Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


DisciplinaFertilidade, Nutrição e Adubação50 materiais208 seguidores
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mais significativamente nos cloroplastos \u2013 
mais de 90% - indicando um papel protetor do processo fotossintético. 
Sintomas de deficiência e toxidez de cobre \u2013 as plantas deficientes em cobre 
mostram as folhas novas inicialmente verde escuras e com aspecto flácido, com tamanho 
desproporcionalmente grande. As folhas encurvam-se para baixo e as nervuras podem 
ficar salientes (cafeeiro). Em cereais as folhas tornam-se mais estreitas e retorcidas, com 
as pontas brancas. O perfilhamento é reduzido e observa-se também a esterilidade 
masculina. Este sintoma está relacionado com o papel do cobre na viabilidade do grão de 
pólen. Parece que a esterilidade masculina em cereais é resultado do acúmulo excessivo 
de auxina. A toxidez de cobre manifesta-se em menor crescimento e funcionamento 
anormal das raízes, indicando danos na deficiência de ferro induzida, aparecimento de 
manchas aquosas e amareladas ao longo da nervura principal, que se tornam necróticas. 
Exigências Nutricionais e Funções dos Nutrientes 
 
123 
Dada a grande afinidade do cobre por compostos orgânicos é possível que os sintomas 
foliares sejam provocados pelo deslocamento do ferro de compostos, efetuado pelo 
cobre. 
FERRO 
 O ferro é o elemento metálico mais comum na crosta terrestre. Em solos, a 
ocorrência é principalmente na forma de óxidos e hidróxidos. Os teores totais em solo 
estão comumente entre 0,5 a 5%, mas em alguns solos brasileiros, os teores podem 
ultrapassar 10%. A solubilidade e geoquímica do ferro são afetadas pelo estado de oxi-
redução e pelo pH do solo. A geoquímica do ferro é complexa e determinada pela 
facilidade de mudança da valências (Fe2+ e Fe3+), em resposta à alterações das 
condições físico-químicas do meio. A disponibilidade do ferro é maior sob condições de 
pH mais baixo (ácido) e com a diminuição do potencial de oxi-redução (Eh) do solo. Na 
solução do solo em solos aerados a concentração das formas iônicas Fe3+ e Fe2+são 
extremamente baixas (10-10 M ou menos). Quelados de Fe3+ , e ocasionalmente de Fe2+, 
são as formas predominantes na solução do solo. 
Ferro na planta 
A concentração de ferro nos tecidos vegetais considerada adequada, varia 
normalmente entre 50 e 250 ppm na matéria seca. Geralmente, teores menores de 50 
ppm indicam problemas de deficiência do elemento. 
Absorção, transporte e redistribuição \u2013 o ferro pode chegar às raízes das plantas 
como Fe2+, Fe3+ e como quelado. O íon requerido no metabolismo é o Fe2+ e esta forma é 
absorvida pelas plantas. Ao que parece, a eficiência de absorção está relacionada com a 
capacidade das raízes em efetuar a redução do ferro férrico (Fe3+) para ferroso (Fe2+) na 
rizosfera. Algumas plantas eficientes em absorver ferro baixam o pH da solução e 
excretam substâncias redutoras capazes de reduzir o Fe3+ para Fe2+. Concentrações 
elevadas de outros cátions na solução diminuem a absorção de ferro. O aumento da 
disponibilidade do Mn em solos ácidos, por exemplo, inibe competitivamente a absorção 
de Fe causando o aparecimento de sintomas de deficiência. O transporte do Fe se dá 
pelo xilema, via corrente transpiratória, predominante na forma de quelado do ácido 
cítrico. O Fe é pouco redistribuído na planta, portanto, os sintomas de carência 
manifestam-se inicialmente nas folhas mais novas. Pode-se encontrar teor de Fe- total 
alto em folhas deficientes do elemento. Dados deste tipo sugerem que parte do nutriente 
esteja em forma inativa, como Fe3+ ou precipitado pelo fósforo. A fitoferritina (FeO.OH)8 . 
(FeO.OPO3H2) é uma forma de reserva de Fe no estroma de plastídeos nas células das 
plantas. 
Funções do Ferro \u2013 o Fe é componente de uma série de enzimas, a maioria das 
quais participam de reações de oxi-redução no metabolismo, em que há mudança 
reversível de valência (Fe2+ \uf0ae Fe3+ + e-). Dois grupos de proteínas contendo o Fe são 
bem definidos: hemo-proteína e Fe-S-proteína. Na Tabela 3.16 está apresentada uma 
lista de proteínas dependentes de ferro. 
EDITORA - UFLA/FAEPE - Nutrição Mineral de Plantas 
 
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TABELA 3.16 Principais proteínas dependentes do ferro 
Nome Reação Fonte 
I. Proteínas com heme 
Catalase 2H2O2 \uf0ae 2H2O + O2 Geral em plantas 
 também como peroxidase superiores, leveduras e 
 (oxidação do etanol) fungos 
 
Peroxidase AH2 + H2O2 \uf0ae A + 2H2O Idem 
 
Citocromos a, a3, b2, b3, Transporte de e
-
 na Plantas superiores, 
bB6,f Fotossíntese, respiração leveduras,fungos,algas, 
 Fixação do N2. bactérias 
 
Hemoglobina (LegHb) O2+2H
+
+2e
-
\uf0ae H2O Nóbulos das leguminosas 
 
Redutases de sulmito sulfito \uf0be\uf0ae sulfeto (?) espinafre 
 
Redutases da 
hidroxilamina 
NH2OH +2H \uf0be\uf0ae NH3 + H2O Idem 
 
ll. Proteína tipo ferredoxina 
Ferredoxina Transporte eletrônico na Plantas superiores em 
 fotossíntese e na fixação do N2 Geral, leguminosas, algas 
 
Desidrogenases succínicas Succiato \uf0be\uf0ae fumanato + 2H Mitocôndrios, leveduras 
 
Nitrogenase 2N2 + 3H2 \uf0be\uf0ae 2NH3 Clostridium, Rhizobium, 
 Azotobacter 
lll. Proteínas não heme e diversas com ou sem enxofre labil 
Redutase de Nitrito HNO2 + 3H2 \uf0ae NH3 + 2H2O Plantas em geral,algas 
 
Hidrogenase H2 2H
+
 + 2e
-
 (comum) Azotobacter, Clostridium 
 
 2H
+
 + 2e
- 
H
2 
(Clostridium) Cloroplastos 
 
Aconitase Citrato Isocitrato Geral nas plantas 
 Superiores; leveduras, 
 fungos e bactérias. 
Fonte: HEWITT & SMITH (1975). 
 
As hemo-proteínas são enzimas que apresentam o grupo heme (complexo Fe-
porfirina) como um grupo prostético. Neste grupo incluem-se as enzimas catalase, 
Exigências Nutricionais e Funções dos Nutrientes 
 
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peroxidase,citocromo oxidase, bem como outros citocromos. Os citocromos são 
constituintes do sistema redox em cloroplastos transporte terminal de elétrons na cadeia 
respiratória. O papel da leghemoglobina no processo de fixação biológica do N2 
atmosférico também já foi discutido (ver Figura 3.3.). A catalase e a peroxidase são outras 
enzimas com heme e sob condições de deficiência de Fe apresentam grande redução nas 
suas atividades (Tabela 3.17). A catalase atua na dismutuação de H2O2 para água e O2 \u2013, 
cuja reação pode ser observada na Tabela 3.16 ou no item referente às funções do cobre, 
(ver pag. 153), e tem papel importante nos cloroplastos, fotorrespiração e glicólise, onde 
H2O2 é produzido. O H2O2 é um oxidante enérgico e em concentrações elevadas 
apresenta um efeito deletério aos tecidos vegetais. As peroxidases, que são abundantes 
em plantas, catalisam reações de redução de peróxidos orgânicos \u2013 reação na Tabela 
3.16 \u2013 e também de reações como em seguida: 
 
 
X\uf02dH + X\uf02dH + H2O2 \uf0be\uf0be\uf0be\uf0be\uf0ae X\uf02dX + 2H2O 
 
 
Nesta reação, as paroxidases ligadas às paredes celulares catalisam a 
polimerização de fenóis com a produção da lignina. As peroxidases são abundantes nas 
paredes celulares da endoderme das raízes. 
O outro grupo de proteínas, Fe-S-proteína, também participam de importantes 
reações de oxi-redução no metabolismo das plantas. O exemplo mais importante deste 
grupo é a Ferredoxina, a qual participa como um transferidor de elétrons em um grande 
número de processos metabólicos importantes, citando-se a fotossíntese, redução do 
nitrito (Figura 3.5), fixação biológica do N2( Figura 3.3) e redução do sulfato (Figura 3.12). 
O Fe também é componente de dois complexos enzimáticos ligados ao metabolismo 
do Nitrogênio, a Nitrogenase - responsável pela fixação biológica do N2 \u2013 e a Redutase 
do Nitrato \u2013 responsável pela redução do NO3
- \uf0be\uf0ae NO2
-, no processo da redução 
assimilatória do Nitrato, fatos também já discutidos (ver 3.2.1). 
Outras funções também são atribuídas