Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


DisciplinaFertilidade, Nutrição e Adubação49 materiais208 seguidores
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efeito do cálcio sobre a absorção iônica é chamado de efeito \u201cViets\u201d (VIETS, 
1944), que observou que a absorção de outros cátions (K+, p. ex.) era estimulado pela 
presença do Ca2+ em baixas concentrações no meio. 
A Figura 2.1.4. ilustra bem o efeito do pH e do cálcio na absorção de K+ por raízes 
de cevada. Em pH abaixo de 4.0, na ausência de Ca2+ no meio, a membrana perde suas 
características de transporte e de retenção de íons e o efluxo (vazamento) de K+ é 
observado. Na sua presença, o efeito depressivo do H+ foi reduzido, observando-se uma 
absorção líquida positiva (influxo) mesmo em valores de pH extremamente baixos. 
Portanto, a manutenção de um nível adequado de cálcio no solo é necessário para 
garantir, entre outras coisas, a absorção adequada de nutrientes. 
 
 
 
 
 
 
 
Absorção, Transporte e Redistribuição 
 
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FIGURA 2.14 Absorção líquida de K+ nfluenciada pelo pH e presença/ausência de 
Ca2+ na solução externa. (Adaptado de MARSCHNER, 1986) 
2.1.6 Fatores que afetam a absorção iônica radicular 
Uma série de fatores externos (do meio) e internos (da planta) têm sido enumerados 
como influentes no processo de absorção. CLARKSON (1985) enumera diversos 
parâmetros que são utilizados nos modelos matemáticos para explicar a absorção de 
nutrientes do solo, que são distribuídos em vários grupos (Figura 2.15). Um grupo de 
fatores do solo, acrescido da taxa de transpiração da planta, define a taxa à qual um dado 
nutriente chegará à superfície da raiz, condição necessária, como visto, para que um 
nutriente seja absorvido. Neste grupo também estão incluídos parâmetros de distribuição 
de raízes. Um segundo grupo de parâmetros define a taxa de crescimento da superfície 
de absorção, chamados de fatores morfológicos, os quais condicionarão a área ou 
superfície absorvida do sistema radicular. A grande influência de fungos micorrízicos \u2013 VA 
na absorção de P é devido ao aumento da área de absorção. Um terceiro grupo (Vmax, 
Km e Cmin). Portanto, fatores relacionados com a disponibilidade dos nutrientes no solo, 
com as características morfológicas do sistema radicular e com a capacidade de absorção 
(parâmetros cinéticos) pelas raízes, conferem à planta o \u201einfluxo de íons\u201d, capaz ou não 
de atender suas exigências nutricionais. 
 
 
 
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FIGURA 2.15 Esquema dos parâmetros que têm sido usados para elaborar modelos 
matemáticos para explicar a absorção de nutrientes pelas raízes no 
solo (CLARKSON, 1985). 
Os principais fatores (externos e internos) e seus efeitos na absorção iônica 
radicular são apresentados a seguir: 
 
FATORES EXTERNOS 
a. Disponibilidade 
A primeira condição para que o íon M seja absorvido é que o mesmo esteja na forma 
disponível e em contato com a superfície da raiz. Portanto, todos os fatores que afetam a 
disponibilidade, também afetam a absorção, citando-se como exemplos: o teor total do 
elemento no solo; pH; aeração; umidade; matéria orgânica; temperatura; presença de 
outros íons. O aumento da disponibilidade aumenta a concentração de íons na solução e, 
dentro de limites, a velocidade de absorção, como visto na Figura 2.7. 
b. pH 
O pH apresenta um \u201cefeito direto\u201d na absorção pela competição entre o H+ e os 
outros cátions e do OH- com os outros ânions. Como os valores de pH abaixo de 7,0 
(ácido) são mais comuns em solos, o efeito do H+ tem tomado maior importância. Um 
padrão típico da influência do pH externo sobre a taxa de absorção de cátions foi 
mostrado na Figura 2.14, para o K+. Com o aumento da concentração de H+ (abaixamento 
Absorção, Transporte e Redistribuição 
 
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do pH), a absorção de K+ declina drasticamente, principalmente na ausência de Ca2+, 
onde em pH menor que 4,0 ocorre inclusive o efluxo (vazamento) do K+ interno (efeito já 
discutido no item 2.1.5.). 
Entre os valores de pH 4,0 a 7,0 ocorreria a competição entre o H+ e o K+ pelos 
sítios dos carregadores na membrana. Entretanto, é bastante provável que com o 
abaixamento do pH, ou seja, aumento da concentração de H+ no meio externo, a 
eficiência da \u201cbomba iônica\u201d ligada a ATPases de membrana (discutida no ítem 2.1.3.) 
decresce e a absorção passiva de H+ é aumentada (MARSCHNER, 1986). Evidências 
para essa afirmação está na observação do decréscimo do eletropotencial de células 
radiculares de \u2013150 mV a pH 6,0 para \u2013100 mV a pH 4,0; com isso a absorção de cátions 
a pH baixo é inibida. 
Um outro efeito do pH na absorção é denominado de \u201cefeito indireto\u201d; acredita-se 
que nas condições de solo este seja o principal e está relacionado com a disponibilidade 
dos elementos, nutrientes ou não. Pode-se dizer que maior disponibilidade é maior 
concentração de M na solução do solo e, portanto, maior absorção. A Figura 2.16 ilustra 
como o pH influencia a disponibilidade dos elementos no solo. Explicação detalhada deste 
comportamento é apresentada no Módulo 3 deste curso (Fertilidade do solo: Dinâmica e 
Disponibilidade de Nutrientes). A Figura mostra que, tal como acontece com o efeito direto 
do pH, para o efeito indireto a faixa de pH 6,0-6,5 é a mais favorável para o crescimento 
das plantas, visto que nesta faixa a disponibilidade de alguns nutrientes é máxima (caso 
dos macronutrientes) e não limitante para outros (micronutrientes). Aqui está uma das 
razões para a importância da calagem adequada de solos ácidos. 
 
FIGURA 2.16 Relação entre pH e disponibilidade de elementos no solo 
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c. Aeração 
Como visto no ítem 2.1.3. a absorção ativa depende de energia metabólica (ATP) 
originada na respiração. A Figura 2.17 mostra a relação entre a tensão de O2 e a taxa de 
absorção de P por raízes de cevada. Conseqüentemente, a deficiência nutricional é um 
dos fatores que limita o crescimento de plantas em solo (ou substrato) pobre em aeração. 
As práticas que aumentam a aeração do solo como aração, gradagem, subsolagem 
tendem a aumentar, pois, a absorção dos elementos do solo. 
A aeração afeta também a disponibilidade dos nutrientes no solo como, por 
exemplo, a atividade de microorganismos que transformam a matéria orgânica, que 
oxidam NH4
+ a NO3
- e S2- a SO4
2-, formas absorvidas pelas plantas, necessitam de O2. A 
aeração, por outro lado, pode diminuir a disponibilidade do ferro, que é oxidado da forma 
ferrosa para a férrica, menos disponível; o contrário acontece nas condições de menor 
aeração onde o Fe2+ e Mn2+ podem ser acumulados a níveis tóxicos em solos inundados. 
 
FIGURA 2.17 Efeito da tensão de O2 sobre a taxa de absorção de P por raízes 
destacadas de cevada (Hopkins, 1956, em MENGEL & KIRKBY, 1987). 
 
d. Temperatura 
Na faixa de 0 a 30º C a absorção cresce de modo praticamente linear com a 
elevação da temperatura. Isto se explica pelo fato de que dentro de limites há um 
aumento da atividade metabólica da planta, principalmente a intensidade respiratória; o 
que é bem ilustrado na Figura 2.18. 
Absorção, Transporte e Redistribuição 
 
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FIGURA 2.18 Efeito da temperatura sobre as taxas de respiração (\uf0b7), absoção de P 
(\uf0b0) e K (\uf0f0) por segmentos de raiz de milho (Bravo e Uribe, 1981, em 
MARCHNER, 1986). 
e. Umidade 
Não se pode falar em disponibilidade de qualquer elemento em condições de solo 
seco. Para a mineralização do N, S, P, B etc. da matéria orgânica pela atividade 
microbiana, a água é particularmente necessária. A água também constitui-se no veículo 
natural para o movimento dos íons no solo (fluxo de massa, difusão). Como exemplo, 
considera-se o baixo teor de umidade no solo, como um fator preponderante para maiores