Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


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de controvérsias se o Zn2+ é absorvido pelas plantas por 
processo passivo ou ativo, embora muitos trabalhos atestam que a absorção do elemento 
é tipicamente metabólica. Outros cátions em elevadas concentrações inibem 
competitivamente a absorção do Zn. Adubações pesadas com P podem induzir 
deficiência de Zn. As possíveis causas atribuídas a este antagonismo são: precipitação de 
compostos de P-Zn no solo; inibição não competitiva no processo de absorção; menor 
transporte do Zn das raízes para a parte aérea e, principalmente, o \u201cefeito de diluição\u201d 
pode ser entendido como a diminuição do teor de um determinado nutriente na matéria 
seca (no caso o Zn), devido ao crescimento da planta em resposta à aplicação de outro 
nutriente deficiente no meio (no caso o P). Assim, o crescimento da planta em resposta à 
aplicação do P, pode diluir o teor de Zn na matéria seca a valores abaixo do nível crítico, 
favorecendo o aparecimento de sintomas de deficiência do micronutriente. O zinco é 
transportado das raízes para a parte aérea pelo xilema, predominantemente na forma de 
Zn2+, o que talvez se explique pela baixa constante de estabilidade dos quelantes 
orgânicos. Este fato ajuda a entender a diminuição do transporte do Zn no xilema, com o 
aumento do P no meio, devido à precipitação do micronutriente pelo fosfato. O Zn é pouco 
móvel na planta, particularmente nas plantas deficientes. Por isso os sintomas de 
carência aparecem nos órgãos mais novos. 
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Funções do zinco \u2013 a Tabela 3.20. apresenta uma relação de enzimas encontradas 
em plantas superiores e inferiores que contêm Zn. E esta é a principal função do Zn no 
metabolismo: componente e ativador enzimático, citando-se as desidrogenases (alcoólica, 
glutâmica e lática), sintetases, carboxilases, isomerases. O Zn está estreitamente 
envolvido no metabolismo nitrogenado da planta. Em plantas deficientes em Zn, há 
redução da síntese protéica e acúmulo de aminoácidos e amidas. Três distintos 
mecanismos são responsáveis pelo efeto adverso da deficiência de Zn na síntese e 
conteúdo protéico nas plantas. Primeiro, o Zn é um componente da RNA polimerase, que 
pela polimerização de nucleotídeos, leva à síntese do RNA. Segundo, o Zn é um 
constituinte dos ribossomos, que atua na manutenção da integridade estrutural destas 
organelas. Em plantas deficientes em Zn há a desintegração dos ribossomos, mas com a 
aplicação do micronutriente, o processo volta ao normal rapidamente (Figura 3.18). 
Terceiro, é que o Zn regula a atividade da RNAse, que atua na desintegração do RNA. Há 
clara correlação inversa entre o suprimento de Zn e a atividade da RNAse e também entre 
a atividade da RNAse e o conteúdo de proteínas e o crescimento da planta (Tabela 3.21.). 
TABELA 3.20 Algumas enzimas contendo Zn encontradas em plantas superiores e 
inferiores 
Enzima Reação Peso molecular e Zn Fonte 
Anidrase CO2 + H2O H2CO3 180.000 Salsa 
Carbônica HCO3 + H
+
 6 Zn / mol 
Isomeras de Manose \u2013 6 - P 45 000 Levedura 
Fosfomanose Frutose \u2013 6 - P 1 Zn / mol 
Desidrogenase Lactato + NAD
+
 96 000 Levedura 
Láctica Piruvato + NADH + H
+
 3 Zn / mol 
Desidrogenase EtOH + NAD
+
 144 000 Levedura 
Alcoólica Acetaldeído + NADH + H
+
 42 n / mol 
Aldolase Frutose \u2013 1,6 \u2013 2P 68 000 Levedura 
 Gliceraldeído \u2013 P + 2 Zn / mol Fungos, algas, 
 Dilidroxiacetona \u2013 P Plantas 
 Superiores (?) 
Desidrogenase Glutamato + NAD
+
 1 000 000 Ervilha 
Glutâmica H2O Alfa aceto 
glurarato 
4 Zn / mol 
 + NADH + NH4
+
 
 
Caroxilase pirúvica Piruvato + ATP + CO2 600 000 Levedura 
 Oxaloacetado + ADP + P 3 Zn / mol 
 (também Mg) 
 
Sintetase Indol + serina \uf0ae - Geral 
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Triptofano Triptofano 
Fonte: HEWITT & SMITH (1975). 
 
 
 
 
 
Escanear a Figura 3.18 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 3.18 Efeito da omissão (por 6 dias) e reaplicação de Zn, no número de 
ribossomas em Eugiena 
(Prask & Plocke, 1971, em MARSCHNER, 1986). 
 
TABELA 3.21 Efeito do Zn cobre o crescimento, atividade da RNAse e N-protéico 
em Glycine wighll 
Zn Mat. Fresca Ativ. RNAse N-protéico 
(ppm) (g / pl.) (%)* (% Mat. Fresca) 
0,005 4,0 74 1,82 
0,01 5,1 58 2,25 
0,05 6,6 48 2,78 
0,10 10,0 40 3,65 
*percentagem de hidrólise do substrato RNA. 
Fonte: Johnson & Simons (1979), em MARSCHNER (1986). 
 
O Zn também está envolvido no metabolismo de auxinas, em particular no ácido 
indolil acético (AIA). Ainda não está bem entendida a participação do Zn no processo. O 
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baixo nível de AIA em plantas deficientes em Zn pode ser resultado da alta atividade da 
AA-oxidase. Muitos trabalhos suportam, também, que o Zn é requerido para a síntese do 
aminoácido triptofano, um precursor da biossíntese do AIA: 
 
 
Parece que a \u201csíntetase do triptofano\u201d requer Zn para sua atividade. Em plantas 
deficientes em Zn, menores teores de triptofano e de AIA têm sido determinados. 
Atribui-se a essas funções do Zn \u2013 participação na síntese de RNA e proteínas e, na 
síntese do AIA \u2013 os sintomas de deficiência do elemento (descrito abaixo) que as plantas 
apresentam, devido a uma menor divisão e alongação celular. 
Como visto no ítem referente ao cobre, ao lado deste, o Zn participa do grupo 
prostético da dismutase de superóxido (Cu-Zn-SOD). Esta enzima catalisa a conversão 
do radical superóxido, O2, para peróxido de hidrogênio mais oxigênio, (ver pág. 153), 
protegendo os tecidos das plantas dos efeitos deletérios causados pelo O2. 
Sintomas de deficiência de zinco \u2013 devido à pouca mobilidade, os sintomas de 
deficiência de zinco se manifestam nas folhas mais novas. Os sintomas mais típicos da 
carência do elemento consistem no encurtamento dos internódios e na produção de 
folhas novas pequenas, cloróticas e lanceoladas e formação de tufos na ponta de ramas 
das plantas perenes (roseta de laranjeiras, cafeeiro e pessegueiro) ou plantas anãs 
(milho, arroz, cana de açúcar). 
COBALTO 
O teor de cobalto nos solos é bastante variado, citado de 1 a 40 ppm, sendo a maior 
proporção retida em óxidos de Mn, Fe e Al. Na solução do solo têm sido citado teores 
variando entre 0,007 \u2013 0,2 \uf06dM. O Co extraído com ácido acético 2,5% é considerado 
disponível às plantas; menos de 0,1 ppm de Co é indicação de deficiência. Calagem 
excessiva, teores elevados de Fe e Mn, pH elevado, conduzem à carência do elemento. 
Cobalto na planta 
A essencialidade do Co restringe-se, por enquanto, às plantas superiores que 
dependem da fixação biológica do N2. A concentração de Co na matéria seca varia entre 
0,02 e 0,5 ppm. As leguminosas apresentam teores bem maiores do que as gramíneas. 
Há, entretanto, algumas espécies que acumulam o Co a valores altos da ordem de 500 \u2013 
800 ppm (Crotalária cobalticola), até mesmo 1.000 ppm (Nyssa silvatica) \u2013 a presença 
dessas plantas indicam altos teores de Co no solo. 
Absorção, transporte e redistribuição \u2013 o cobalto parece ser absorvido como Co2+, 
sendo transportado das raízes para a parte aérea pelo xilema, via corrente transpiratória. 
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O Co tende também a formar quelados com compostos orgânicos. O excesso de Co no 
solo diminui a absorção do Fe e Mn, induzindo à deficiência dos mesmos. O elemento 
parece pouco móvel nas plantas. 
Funções do cobalto \u2013 o Co é essencial para a fixação biológica do N2 por bactérias 
fixadoras de vida livre ou por sistemas simbióticos. Em estudos sobre o efeito do Co na 
fixação simbiótica de bactérias do gênero Rhizobium, foi observado