Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


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na região dos cerrados. O menor crescimento das raízes nestas 
condições, além do Ca, a toxidez de Al3+ ocupa também um lugar de destaque. Para a 
correção destes problemas o uso do gesso parece, atualmente, a prática mais indicada. 
Ao contrário do que acontece nas paredes e nas membranas celulares, a 
concentração de Ca no citoplasma e nos cloroplastos é baixa. A manutenção desta baixa 
concentração é de vital importância para a célula da planta, pois é agora evidente que o 
Ca inibe a atividade de várias enzimas localizadas no citoplasma e também previne a 
precipitação do fosfato inorgânico como fosfato de cálcio e a competição com o Mg2+ por 
sítios de ligação. A mais importante função do Ca citoplasmático é a sua participação na 
forma ativa da coenzima calmodilina, que é exigida para a atividade de uma série de 
enzimas como a fosfolipase, nucleotídeo fosfodiesterase, NAD-quinase, ATPase-Ca de 
membranas. Há evidências que a calmodulina está também envolvida na síntese da \uf061 
amilase. A conformação ativa da calmodulina é adquirida quando ligada a quatro átomos 
de Ca. 
O Ca também é indispensável para a germinação do grão de pólen e para o 
crescimento do tubo polínico o que pode ser devido ao seu papel na síntese da parede 
celular ou ao funcionamento da plasmalema. Na fixação biológica do N2 por leguminosas, 
a nodulação das raízes necessita mais Ca que a própria planta; uma vez formados os 
nódulos o processo de fixação e o crescimento da planta ocorrem normalmente em 
concentrações relativamente baixas do elemento. 
 
FIGURA 3.10 Efeito do cálcio no crescimento de raízes primárias do feijão (Ca2+ na 
solução = + 2 mM) 
(Marschner & Richter, 1974, em MARSCHNER, 1986). 
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Sintomas de deficiência \u2013 como o Ca é imóvel na planta, esta exige um suprimento 
constante do elemento o que é feito mais eficientemente pelo solo. Quando o suprimento 
não for adequado, os sintomas de deficiência se expressam nos pontos de crescimento 
da parte aérea e da raiz e em frutos em desenvolvimento. As regiões em maior expansão 
celular na planta são as mais afetadas pela deficiência de Ca. Os sintomas podem 
apresentar-se como deformações nas folhas novas, clorose ou queimadura de uma região 
limitada nas margens destas folhas, morte das emas apicais e extremidade das raízes. 
Em algumas espécies os frutos são os mais afetados, como exemplos a podridão estilar 
no tomate e melancia, \u201cbitter pit\u201d na maçã, chochamento do amendoim, rachadura na raiz 
de cenoura e escurecimento interno em caule de repolho. 
MAGNÉSIO 
O Mg, também tido com um macronutrientes secundário, tem sua origem primária 
em rochas ígneas e os principais minerais que o contêm são a biotita, dolomita, clorita, 
serpentina e olivina, componentes também de rochas metamórficas e sedimentares. O Mg 
faz parte da estrutura de minerais de argila, correndo em ilita, vermiculita e 
montmorilomita. Quanto mais intemperizado o solo, menor ocorrência destes minerais, até 
que reste somente o Mg trocável adsorvido aos colóides e componentes da matéria 
orgânica do solo. As formas trocável e na solução são as consideradas disponíveis às 
plantas. 
 
Magnésio na Planta 
As exigências das culturas em Mg são relativamente baixas, da ordem de 10 a 40 
kg/ha para a maior parte dos casos; os teores nas folhas das plantas normais varia pouco 
entre as espécies, estando em geral na faixa de 0,2 a 0,4%. Como o magnésio não é um 
nutriente normalmente usado em adubações e sim nas calagens, não há muitos dados de 
respostas de culturas a magnésio. Contudo as deficiências têm ocorrido com uma certa 
freqüência em solos ácidos, sendo agravados em culturas que recebem aplicações 
elevadas de potássio. 
Absorção, transporte e redistribuicão \u2013 as plantas absorvem o magnésio da solução 
do solo na forma de Mg2+ na solução do solo é maior do que a do K+ é reduzida por altas 
concentrações de outros cátions como o K+, Ca2+ e NH4
+, devido à inibição competitiva. 
Esta competição pode levar à deficiência do elemento nas plantas. A deficiência de Mg 
induzida pelo excesso de K na adubação é bastante comum em culturas como a 
bananeira e o cafeeiro \u2013 muito exigentes em K \u2013 em que as fórmulas empregadas são 
muito ricas em potássio. Em solos ácidos, além da pobreza natural em Mg, a absorção do 
elemento é diminuída pelo H+ e pelo Al33+ que aparecem em maiores concentrações 
nestas condições. O transporte do Mg2+ das raízes para a parte aérea ocorre pelo xilema 
via corrente transpiratória, basicamente na forma como foi absorvido \u2013 Mg2+. Ao contrário 
do que se dá com o Ca2+ e de modo semelhante ao que ocorre com o K 2+, o Mg2+ é 
Exigências Nutricionais e Funções dos Nutrientes 
 
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móvel no floema. Grande parte do Mg da planta encontra-se na forma solúvel (Tabela 
3.8), por isso, é facilmente redistribuido nas plantas. Portanto, sob condições de carência, 
os sintomas de deficiência do elemento ocorrem nas folhas mais velhas. 
Funções do Magnésio \u2013 nos tecidos das plantas uma alta proporção do Mg total \u2013 
cerca de 70% - encontra-se na forma difusível e associado com ânions inorgânicos e 
orgânicos como o malato e citrato. Também encontra-se associado a ânions indifusíveis 
como o oxalato e pectato. A função mais conhecida do Mg é a de compor a molécula da 
clorofila, que são porfirinas magnesianas; o Mg corresponde a 2,7% do peso das mesmas 
e representa cerca de 15 a 20% do Mg total das folhas das plantas. Além desta, outras 
importantes funções são desempenhadas pelo Mg, como a ativação enzimática; o Mg 
ativa mais enzimas de qualquer outro elemento na planta. Neste caso, o principal papel 
do Mg é atuar como cofator de enzimas fosforilativas, formando uma ponte entre o 
pirofosfato do ATP ou ADP e a molécula da enzima: 
 
 
O substrato para muitas ATPases é o Mg \u2013 ATP. Um exemplo do requerimento de 
Mg2+ por ATPases de membrana é mostrado na Figura 3.8. Fica bastante evidente que o 
Mg \u2013 ATP é um substrato melhor que o ATP para a atividade de ATPases das 
membranas das raízes do milho. A máxima atividade requer também a presença do K. A 
síntese de ATP pelo processo da fosforilação (ADP + Pi \uf0be\uf0be\uf0ae ATP) tem um essencial 
requerimento de Mg para a ligação entre o ADP e a enzima. Isto explica a alta 
concentração de Mg nos cloroplastos e nos mitocôndrios, onde ocorre as reações de 
síntese de ATP pela fotofosforilação e fosforilação oxidativa, respectivamente. A Tabela 
3.10 mostra o efeito do Mg2+ e do Ca2+ no meio sobre a fotofosforilação; o Ca2+ inibiu 
severamente o processo. Por isso \u201cin vivo\u201d as plantas mantêm baixa concentração de Ca 
nos cloroplastos. Outras enzimas importantes também são ativadas pelo Mg2+ pelo Mg2+ 
citando-se as desidrogenases e a enolase. Nestas enzimas, entretanto, o Mg não é 
específico para a reação e o Mn2+ é, muitas vezes, um ativador mais eficiente. A atividade 
da RuBP carboxilase também depende de Mg2+ e da elevação do pH do estroma dos 
cloroplastos para 7,5 \u2013 8,0. O efeito favorável do Mg2+ sobre a assimilação do CO2 e dos 
processos relacionados, como a produção de açúcar e do amido são, provavelmente, 
conseqüência da ativação da RuBP carboxilase. 
 
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TABELA 3.10 Efeito do Mg2+ e do Ca2+ no meio de incubação sobre a fosforilação 
em cloroplastos isolados de ervilha 
 Taxa de fotofosforilação 
Cátions
(1)
 (\uf06dml ATP/mg clorofila x h) 
Ausente 12,3 
Mg
2+
 34,3 
Ca
2+
 4,3 
O meio de incubação continha ADP + Pi e o cátion indicado. 
Fonte: Lin & Nobel (1971), em MARSCHNER (1986). 
 
Em plantas deficientes em Mg, geralmente, a relação de N \u2013 protéico / N \u2013 não