Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


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da sua concentração no meio. 
4.2 ELEMENTOS ÚTEIS 
Neste item, apenas dois elementos serão considerados: o sódio e o silício. 
4.2.1 Sódio 
O teor de sódio em solos lançada intemperização da região tropical úmida é muito 
baixo ou nulo, não constituindo problemas para a agricultura. Nas regiões áridas e 
semiáridas, o Na poderá contribuir com 25% ou mais do total de cátions trocáveis e, 
nestas condições, as plantas cultivadas poderão apresentar problemas de toxide. 
O efeito do Na para plantas varia desde elemento essencial para uma única planta 
halófita \u2013 Atriplex versicaria \u2013 até tóxico para outras. Certo número de membros da 
Elementos Úteis e Elementos Tóxicos 
 
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Chenopodiaceae beterraba forrageira, beterraba, espinafre \u2013 mosram efeitos positivos do 
sódio no crescimento, sempre na presença de níveis adequados de potássio. 
As funções desempenhadas pelo Na em plantas ainda não são bem conhecidas. De 
acordo com MARSCHNER (1986), o papel do sódio na nutrição mineral de plantas 
superiores pode ser considerado como essencial, ou como substituto do K em algumas 
funções \u2013 metabólicas e osmóticas. A essencialidade do Na como um micronutriente foi 
estabelecida para a Atriplex versicaria. Esta holófita, quando crescendo em meio pobre 
em Na (abaixo de 0,1 \uf06dM), mostra sintomas de deficiência caracterizando como clorose e 
necrose foliar e pequeno crescimento, mesmo sob condições de altos níveis de K. 
Respostas semelhantes a Atriplex versicaria à aplicação de Na têm sido obtidas 
para outras halófitas, todas sendo consideradas espécies que realizam a fotossíntese 
através do ciclo C4. Para alguns autores, o Na é um micronutriente para plantas C4 e não 
para as C3, mas o mecanismo de sua atuação ainda não é bem conhecido. Parece que o 
Na estaria envolvido na transferência de metabólitos entre os cloroplastos das células do 
mesófilo e da bainha vascular das plantas C4. A despeito destes resultados, segundo 
MARSCHNER (1986) uma generalização das funções do Na destas espécies C4 
natrofílicas, para outras C4 natrofóbicas como o milho e o sorgo é ainda questionável. 
Relata-se também que a grande resposta em crescimento das halófitas ao Na é reflexo de 
um alto requerimento de sais para a regulação osmótica nestas plantas. 
Os efeitos benéficos do Na em plantas não halófitas são relatados na literatura. 
Aceita-se de modo geral que, dependendo da planta, o Na pode substituir parcialmente o 
K \u2013 talvez em reações enzimáticas, nas quais não haja uma exigência absoluta de 
potássio e, possivelmente, nos seus efeitos puramente osmóticos. Em geral, estas 
espécies de plantas podem ser classificadas em quatro grupos de acordo com as 
diferentes respostas ao Na (Figura 4.1). No grupo A, além do alto grau de substituição do 
K+ pelo Na+, um adicional crescimento é obtido, o qual não seria possível pelo aumento 
do conteúdo de K nas plantas. No grupo B, este efeito substitutivo é menor que no grupo 
A. No grupo C, apenas uma pequena proporção do K pode ser substituído pelo Na sem 
afetar a produção. No grupo D, nenhuma substituição pode ocorrer sem afetar a 
produção. 
 
 
 
 
 
EDITORA - UFLA/FAEPE - Nutrição Mineral de Plantas 
 
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FIGURA 4.1 Esquema tentativo de classificação das culturas de acordo com a 
capacidade de substituição do K pelo Na e o efeito do Na no 
crescimento adicional da planta. Grupo A: membros da 
Chenopodiaceae \u2013 beterraba forrageira, beterraba, nabo, acelga; Grupo 
B: repolho, rabanete, algodoero, ervilha, coqueiro, linho, trigo, 
espinafre; Grupo C: cevada, milheto, arroz, aveia, tomate, batata; 
Grupo D: milho, centeio, soja alface 
 (Lehr, 1953, Marschner, 1971, em MARSCHNER, 1986). 
4.2.2 Silício 
O Si é o segundo elemento mais abundante na litosfera, depois do oxigênio. O Si 
está presente em minerais primários e secundários, com resistências muito diferentes ao 
intemperismo \u2013 máxima no caso do quartzo. 
Com a intemperização dos minerais que contém, o elemento, na solução do solo o 
ácido monossilícico (H4SiO4), isto em pH abaixo de 9,0. O ácido monossilícico sofre 
adsorção por óxidos de Al e de Fe, admitindo-se que o mecanismo seja semelhante ao 
que ocorre com o fosfato. Este fato é um efeito benéfico do Si, visto que a sua adição 
eleva a disponibilidade de P. O adubo termofosfato magnesiano apresenta em torno de 
25% de SiO2. 
Em pH do solo abaixo de 9,0 o Si é absorvido na forma de ácido monossilícico não 
dissociado. O processo parece ser ativo, pois requer energia metabólica e é sensível a 
inibidores metabólicos e à temperatura. O Si é transportado no xilema como H4SiO4 e a 
sua distribuição na planta está diretamente relacionada com a taxa transpiratória das 
diferentes partes da planta. Esta distribuição depende muito da espécie de planta: 
uniforme em plantas que acumulam pouco silício; noutras há maior proporção nas raízes; 
em plantas acumuladoras de Si, como o arroz, cerca de 90% está na parte aérea. A maior 
proporção do Si na planta está na forma de silica amorfa hidratada (SiO2 . nH2O) e assim 
se torna imóvel na planta. 
Elementos Úteis e Elementos Tóxicos 
 
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As diferentes espécies de plantas variam grandemente na capacidade de acumular 
Si nos tecidos, podendo ser divididas em acumuladoras e não acumuladoras. As 
acumuladoras incluem as gramíneas \u2013 por exemplo o arroz \u2013 as quais contém de 10-15% 
de SiO2 na matéria seca; este grupo inclui também alguns cereais, cana de açúcar e 
poucas dicotiledôneas, com teores bem mais baixos, na ordem de 1 a 3%. As não 
acumuladoras são dicotiledôneas, como as leguminosas, com teores menores que 0,5% 
de SiO2. 
Em arroz, o Si se deposita nas células epidérmicas abaixo da cutícula, formando 
uma camada de sílica amorfa. Atribui-se a este fato um efeito benéfico do Si por limitar a 
perda de água por transpiração e dificultar a infecção por fungos na superfície foliar. Os 
resultados de pesquisas com o arroz são muito inconsistentes: alguns mostram efeitos 
benéficos na produção e inclusive aparecimento de sintomas de deficiência do elemento 
quando o mesmo foi omitido do meio; em outros trabalhos nenhum efeito foi observado. 
Um outro efeito benéfico do Si tem sido atribuído ao aumento da tolerância das 
plantas à toxidez de Mn. O efeito não se traduz em menor absorção do Mn \u2013 o que ocorre 
é uma distribuição mais uniforme do Mn na lâmina foliar, impedidndo a formação das 
pontuações marrons, sintoma típico de toxidez de Mn. Já para o arroz inundado, o Si 
aumenta o poder oxidante das raízes, diminuindo a absorção e a toxidez do Fe e Mn. Este 
mecanismo é explicado devido a uma melhor estruturação do aerênquima, 
proporcionando a oxidação destes elementos na superfície radicular, diminuindo a 
disponibilidade e a absorção dos mesmos. 
4.3 ELEMENTOS TÓXICOS 
O excesso de um determinado elemento químico no solo, pode ter diferentes 
origens, citando o próprio material de origem, resíduos urbanos (domésticos e industriais), 
poluição ambiental, adubos orgânicos e químicos. 
A Tabela 4.1. mostra uma composição média do lodo de esgoto, do esterco de curral 
e do composto de lixo urbano quanto aos seus teores em metais pesados. Os valores 
mostram que o lodo de esgoto é o resíduo de maior perigo para a contaminação do solo, 
o qual na maioria das vezes é de caráter irreversível. A Tabela 4.2. mostra o 
enriquecimento do solo com diversos metais pesados após aplicação de 100 ton de lodo 
de esgoto por hectare na Holanda. O cádmio é o elemento que deverá limitar a aplicação 
deste resíduo no solo, de acordo com as quantidades máximas aceitas no solo para 
aquele país. 
Os adubos minerais também possuem pequenas quantidades de metais pesados. 
As rochas fosfatadas