alternativa e a vestimenta que necessita. E isto justifica por 
que estudar Nutrição Mineral de Plantas. 
Portanto, o estudo da Nutrição Mineral de Plantas tem muita relação com o da 
Fertilidade do Solo e com o da Fertilidade do Solo com o de Adubos e Adubação. 
1.2 SISTEMA SOLO-PLANTA 
Como visto, o solo é o meio que atua como reservatório de minerais necessários 
às plantas. O esquema abaixo é uma visão geral de compartimentos e vias de 
comunicação ou de transferência de um elemento (M), geralmente um nutriente de 
planta. O sistema é aberto em que os M são constantemente removidos de um lado, a 
uma fase sólida (reservatório) e acumulados no outro, a planta: 
 
 M (adubo) 
\uf0af 
M (fase sólida) \uf0ae M (solução)\uf0ae M (raiz)\uf0ae M (parte aérea) 
 
FASE SÓLIDA = RESERVATÓRIO 
= matéria orgânica + fração mineral 
Solução = compartimento para a absorção radicular 
 
Reações de transferência: 
 
fase sólida \uf0be\uf0be\uf0be\uf0ae solução = disponibilidade 
 dessorção 
 mineralização da matéria orgânica 
 
solução \uf0be\uf0be\uf0be\uf0ae fase sólida = adsorção 
 fixação 
 imobilização 
 
solução \uf0be\uf0be\uf0be\uf0ae raiz = absorção 
raiz \uf0be\uf0be\uf0be\uf0ae solução = troca, excreção, vazamento 
raiz \uf0be\uf0be\uf0be\uf0ae parte aérea = transporte a longa distância 
parte aérea \uf0be\uf0be\uf0be\uf0ae raiz = redistribuição 
Introdução 
 
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A solução do solo é o compartimento de onde a raiz retira ou absorve os 
elementos essenciais. Quando a fase sólida (matéria orgânica + minerais) não 
consegue transferir para a solução do solo quantidades adequadas de um nutriente 
qualquer (M), é necessária sua aplicação mediante o emprego do fertilizante, M 
(adubo), que contém o elemento em falta. Isto significa que a prática da adubação, 
consiste em cobrir a diferença entre a quantidade do nutriente exigida pela planta e o 
fornecimento pelo solo, multiplicado por um fator K, cujo valor numérico é sempre maior 
que 1, para compensar as perdas do adubo. 
1.3 OS ELEMENTOS ESSENCIAIS 
Somente a análise química da planta não é suficiente para o estabelecimento da 
essencialidade de um elemento. As plantas absorvem do solo, sem muita 
discriminação, os elementos essenciais, os benéficos e os tóxicos, podendo estes 
últimos, inclusive, levá-las à morte. \u201dTodos os elementos essenciais devem estar 
presentes nos tecidos das plantas, mas nem todos os elementos presentes são 
essenciais\u201d. Segundo MALAVOLTA, 1980 (citando Arnon e Stout, 1939 e Ingen-Housz, 
século XIX), um elemento é considerado essencial quando satisfaz dois critérios de 
essencialidade: 
 
\uf0a7 Direto - o elemento participa de algum composto ou de alguma reação, sem 
o qual ou sem a qual a planta não vive; 
\uf0a7 Indireto - trata-se basicamente de um guia metodológico: 
\uf02d na ausência do elemento a planta não completa seu ciclo de vida; 
\uf02d o elemento não pode ser substituído por nenhum outro; 
\uf02d o elemento deve ter um efeito direto na vida da planta e não exercer 
apenas o papel de, com sua presença no meio, neutralizar efeitos 
físicos, químicos ou biológicos desfavoráveis para a planta. 
A Tabela 1.2, apresenta cronologicamente um breve histórico da descoberta e 
demonstração da essencialidade dos elementos. Além do C, O e H (orgânicos), treze 
elementos (minerais) são considerados essenciais para o desenvolvimento das plantas, 
sendo estes divididos por aspectos puramente quantitativos em dois grupos: 
 
\uf0b7 Macronutrientes: N, P, K, Ca, Mg e S 
\uf0b7 Micronutrientes: B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo e Zn 
 
Alguns elementos podem afetar o crescimento e desenvolvimento das plantas, 
embora não se tenha determinado condições para caracterizá-los como essenciais. 
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MARSCHNER (1986) inclui nesta categoria o sódio, silício, cobalto, níquel, selênio e 
alumínio. O Co é essencial para a fixação biológica do N2 em sistemas livres e 
simbióticos (MARSCHNER,1986) e a essencialidade do Si (TAKAHASHI & 
MIYAKE,1977) e do Ni (BROWN et al.,1987) tem sido proposta. 
 
TABELA 1.2 Descoberta e demonstração da essencialidade dos elementos 
Elemento Descobridor Ano 
Demonstração da 
Essencialidade 
Ano 
C Xx Xx De Saussure 1804 
H Cavendish 1766 De Saussure 1804 
O Priestley 1774 De Saussure 1804 
N Rutherford 1772 De Sassure 1804 
P Brand 1772 Ville 1860 
S Xx Xx Von Sachs, knop 1865 
K Davy 1807 Von Sachs, knop 1860 
Ca Dany 1807 Von Sachs, knop 1860 
Mg Dany 1808 Von Sachs, knop 1860 
Fe Xx Xx Von Sachs,knop 1860 
Mn Scheele 1744 McHargue 1922 
Cu Xx Xx Sommer 1931 
 Lipman & Mac Kinnon 1931 
Zn Xx Xx Sommer & Lipman 1926 
Mo Hzelm 1782 Arnon & Stout 1939 
B Gay Lussac & Thenard 1808 Sommer & Lipman 1926 
Cl Schell 1774 Broyer et al 1954 
FONTE: GLASS (1989), EM BATAGLIA ET AL.,(1992). 
 
Os macronutrientes têm, em geral, seus teores expressos em percentagem (%) e 
os micronutrientes em partes por milhão (ppm), todos na forma elementar. A única 
distinção na classificação entre macro e micronutrientes é a concentração exigida pelas 
plantas. Os macronutrientes ocorrem em concentrações de 10 a 5.000 vezes superior à 
dos micronutrientes. EPSTEIN (1975) apresentou as concentrações médias dos 
nutrientes minerais na matéria seca, suficientes para um adequado desenvolvimento 
das plantas (tabela 1.3); embora deve-se ter presente, porém, que muita variação existe 
dependendo da planta e do órgão analisado. 
 
 
 
 
Introdução 
 
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TABELA 1.3 Concentração média dos nutrientes minerais na matéria seca 
suficientes para um adequado desenvolvimento das plantas 
Elementos Concentração na matéria seca Número relativo de átomos 
 µ moles/g Ppm 
Mo 0,001 0,1 1 
Cu 0,10 6 100 
Zn 0,30 20 300 
Mn 1,0 50 1000 
Fé 2,0 100 2000 
B 2,0 20 2000 
Cl 3,0 100 3000 
 % 
S 30 0,1 30000 
P 60 0,2 60000 
Mg 80 0,2 80000 
Ca 126 0,5 125000 
K 250 1,0 250000 
N 1000 1,5 1000000 
Fonte:EPSTEIN (1975). 
 
Segundo MALAVOLTA (1980), às vezes os micronutrientes são referidos como 
\u201coligoelementos\u201d, \u201celementos traços\u201d, \u201celementos menores\u201d, ou \u201cmicroelementos\u201d; tais 
expressões não devem ser utilizadas pelos seguintes motivos: oligo quer dizer \u201craro\u201d e 
os micronutrientes são comuns a todas as planta superiores: embora ocorram em 
pequena proporção, o resultado pode ser quantificado \u2013 os teores estão acima do que 
se considere como traços; não são \u201cmenores\u201d nas suas funções pois o crescimento e a 
produção poderão ser limitados (diminuídos ou impedidos) tanto pela falta de Mo como 
pela de N; \u201cmicroelemento\u201d é qualquer elemento, nutriente ou não, que apareça em 
proporção considerada como muito pequena. Do mesmo modo \u201cmacroelemento\u201d não é 
sinônimo de macronutriente: o arroz e a cana-de-açúcar contêm altas