Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


DisciplinaFertilidade, Nutrição e Adubação49 materiais208 seguidores
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batata, 
representam de 15 \u2013 3%. A função do fitato na germinação de sementes é óbvia. Nos 
estágios iniciais de crescimento das plântulas, o embrião tem um alto requerimento de 
nutrientes minerais, incluindo o Mg (necessário para as reações de fosforilação e síntese 
protéica), o K (requerido para a expansão celular) e o P (para formação dos fosfolipídeos 
das membranas celulares e ácidos nucléicos). A Tabela 3.5 ilustra bem a rápida 
degradação dos filatos e, conseqüentemente, síntese de outros compostos fosforilados, 
durante a germinação de sementes de arroz. Nas primeiras 24 horas, a maior quantidade 
de P fitatos foi incorporada nos fosfolipídeos, indicando a síntese de membranas, 
essenciais para a compartimentalização e regulação dos processos metabólicos. O 
aumento dos níveis de Pi e éster de fosfato refletem uma intensiva respiração, 
fosforilação e processos relacionados. A degradação de fitados continua com o tempo e, 
finalmente, os níveis de fósforo incorporados no DNA e RNA aumentam, indicando um 
aumento na síntese de proteínas e divisão celular. 
TABELA 3.5 Alterações nas frações de fósforo durante a germinação de ementes 
de arroz 
Germinação Frações de fósforo (mg P / g mat.seca) 
(horas) Fitatos Lipídeos Pi Ester RNA + DNA 
0 2,67 0,43 0,24 0,078 0,058 
24 1,48 1,19 0,64 0,102 0,048 
48 1,06 1,54 0,89 0,110 0,077 
72 0,80 1,71 0,86 0,124 0,116 
Fonte: Mukherjl et al. (1971), em MARSCHNER (1986). 
 
Sintomas de deficiência \u2013 devido aos papéis do P na vida da planta, participando da 
síntese e degradação de macromoléculas \u2013 amido, gorduras, proteínas e de outros 
inúmeros processos metabólicos, como já descritos, a sua carência se reflete no menor 
crescimento das plantas. Como o P se redistribui facilmente na planta, os sintomas da 
deficiência, inicialmente, ocorrem nas folhas mais velhas. Estas podem mostrar uma cor 
amarelada, pouco brilho, cor verde-azulada; em algumas espécies pode ocorrer uma 
tonalidade arroxeada como, por exemplo, no milho. 
POTÁSSIO 
Embora o K+ seja, de maneira geral, o segundo nutriente mais exigido pelas culturas 
(Tabela 3.1.), o mesmo não se encontra nos solos em teores tão limitantes quanto o de 
fósforo. É, depois do fósforo, o nutriente mais consumido como fertilizante pela agricultura 
brasileira. 
A principal forma de K nos solos é a mineral, encontrado na rede cristalina de 
minerais primários \u2013 feldspatos, micas como a muscovita e biotita \u2013 e nos minerais 
Exigências Nutricionais e Funções dos Nutrientes 
 
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secundários \u2013 argilas do tipo 2:1, ilita e vermiculita. O grau de intemperismo do solo afeta 
os minerais e as formas existentes no solo. Em solos muito imtemperizados esses 
minerais são menos comuns, dando lugar à caulinita que não tem K na sua estrutura. 
Além do K estrutural dos minerais, o nutriente aparece no solo na forma de cátion 
trocável e na solução do solo, formas tidas como disponíveis para as plantas. Os teores 
trocáveis, em geral, pouco representam em relação aos teores totais. Contudo, em solos 
muito intemperizados, como é o caso de vastas regiões brasileiras, eles podem ser a 
reserva mais importante do potássio disponível. 
A matéria orgânica do sol, além de possuir o K trocável, apresenta o nutriente no 
seu interior, o qual é liberado por lavagem e no processo de mineralização. 
Admitindo-se que 45 ppm de K no solo indiquem um conteúdo baixo para as plantas, 
segundo MALAVOLTA (1980), as análises de solo feitas em diferentes regiões do país 
mostram as seguintes percentagens de valores aquém desse limite: Amazônia \u2013 40; 
Nordeste \u2013 30; Centro \u2013 40; Sul \u2013 10. Por estes dados verifica-se que a pobreza em K dos 
solos brasileiros não é tão freqüente quanto a de fósforo. 
Potássio na planta 
O requerimento de K para o ótimo crescimento das plantas está aproximadamente 
entre 2 a 5% na matéria seca, variando em função da espécie e do órgão analisado. O 
potássio é o segundo nutriente mais exigido pelas plantas, perdendo apenas para o N; as 
plantas produtoras de amido, açúcar e fibras parecem ser particulamente exigentes em 
potássio (Tabela 3.1.). 
Absorção, transporte e redistribuição \u2013 O potássio na solução do solo aparece na 
forma iônica, K+, forma esta absorvida pelas raízes das plantas. Concentrações elevadas 
de Ca2+ e Mg2+ reduzem a absorção do potássio por inibição competitiva; embora baixas 
concentrações de Ca apresenta um efeito sinergístico ( Tabela 2.8 e Figura 2.14). 
O K é bastante permeável nas membranas plasmáticas e isto o torna facilmente 
absorvido e transportado a longa distância pelo xilema e pelo floema. Grande parte do K 
total da planta está na forma solúvel ( mais de 75%), portanto, a sua redistribuição é 
bastante fácil no floema. Desta forma, sob condições de baixo suprimento de K pelo meio, 
o elemento é redistribuido das folhas mais velhas para as mais novas e para as regiões 
em crescimento. Assim, os sintomas de deficiência aparecem primeiro nas folhas velhas. 
Funções do potássio \u2013 O K faz parte de nenhum composto orgânico, portanto, não 
desempenha função estrutural na planta. No floema, o K é o cátion mais abundante, em 
concentrações aproximadamente iguais a do citoplasma; neste, a concentração mantém-
se em uma relação relativamente estreita, de 100 a 120 mM, enquanto nos cloroplastos é 
mais variável, de 20 a 200 nM (MARCHNER,1986). Estas altas concentrações são 
requeridas para a neutralização de ânions insolúveis e solúveis (p.ex: ânions de ácido 
orgânicos e ânions inorgânicos) e para estabilizar o pH nestes compartimentos entre 7 e 
8, pH este ótimo para as reações enzimáticas. O K contribui também para a regulação 
EDITORA - UFLA/FAEPE - Nutrição Mineral de Plantas 
 
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osmótica da planta. Além destas funções, o K+ atua na ativação enzimática e no processo 
de absorção iônica. 
As principais funções do K na vida da planta são descritas a seguir: 
Ativação enzimática - a principal função bioquímica do K é ativação enzimática. 
Mais de 50 enzimas são dependentes do K para sua atividade normal, citando-se as 
sintetases, oxiredutases, desidro genases, transferases e quinases. Altas concentrações 
de K são necessárias para induzir as variações conformacionais e otimidação do grau de 
hidratação da proteína enzimática e, portanto, máxima ativação enzimática. Como visto, 
altas concentrações de potássio são encontradas no citoplasma e nos cloroplastos de 
plantas bem nutridas em K. Em geral, a mudança conformacional das enzimas induzidas 
pelo K+, aumenta a taxa de atividade, Vmax, e em alguns casos também a afinidade para 
com o substrato, Km. 
Em plantas deficientes em K, algumas mudanças químicas são observadas, 
incluindo a acumulação de carboidratos solúveis, decréscimo no nível de amido e 
acúmulo de compostos nitrogenados solúveis. No metabolismo de carboidratos, enzimas 
como a 6-fosfofrutoquinase e a piruvato quinase, que atuam na via glicolítica, apresentam 
um alto requerimento de K; a sintetase do amido é também altamente dependente de 
cátions monovalentes, dentre os quais o K é o mais eficiente. 
As ATPases ligadas às membranas celulares, que atuam no processo de absorção 
iônica ( ver 2.1.3),requerem para sua máxima atividade o Mg2+ e o K+, como mostra a 
Figura 3.8. 
 
FIGURA 3.8 Atividade de ATPase de fração de membrana de raízes de milho, 
influenciada pelo pH, Mg e K 
 (Leonard & Hotchriss, 1976,em MARCHNER, 1986). 
Exigências Nutricionais e Funções dos Nutrientes 
 
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Está bem estabelecido que o K+ é requerido para a síntese protéica em plantas (ver 
pág.85). Plantas deficientes em K apresentam menor síntese de proteínas e acúmulos de 
compostos nitrogenados solúveis como, por exemplo, aminoácidos,