Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


DisciplinaFertilidade, Nutrição e Adubação50 materiais208 seguidores
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cereais, a proteína é pobre em 
lisina que é o primeiro aminoácido essencial em cereais. 
O arroz responde bem à adubação nitrogenada. Análises do teor de proteína em 
seis linhagens cultivadas nas Filipinas indicaram aumentos médios de 7,2 a 9,5% quando 
o nível de N variou de 0 a 150 kg N/ha. Aumentos no teor de proteína não refletem 
necessariamente num melhor balanço de aminoácidos essenciais. Em geral, quando 
ocorre um aumento no teor de proteína, diminui o conteúdo de lisina. O beneficiamento e 
o polimento do arroz retira grande parte da proteína do grão. A Tabela 5.5. mostra que o 
aumento das doses de N promovem um incremento na produção de proteína (kg/ha) em 
três cultivares de arroz irrigado. O rendimento de proteína e os teores de lisina e treonina, 
quando o arroz foi beneficiado, foi muito menor do que os do arroz integral, o que se 
explica pelo beneficiamento que retira grande parte da proteína do grão. 
 
 
 
Nutrição Mineral e Qualidade dos Produtos Agrícolas 
 
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TABELA 5.5 Efeito de doses de N e do beneficiamento sobre o rendimento de 
proteína (kg/ha) de três cultivares de arroz irrigado (média de 2 anos) 
Nitrogênio Satur Dawn Bluebelle 
(kg/há) Integral Beneficiado Integral Beneficiado Integral Beneficiado 
0 193
a
 159a 176a 140a 206a 167a 
90 320b 251b 299b 214b 306b 241b 
135 358b 272b 338c 236c 346b 267b 
\uf0b7 Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem entre si (5%). 
Fonte: Patrick & Hoskins (1974), em BARBOSA FILHO e FONSECA (1989). 
 
Parece que os efeitos do K na qualidade do arroz são indiretos, por exemplo, 
possibilitando um maior período de enchimento dos grãos com assimilados. Alguns 
resultados têm mostrado que o aumento das doses de K não influenciou o teor de 
proteína no arroz. 
O S faz parte de importantes aminoácidos essenciais (cisteína e metionina). A 
deficiência de S pode reduzir o teor desses aminoácidos nos grãos, o que diminui o valor 
nutritivo do produto. 
Diversos trabalhos demostram que o aumento no teor de proteínas no milho e no 
sorgo, com a adubação nitrogenada, na maioria das vezes, está ligado ao aumento da 
zeina, uma proteína do grupo das prolaminas, de baixa qualidade nutritiva. A adubação 
nitrogenada aumenta a produtividade e o teor protéico no milho (Tabela 5.6), mas, de 
maneira geral, ocorrem alterações no equilíbrio de aminoácidos. Os dados da Tabela 5.7 
mostram os valores de correlação entre a concentração de aminoácidos e o teor total de 
proteína, onde se verifica a correlação negativa e significativa para a maioria dos 
aminoácidos estudados; isto é, o aumento do teor total de proteína levou ao decréscimo 
da concentração de vários aminoácidos, inclusive os essenciais. Em sorgo granífero, 
pesquisas têm mostrado que o teor de proteína druta variou linearmente com a adubação 
nitrogenada no intervalo de 0 a 300 kg H/ha. A equação ajustada permitiu verificar um 
aumento de 1,6 kg de proteína para cada 100 kg de N aplicado. 
 
 
 
 
 
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TABELA 5.6 Efeito da adubação nitrogenada na produção e no teor de proteína no 
milho irrigado 
Doses N Grãos Proteína Aumento proteína 
(kg/há) (kg/ha) (kg/ha) (%) 
0 4.700 352,5 (7,5)
(1)
 - 
88 6.477 550,5 (8,5) 56 
196 7.048 648,4 (9,2) 84 
 (1) O número entre parênteses = % proteína total . 
 Fonte: Arnon (1975), em VASCONCELOS (1989). 
 
Outros nutrientes também afetam a produção total e a qualidade das proteínas nos 
cereais. Portanto, uma adubação balanceada é essencial para aumentar a qualidade e a 
qualidade protéica nos grãos: interações neste sentido têm sido observadas com o N x K 
x N x S. Com relação ao P, é mais aceitável o aumento na produção de proteína por área 
(kg/ha) em consequência do aumento de produção, do que aumento no teor protéico, 
como observado no caso da adubação nitrogenada. 
O feijão (Phaseolus vulgaris L.) é um dos alimentos básicos na dieta do povo 
brasileiro, sendo considerado como a principal fonte de proteína sob o aspecto 
quantitativo e ocupando o terceiro lugar em termos de fornecimento de energia (11,1%), 
sendo apenas suplantado pelo arroz (24,2%) e açúcar (14,2%), da necessidade diária em 
calorias pela população brasileira (SGARBIERI, 1987). Em 150 cultivares existentes na 
coleção do instituto agronômico de Campinas, verificou-se que o teor de proteína bruta (% 
N x 6,25) variou de 19,0 a 34,0%, com média de 25%. A quantidade da proteína do feijão, 
do ponto de vista nutricional, é afetada negativamente pelo baixo conteúdo de 
aminoácidos sulfurados (metionina e cistina), por outro lado, é rica em lisina. Já os cereais 
(milho, trigo) são pobres em lisina, entretanto apresentam níveis adequados dos 
aminoácidos sulfurados, o que permite o equilíbrio na alimentação básica do brasileiro. O 
feijão fornece ainda vitaminas (B1, B2, niacina) e sais mineais como o K, P, S, Na, Ca, Mg, 
Fe. 
 
 
 
 
 
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TABELA 5.7 Correlação entre o teor total de proteína e os teores de aminoácidos 
em grãos de milho 
Aminoácidos r 
Lisina - 0,904** 
Treonina - 0,721** 
Cristina - 0,556* 
Leucina 0,328 n.s. 
Valina - 0,546 n.s. 
Arginina - 0,822** 
Aspártico - 0,824** 
Glicina - 0,902** 
Serina 0,352 n.s. 
Fonte: Keeney (1970), em VACONCELOS (1989).. 
 
O comportamento dos teores de proteína no feijão em relação à adubacão 
nitrogenada tem sido variado (ARF, 1989). O aumento da produtividade sempre ocorre 
com a adubação nitrogenada, mas os teores de proteína, em alguns trabalhos, mostram 
correlação positiva e em outros negativa. É interessante conhecer além da composição 
protéica, a proporção dos aminoácidos essenciais. A Tabela 5.8. mostra que o aumento 
da dose de N promove variações nos teores dos aminoácidos componentes da proteína. 
A maior dose de N aplicada (100 kg/ha) promoveu aumento nos teores de lsina, cistina e 
leucina na proteína dos grãos, enquanto os teores de valina, treonina e metionina 
diminuíram e os demais pouco variaram. 
A soja é outra leguminosa muito importante na alimentação humana e uma 
excelente fonte de protéina e calorias. Apesar de maior quantidade em termos de 
qualidade, a proteína da soja é inferior à dos animais, apresentando, tal como o feijão, 
baixo teor de aminoácidos sulfurados \u2013 metionina e cistina. A soja apresenta um alto teor 
de aminoácidos sulfurados \u2013 metionina e cistina A soja apresenta um alto teor de óleo, 
sendo uma excelente fonte de energia ao organismo (Tabela 5.1.). Além disso, é uma 
razoável fonte de minerais como o Fe, Na e K, bem como de vitaminas. 
 
 
 
 
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TABELA 5.8 Efeito de doses de nitrogênio (NH4NO3) no teor de aminoácidos de 
sementes de feijão cv Aroana, cultivadas em campo 
 Kg N/há 
Aminoácidos 0 50 100 
 (g de aminoácidos/16 g de N) 
Lisina
(1)
 6,69 7,58 7,35 
Arginina 8,92 9,53 8,85 
Ácido aspártico 11,29 7,77 8,45 
Treonina
(1)
 5,27 4,98 4,65 
Serina 5,46 5,33 5,10 
Ácido Glutâmico 12,24 11,73 11,95 
Prolina 2,61 3,42 3,60 
Glicina 3,65 3,71 3,20 
Alanina 3,37 3,57 3,35 
Cistina - - 0,95 
Valina
(1)
 7,73 5,77 4,65 
Metionina
(1)
 2,37 1,32 1,95 
Isoleucina
(1)
 9,44 7,48 9,05 
Leucina
(1)
 10,96 10,31 11,15 
Tirosina 3,76 3,57 3,20 
Fenilalanina 5,65 6,06 5,50 
(1) Aminoácidos essencial. 
Fonte: Carelll et al (1981), em ARF (1989). 
 
Dado às suas funções no metabolismo das proteínas e dos lipídeo,s a aplicação 
principalmente de N, P, K e S aumentam a produtividade da soja, bem como as suas 
qualidades protéica