Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


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que a absorção de fosfato dá-se contra 
um alto gradiente de concentração, portanto, absorvido ativamente. O Mg2+ apresenta um 
efeito sinergístico na absorção de P. As micorrizas, aumentando a superfície absorvente e 
o volume de solo explorado pelo sistema radicular das plantas \u2013 lembrando que o fósforo 
se move no solo por difusão \u2013 promove maior absorção do H2PO4
- (ver 2.1.6. h, Figura 
2.20). 
O fosfato absorvido pelas células é rapidamente envolvido em processos 
metabólicos; 10 minutos após a absorção do fosfato pela cevada, 80% do total absorvido 
foi incorporado a compostos orgânicos, basicamente formado por hexose-fosfato e uridina 
difosfato (MENGEL & KIRKBY, 1987). 
O transporte no xilema ocorre principalmente na forma tal como foi absorvido 
(H2PO4
-), podendo ainda aparecer na seiva do xilema como fosforil colina ou esteres de 
carboidrato. 
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O fosfato é bastante móvel na planta sendo redistribuído com facilidade pelo floema, 
na forma de fosforil colina. Dados recentes mostram que P inorgânico (Pi) é presente 
também no floema em substancial concentração. Quando as plantas estão 
adequadamente nutridas em P, de 85% a 95% do P inorgânico total da planta está 
localizado nos vacúolos. Ocorrendo redução no suprimento de P para as plantas, este Pi 
sai do vacúolo e é redistribuído para os órgãos novos em crescimento. Dada a fácil 
redistribuição do fósforo na planta, os sintomas de deficiência manifestam-se inicialmente 
nas folhas mais velhas. 
Formas de fósforo e funções na planta \u2013 O fósforo aparece nas plantas nas formas 
inorgânicas e orgânicas. Na forma inorgânica (Pi), aparece como ortofosfato e em menor 
quantidade como pirofosfato (P-P), e representam uma proporção relativamente alta em 
relação ao P total no tecido. É o que mostra a Tabela 3.4., sendo que nas folhas a 
proporção de Pi para o P orgânico é maior que nos grãos e dependente do estado 
nutricional da planta em fósforo. Em plantas com suprimento inadequado, os valores de Pi 
são diminuídos enquanto que os de P orgânico permanecem praticamente inalterados. A 
fitina é um composto de reserva de P em sementes, como será visto adiante. 
TABELA 3.4 Conteúdo de várias formas de fósforo em grãos de aveia e folhas de 
espinafre 
Suprimento Ácidos 
De P Fosfolipídeo Nucléicos Fitina P-inorgânico 
 ---------------------------------------- P em %0 ------------------------------------- 
 --------------------------------- Grãos de aveia ---------------------------------- 
Inadequado 0,22 2,1 0,05 0,5 
Adequado 0,22 2,4 0,5 1,3 
 ------------------------------ Folhas de 
espinafre 
-------------------------------- 
Inadequado 1,1 0,9 - 2,2 
Adequado 1,1 0,9 - 18,0 
Fonte: Michael (1939), em MNGEL & KIRKBY (1987). 
 
O \u201cpool\u201d de Pi \u2013 o vacúolo é o compartimento de acúmulo \u2013 apresenta importante 
função no metabolismo da planta, principalmente no controle da atividade enzimática. A 
concentração de Pi no citoplasma é da ordem de 5 a 6 mM. Baixas concentrações 
citoplasmáticas reduzem o crescimento da planta e em concentrações de 0,3 mM ou 
menores, o crescimento é completamente inibido (MENGEL & KIRKBY, 1987). O Pi no 
citoplasma tem uma função regulatória da atividade de várias enzimas, por exemplo, a 
fosfofrutoquinase, enzima chave no fluxo de substrato na via glicolítica. Assim, um 
aumento na troca do Pi do vacúolo pode intensificar a respiração correlacionada com o 
amadurecimento de frutos. O atraso na maturação de frutos de tomate de plantas 
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deficientes em P pode estar relacionada a esta função do Pi. A concentração de Pi nos 
cloroplastos e no mitocôndria é também alta, na ordem de 10 mM (BIELESKI & 
FERGUSON, 1983). A enzima chave para a síntese de amido nos cloroplastos e 
amiloplastos, ADP-glucose pirofosforilase, é alostericamente inibida pelo Pi e estimulada 
por triosefosfato. A relação Pi/triosefosfato é que determina a taxa de síntese de amido 
nos cloroplastos. A concentração de Pi e triosefosfato nos cloroplastos é controlada por 
um \u201ctransportador de fosfato\u201d, carregador específico localizado nas membranas da 
organela, que promove a troca Pi \uf0be\uf0ae triose fosfato, entre o estroma e o citoplasma. 
Assim, a inibição da síntese de amido pela alta concentração de Pi nos cloroplastos é 
resultado também da diminuição da concentração de substrato (triosefosfato = 
giceraldedido-3-fosfato e dihidroxicetona fosfato), que serve tanto para a estimulação da 
enzima quanto de substrato para a síntese de amido. 
As formas orgânicas de fósforo na planta são compostos nos quais o ortofosfato é 
esterificado a hidroxilas de açúcares e álcoois, ou pirofosfato ligado a outro grupo fosfato. 
Um exemplo típico de ligação éster é a frutose \u20136-fosfato: 
 
 
Mais de 50 compostos formados da esterificação de fosfato com açúcares e álcoois 
têm sido identificados, sendo que aproximadamente 10, incluindo glucose-6-fosfato e 
fosfogliceraldeído, são presentes em relativamente alta concentração na célula. 
Nos fosfolipídeos, componentes essenciais das membranas biológicas (ver 2.1.3.), o 
fosfato encontra-se ligado aos compostos orgânicos por ligação diester; por exemplo, a 
lecitina \u2013 fosfatilicolina. 
O mais importante composto no qual o grupo fosfato serve para armazenar energia 
e depois transferi-la para a promoção de processos endergônicos é o trifosfato de 
adenosina, o ATP. 
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A energia armazenada nas ligações entre os fosfatos (~) se torna disponível quando 
ocorre a hidrólise de um ou dois radicais fosfatados terminais, que liberta 7.600 Kcal/mol. 
A síntese das ligações altamente energéticas do ATP se processa nas reações de 
fosforilação, a glicose; oxidativa \u2013 associada ao transporte de elétrons na fase aeróbica 
da respiração, na cadeia respiratória; fotossíntética \u2013 cíclica e acíclica, no transporte 
eletrônico na fotossíntese. A energia armazenada no ATP é utilizada nos processos 
endergônicos do metabolismo, citando-se como exemplo a absorção iônica ativa: síntese 
de vários compostos orgânicos como o amido, gorduras e proteínas. Nestes processos, 
normalmente ocorre uma reação inicial de fosforilação, que envolve a transferência do 
grupo fosforil do ATP para outro composto: 
 
 
Assim o composto fosforilado é ativado e capaz de participar dos processos 
metabólicos. Em algumas reações de fosforilação o substrato liga-se com o ADP ou AMP, 
como no caso do ADP-glicose na síntese do amido e AMP-aminoácido, na ativação de 
aminoácidos na síntese de proteínas. 
Embora o ATP seja o principal composto fosforilado rico em energia, a sua energia 
pode ser transferida para outras coenzinas, as quais diferem do ATP somente na base 
nitrogenada como, por exemplo, uridina trifosfato (UTP), guanosina trifosfato (GTP), 
citidina trifosfato (CTP), as quais são requeridas para a síntese de sacarose, celulose e 
fosfolipídeos, respectivamente. Todos estes nucleotídeos trifosfatos (ATP, UTP, GTP, 
CTP e TTP-tiamina trifosfato) também são envolvidos na síntese dos ácidos nucléicos, o 
ácido ribonucléico (RNA) e o desoxiribonucléico (DNA). Os compostos que formam o 
fosfato orgânico indicam o universal e essencial papel do P não somente em plantas, mas 
também em todos os outros organismos vivos. 
A reserva de fósforo em sementes e frutos são os fitasos (sais de Ca, Mg e K do 
ácido fitíco = éster hexafosfórico ou inositol) e representam cerca de 50% do P total em 
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sementes de leguminosas e de 60 a 70% em grãos de cereais; em tubérculos de