Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


DisciplinaFertilidade, Nutrição e Adubação50 materiais208 seguidores
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proporções de Si 
que não é essencial. 
1.4 REAÇÕES ENTRE NUTRIÇÃO MINERAL, FERTILIDADE DO SOLO E 
ADUBAÇÃO 
A adubação pode ser definida como a adição de elementos (nutrientes) de que a 
planta necessita para viver, com a finalidade de obter colheitas compensadoras de 
produtos de boa qualidade nutritiva ou industrial, provocando-se o mínimo de 
perturbação no ambiente. Em resumo, sempre que o fornecimento dos nutrientes pelo 
solo (reservatório) for menor que a exigência da cultura, torna-se necessário recorrer ao 
uso de adubos. 
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Segundo MALAVOLTA (1987), qualquer que seja a cultura, quaisquer que sejam 
as condições de solo e de clima, na prática da adubação procura-se responder a sete 
perguntas: 
1) quê? qual nutriente está deficiente; 
2) quanto? quantidade necessária; 
3) quando? época em que deve ser fornecido; 
4) como? maneira como tem que ser aplicado; 
5) pagará? aspecto econômico; 
6) efeito na qualidade do produto? 
7) efeito na qualidade do ambiente? 
 
A resposta a cada pergunta demanda experimentação e pesquisa nas áreas de 
nutrição mineral, fertilidade do solo e adubação. Os conhecimentos adquiridos serão 
difundidos e aplicados pelo agricultor; novas indagações estabelecerão um mecanismo 
de realimentação. A Figura 1.1 ilustra as relações entre as áreas, com o objetivo de 
responder às questões formuladas, a saber: 
 
FIGURA 1.1 As relações entre nutrição de plantas, fertilidade do solo e adubação 
(MALAVOLTA, 1976). 
 
Introdução 
 
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1) Determinação dos elementos limitantes 
- sintomas de carência: anormalidades visíveis e específicas do elemento em 
falta no solo; 
- análise do solo: avaliação quantitativa do elemento em falta; 
- diagnose foliar: a composição da folha indica o elemento que falta no solo; 
- ensaios de adubação: identificação do elemento em falta através da resposta 
diferencial da planta à aplicação de adubos. 
 
2) Estabelecimento das quantidades necessárias 
- exigências quantitativas: a análise mineral da planta dá as quantidades dos 
elementos exigidos; 
- análise do solo: calibradas com ensaios de adubação pode dar as quantidades 
a aplicar; 
- ensaios de adubação: determinação das doses necessárias por interpolação ou 
extrapolação dos resultados obtidos em experimentos, nos quais se verificou a resposta 
da planta à adição de quantidades diferentes de fertilizante ou corretivo. 
 
3) Época de aplicação 
- análise periódica da planta: determinação dos períodos de maior exigência; 
- ensaios de adubação: fornecimento dos elementos em épocas diversas, 
seguido de observação do seu efeito na produção e na composição da planta. 
 
4) Localização 
- distribuição do sistema radicular: determinação da distribuição das raízes 
absorventes por observação direta ou por medida da absorção do elemento colocado 
em diferentes posições no solo; 
- comportamento do elemento no solo: mecanismos que determinam o contacto 
entre o elemento e a raiz, como preliminar obrigatória para sua absorção; 
- ensaios de adubação: absorção do elemento colocado em posições diferentes 
relativamente à semente ou à planta, medida pela colheita ou pela análise da cultura. 
 
5) Rentabilidade 
- análises da relação entre preço de adubo e lucro obtido: dados de ensaios 
de adubação com doses crescentes do elemento. 
 
 
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6) Efeito na qualidade do produto colhido 
- análises químicas ou sensoriais: alterações provocadas pelo adubo na 
composição do produto ou na sua aceitação pelo consumidor. 
 
7) Efeito na qualidade do ambiente 
- observações e análises de solo, água e ar: alterações nos teores de 
constituintes normais, aparecimento de produtos estranhos; seu efeito no homem e no 
animal. 
Considerando-se a adubação como um fim, verifica-se, pelo exposto, que para 
atingí-lo há necessidade de um esforço interdisciplinar e harmonioso entre nutrição de 
plantas e fertilidade do solo. 
 
 
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 ABSORÇÃO, TRANSPORTE E 
REDISTRIBUIÇÃO 
2.1 ABSORÇÃO IÔNICA RADICULAR 
2.1.1 Introdução 
 
Algumas definições são necessárias: 
Absorção \u2013 processo pelo qual o elemento M passa do substrato (solo, solução 
nutritiva) para uma parte qualquer da célula (parede, citoplasma, vacúolo). 
Transporte ou translocação \u2013 é a transferência do elemento, em forma igual ou 
diferente da absorvida, de um órgão ou região de absorção para outro qualquer (p. ex. da 
raíz para a parte aérea). 
Redistribuição \u2013 é a transferência do elemento de um órgão ou região de acúmulo 
para outro ou outra em forma igual ou diferente da absorvida (p. ex, de uma folha para um 
fruto; de uma folha velha para uma nova). 
 
Pensou-se durante muito tempo que os elementos contidos na solução do solo 
fossem absorvidos por simples difusão, caminhando a favor de um gradiente de 
concentração, indo de um local de maior (a solução externa) para outra de menor (o suco 
celular) concentração. Quando, entretanto, comparam-se as análises do suco celular com 
a do meio em que viviam diferentes espécies, verificou-se que, de modo geral, a 
concentração interna dos elementos era muito maior daquela do meio externo e que havia 
uma certa seletividade na absorção dos elementos. Isto é o que mostra a Tabela 2.1. 
 
 
 
 
 
 
 
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TABELA 2.1 Relação entre a concentração de íons no suco celular e no meio 
 Nitella clavata Valonia macrophysa 
Íon A. B. Relação A. B. Relação 
 Água doce Suco celular B/A Água do 
mar 
Suco celular B/A 
 -------------- Mm -------------- -------------- Mm -------------- 
 
Potássio 0,05 54 1.080 12 500 42 
Sódio 0,22 10 45 498 90 0,18 
Cálcio 0,78 10 13 12 2 0,17 
Cloro 0,93 91 98 580 597 1 
 Fonte: Hoagland (1948), em MARSCHNER (1986). 
 
Em plantas superiores, embora em menor intensidade, a seletividade também é uma 
característica do processo de absorção iônica (Tabela 2.2.). A concentração de potássio, 
fosfato e nitrato reduz marcantemente com o tempo, em relação ao sódio e sulfato. A taxa 
de absorção, especialmente do K e do Ca, difere entre as espécies e a concentração 
iônica interna é geralmente maior que a do meio; isto é mais evidente no caso do 
potássio, fosfato e nitrato. 
 
TABELA 2.2 Mudanças na concentração de íons na solução e a concentração no 
suco celular das raízes de milho e feijão 
 Concentração externa Concentração no 
Íon Após 4 dias Suco celular 
 Inicial Milho Feijão Milho Feijão 
 ----------------------------------- mM ----------------------------------- 
 
Potássio 2,00 0,14 0,67 160 84 
Cálcio 1,00 0,94 0,59 3 10 
Sódio 0,32 0,51 0,58 0,6 6 
Fosfato 0,25 0,06 0,09 6 12 
Nitrato 2,00 0,13 0,07 38 35 
Sulfato 0,67 0,61 0,81 14 6 
Fonte: MARSCHNER (1986). 
 
Os resultados apresentados nas tabelas demonstram que a absorção iônica é 
caracterizada por: 
Seletividade \u2013 certos elementos minerais são absorvidos preferencialmente; 
Acumulação \u2013 a concentração dos elementos, de modo geral, é muito maior no suco 
celular do que na solução externa; 
Absorção, Transporte e Redistribuição 
 
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Genótipo \u2013 existem diferenças entre espécies de plantas nas características de 
absorção. 
Assim, algumas questões podem ser formuladas: como a célula ou a planta regula a 
absorção iônica? Como os íons ultrapassam as membranas plasmáticas (plasmalema e 
tonoplasto) e contra um gradiente de concentração? Estes aspectos serão discutidos 
ainda neste capítulo. 
2.1.2. O Contato do íon com a raiz 
Para que