Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


DisciplinaFertilidade, Nutrição e Adubação49 materiais208 seguidores
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(nucleosídeo + Pi \uf0be\uf0ae nucleotídeo), 
que são as unidades formadoras dos ácidos nucleicos (Tabela 3.12 ). Nas plantas 
deficientes em B ocorre menor síntese de DNA e RNA, levando, em conseqüência, à 
menor produção de proteínas pelas plantas. 
 
TABELA 3.12 Influência do B no DNA e RNA e na síntese de proteína em girassol, 
sob moderada deficiência de boro 
B na solução (ppm) Folhas Raízes 
P no DNA, em % do P \u2013 total 
0 0,2 0,5 
1 1,4 1,8 
 
P no RNA, em % do P \u2013 total 
0 1,4 3,6 
1 6,4 13,0 
 
N \u2013 protéico, mg/vaso 
0 627 713 
1 1.267 1.468 
 
Fonte: Hundt et al. (1970) em MENGEL & KIRKBY (1987). 
 
Uma substancial proporção do B-total das plantas é encontrada em complexos de 
esteres cis-borato nas paredes celulares. O maior requerimento de B pelas dicotiledôneas 
em relação às monocotiledôneas é, provavelmente, relacionado à maior proporção de 
compostos com a configuração cis-diol nas paredes celulares, princpalmente 
hemicelulose e precursores da lignina. Tem sido mostrado que o conteúdo de B 
fortemente complexado nas paredes celulares de monocotiledôneas (p. ex.: trigo) varia de 
3 a 5 \uf06d g/g de matéria seca e de certas dicotiledôneas (p. ex.: girassol) é superior a 30 \uf06d 
g/g de matéria seca. Estas diferenças refletem as diferentes exigências em boro entre as 
espécies. Admite-se que as funções do B no apoplasto são relativamente similares às do 
cálcio, ambos regulando a síntese e a estabilidade de constituintes da parede celular, 
incluindo as membranas plasmáticas. Neste último caso, o efeito seria, provavelmente, 
pela formação de complexos cis-diol-borato com constituintes das membranas. 
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Mais rápido efeito da deficiência de boro em plantas é a paralisação do crescimento 
dos meristemas apicais, tanto das raízes quanto da parte aérea. A Figura 3.14 A mostra 
que a elongação das células das raízes é drasticamente afetada após 6 horas da omissão 
de boro do meio e, com a restauração no seu suprimento, o processo volta rapidamente 
ao normal. A Figura 3.14 B mostra que há uma grande similaridade entre a atividade da 
oxidase do AIA \u2013 que controla o nível de AIA no tecido \u2013 quando comparada com a 
elongação radicular (Figura 3.14 A), influenciadas pela deficiência de boro. Portanto, 
admite-se que a paralisação do crescimento dos meristemas em plantas deficientes em 
boro é resultado de ambos, menor elongação e acumulação de níveis tóxicos de AIA. 
Como visto anteriormente, o B está envolvido na síntese de ácidos nucleicos e 
conseqüentemente, na síntese de proteínas; portanto, a divisão celular é também um 
outro fator que afeta o crescimento dos meristemas em plantas deficientes em B. 
A exigência em boro é normalmente maior para a redução de sementes e grãos do 
que para o crescimento vegetativo das plantas. Isto é devido à sua participação no 
processo de fertilização; o B está envolvido na germinação do grão de pólen e no 
crescimento do tubo polínico, cuja carência leva à má formação de grãos em cereais (p. 
ex.: milho, esterilidade masculina em trigo), má formação dos cachos de uva, etc. 
Postula-se também que o B, formando complexos com compostos orgânicos, regula 
a atividade enzimática e o fluxo de substrato em certas vias metabólicas. Um exemplo 
importante é a formação de um complexo entre o borato e o 6-P-gliconato, o primeiro 
composto formado na via das pentoses-fosfato, uma via alternativa da glicólise na 
degradação de carboidratos. O complexo 6-P-gliconato-borato regularia a atividade da 
enzima 6-P-gliconato desidrogenase e, conseqüentemente, a via das pentoses-fosfato, 
favorecendo, assim, a via glicolítica. Em plantas deficientes em B, ocorrendo a exaltação 
da via das pentoses-fosfato, há um acúmulo dos produtos gerados, dentre eles os fenóis 
que são fitotóxicos em níveis elevados. Tem sido proposto que a causa primária das 
necroses observadas nos tecidos de plantas deficientes em B estão associadas com o 
acúmulo de fenóis e de auxinas. 
 
Exigências Nutricionais e Funções dos Nutrientes 
 
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FIGURA 3.14 Efeito da deficiência de boro sobre a elongação da raiz (A) e da 
atividade da oxidase do AIA (B) em Curcubita pepo L.: + B (- \uf0b7 - ) \u2013 B 
(- \uf06f -) (Bohnsack & Albert, 1977, em MARSCHNER, 1986) 
Sintomas de deficiência e toxidez de boro \u2013 dado a imobilidade do B na planta, os 
sintomas de deficiência aparecem primeiramente nos órgãos mais novos e nos 
meristemas apicais, tanto da parte aérea quanto das raízes. Caracteriza-se pela redução 
do tamanho e deformação das folhas mais novas, morte da gema terminal, menor 
crescimento das raízes. Há muito se sabe existir um limite estreito entre o teor adequado 
e o nível tóxico de B na planta; portanto, a adubação com o elemento deve ser cuidadosa, 
principalmente nos solos arenosos, que devem receber doses menores e mais 
freqüentes, comparativamente aos argilosos. Os sintomas de toxidez manifestam-se 
como uma clorose malhada e depois manchas necróticas nos bordos das folhas mais 
velhas, que coincidem com as regiões da folha onde há maior transpiração. 
CLORO 
Não se encontra relatos na literatura sobre a deficiência de cloro em plantas sob 
condições de campo. É muito mais freqüente citações de toxicidade do elemento do que 
de deficiência e é difícil sintomas de carência do mesmo em condições normais de 
experimentação. 
 
Cloro na planta 
A essencialidade do cloro foi demonstrada em tomateiro cultivado em solução 
nutritiva purificada só recentemente (BROYER et al. 1954). A exigência de cloro é maior 
que a de qualquer outro micronutriente. Em plantas que recebem doses médias de KCl 
como fonte de potássio, encontram-se milhares de ppm de cloro, o que não deve refletir, 
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entretanto, necessidade nutricional. Normalmente encontram-se teores de cloro nos 
tecidos das plantas entre 2.000 a 20.000 ppm, níveis típicos dos macronutrientes. Por 
outro lado, o requerimento para o ótimo crescimento está entre 340 a 1.200 ppm, níveis 
compatíveis com os micronutrientes. Considerando em média 1.000 ppm de Cl na matéria 
seca das plantas como nível ótimo, o requerimento médio das culturas seria de 8 a 10 kg 
do elemento por hectare, demanda esta suprida pela atmosfera e pela água da chuva. 
Absorção, transporte e redistribuição \u2013 o cloro é obtido pelas plantas de diferentes 
fontes: reservas do solo, água da chuva, fertilizantes e poluição aérea. Pelas raízes, o 
cloro é absorvido da solução do solo como Cl- ; efeito competitivo com NO3
- e SO4
2- tem 
sido relatado. O cloro pode também ser absorvido pela parte aérea, diretamente da 
atmosfera; a quantidade de Cl- na atmosfera e na água de chuva depende da distância do 
mar. A redistribuição do elemento depende da distância do mar. A redistribuição do 
elemento depende da espécie considerada; algumas mostram os sintomas de deficiência 
nas folhas mais velhas e outras nas folhas mais novas. 
Funções do cloro \u2013 MARSCHNER (1986) relata que Warburg, em 1944, descobriu 
que a reação de Hill (fase clara da fotossíntese) em cloroplastos isolados necessitava de 
cloreto. Desde então o envolvimento do cloro na quebra fotoquímica da água no 
fotossistema II tem sido confirmado por vários autores. Admite-se que o cloro atua como 
um cotator junto ao manganês no sistema de evolução do O2: 
 O2 
 
H2O \uf0be\uf0be\uf0be\uf0be\uf0be\uf0ae PS II \uf0be\uf0be\uf0be\uf0be\uf0be\uf0ae PSI \uf0be\uf0be\uf0be\uf0be\uf0be\uf0ae 
Mn2+ , Cl_ 
 
Como a fotofosforilação \u2013 produção de ATP na fotossíntese \u2013 depende do fluxo de 
elétrons, este processo também é influenciado pelo cloro, como mostra a Tabela 3.13. 
Embora