Nutricao mineral de plantas
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Nutricao mineral de plantas


DisciplinaFertilidade, Nutrição e Adubação50 materiais208 seguidores
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incidências de \u201cpodridão apical\u201d em frutos de tomate \u2013 um sintoma típico de deficiência de 
cálcio na cultura \u2013 mesmo em solos considerados férteis neste nutriente. Nestas 
condições, quantidades insuficientes de cálcio atingem as raízes por fluxo de massa, 
induzindo à anormalidade. 
 
f. O próprio elemento 
Os elementos são absorvidos com velocidades diferentes, em geral obedecendo à 
seguinte ordem decrescente: 
ânions \u2013 NO3
- > Cl- > SO4
2- > H2PO4
- 
cátions \u2013 NH4
+ > k+ > Na+ > Mg2+ > Ca2+ 
O íon acompanhante, como conseqüência disso, também influencia a absorção do 
seu par: assim, por exemplo, a absorção máxima do NH4
+ ocorrerá quando ele estiver 
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acompanhado de No3
-; a velocidade será mínima se estiver junto com o H2PO4
-. 
g. Interação entre íons 
Como a solução do solo apresenta uma gama altamente heterogênea de íons 
(Tabela 2.6), a presença de um pode modificar a velocidade de absorção de outro de 
duas maneiras: inibição e sinergismo. 
TABELA 2.6 Concentração dos elementos na solução do solo em micromoles/l 
Íon Deficiente Crítica Média 
NO3
-
 10 \u2013 700 200 \u2013 500 9.000 
NH4
+
 0,5 \u2013 400 2 \u2013 1.800 - 
K
+
 1 \u2013 100 3 \u2013 120 800 
Ca
2+
 0,5 \u2013 600 6 \u2013 1.000 1.900 
Mg
2+
 2 \u2013 300 9 \u2013 400 3.100 
H2PO4
-
 0,1 \u2013 12 0,2 \u2013 90 < 1 
SO4
2-
 - 4 1.200 
Cu
2+ (1)
 0,001 0,002 0,01 \u2013 0,6 
Mn
2+(1)
 0,001 \u2013 1 0,001 \u2013 42 0,002 \u2013 70 
Zn
2+(1)
 0,001 \u2013 0,005 0,005 \u2013 0,2 0,003 \u2013 3 
(1) 28-99,8% da concentração dada como complexos orgânicos. 
Fonte: Asher & Edwards (1978) em MALAVOLTA et al., (1989). 
Inibição \u2013 consiste na diminuição da absorção de M devido à presença de outro; é 
\u201ccompetitiva\u201d quando os dois elementos M e I (inibidor) se combinam com o mesmo sítio 
do \u201ccarregador\u201d na membrana; é \u201cnão competitiva\u201d quando a ligação se faz com sítios 
diferentes. No primeiro caso, o efeito do I pode ser anulado aumentando-se a 
concentração do M; o que não acontece no segundo caso. Um exemplo tradicional de 
inibição competitiva é observado entre o Ca, Mg e K (Tabela 2.7). Portanto, a manutenção 
de teores equilibrados destes cátions no solo através de calagem e de adubação 
adequadas, é um princípio básico para se evitar a indução de deficiência de alguns deles 
nas culturas por este processo. 
TABELA 2.7. Efeito do K+ e do Ca2+ sobre a absorção do 28Mg2+ por plântulas de 
cevada (concentração de cada cátion = 0,25 meq/l) 
 Mg
2+
 absorvido (meq/10 g raiz fresca . 8 h) 
Parte planta Mg Cl2 MgCl2 + CaSO4 MgCl2 + CaSO4 + KCl 
Raiz 165 115 15 
Parte aérea 88 25 6,5 
Fonte: Schimansky (1981), em MARSCHNER (1986). 
 
Absorção, Transporte e Redistribuição 
 
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Ocorrendo inibição há mudanças na transformação de Lineweaver & Burk, que 
passa a ser: 
 Competitiva: 
1 1 1
1
v Vmax
Km
Vmax M
I
KI
\uf03d \uf02b \uf0d7 \uf02b
\uf0e6
\uf0e8
\uf0e7
\uf0f6
\uf0f8
\uf0f7
[ ]
[ ]
 
onde: 
[ I ] = concentração do inibidor 
Ki = constante para dissociação do complexo carregador inibidor 
Não competitiva: 
 
1 1
1
v Vmax
Km
Vmax M
I
KI
\uf03d \uf02b
\uf0e6
\uf0e8
\uf0e7
\uf0f6
\uf0f8
\uf0f7 \uf02b
\uf0e6
\uf0e8
\uf0e7
\uf0f6
\uf0f8
\uf0f7
. [ ]
[ ]
 
 
A representação gráfica é dada na Figura 2.19. Como se vê, havendo \u201cinibição 
competitiva\u201d o ponto de intersecção da ordenada permanece o mesmo, mudando apenas 
o coeficiente angular da reta. Neste caso, não há mudança no Vmax, pois aumentando a 
concentração do M o efeito do I é anulado; mas há mudança no Km. Se houver inibição 
\u201cnão competitiva\u201d mudam tanto o ponto de intersecção na ordenada quanto o coeficiente 
angular da reta. Neste caso, há mudança no Vmax, pois aumentando a concentração do 
M o efeito do I é anulado; mas não há mudança no Km. 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 2.19 Transformações de Lineweaver & Burk para inibição competitiva (A) 
e não competitiva (B) 
 
Sinergismo \u2013 a presença de um dado elemento aumenta a absorção de outro; o 
Ca2+ em concentrações baixas aumenta a absorção de cátions e ânions (Efeito Viets) por 
seu papel na manutenção da integridade funcional das membranas, o que tem 
conseqüência na prática da adubação; o Mg2+ aumenta a absorção do fósforo. 
Na Tabela 2.8. aparecem os casos mais comuns de efeitos de um íon sobre a 
absorção de outro. 
Absorção, Transporte e Redistribuição 
 
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TABELA 2.8 Exemplos de efeitos interiônicos 
Íon Segundo Íon Presente Efeito do segundo sobre o primeiro 
Mg
2+
, Ca
2+ 
K
+ 
Inibição competitiva 
H2PO4
-
 Al
3+ 
Inibição não competitiva 
K
+
, Ca
2 
Al
3+
 Inibição competitiva 
H2BO3
-
 NO3
-
,NH4
+
 Inibição não competitiva 
K
+
 Ca
2+
 (alta concentração) Inibição competitiva 
SO4
2-
 SeO4
2-
 Inibição competitiva 
SO4
2-
 Cl
-
 Inibição competitiva 
MoO4
2-
 SO4
2-
 Inibição competitiva 
Zn
2+ 
Mg
2+
 Inibição competitiva 
Zn
2+
 Ca
2+
 Inibição competitiva 
Zn
2+
 H2BO3
-
 Inibição não competitiva 
Fe
2+
 Mn
2+
 Inibição competitiva 
Zn
2+
 H2PO4
-
 Inibição competitiva 
K
+
 Ca
2+
 (baixa concentração) Sinergismo 
MoO4
-
 H2PO4
2-
 Sinergismo 
Cu
2+
 MoO4
2-
 Inibição não competitiva 
Fonte: MALAVOLTA et al., (1989). 
 
h. Micorrizas 
Micorriza é o termo que define a associação entre fungos do solo e raízes de plantas 
formando uma simbiose. Maiores detalhes sobre essa simbiose são apresentados no 
Módulo 4 deste curso \u2013 Biologia do Solo (SIQUEIRA, 1993). 
Os principais benefícios das micorrizas sobre o crescimento das plantas são devido 
ao aumento da superfície de absorção e maior exploração do volume do solo pelo sistema 
radicular das plantas. Isto se reflete em maior absorção de nutrientes, principalmente 
aqueles que se movem no solo por difusão, notadamente o P. Este efeito geralmente 
ocorre em condições sub-ótimas de P no solo (teores baixos e médios); em teores muito 
baixos e altos pouco efeito é observado. 
Os resultados da Figura 2.20 mostram que para a mesma produção de grãos (90% 
da produção máxima), a micorrização da soja reduziu em 43% e 23% a dose e o nível 
crítico de P no solo, respectivamente. 
Poucos trabalhos têm estudado o efeito da micorriza nos parâmetros cinéticos de 
absorção (CRESS et al., 1979; KARUNARATNE et al., 1986; FAQUIN et al. 1990 e 
SLVEIRA, 1990) e embora os resultados sejam ainda discordantes, parece que devido ao 
aumento da superfície de absorção o Vmax é maior e o Cmin é menor nas plantas 
micorrizadas, conferindo à mesma maior capacidade de absorção a uma dada 
concentração de P na solução. A Figura 2.21. mostra que tanto por unidade de peso 
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fresco de raiz (A) quanto por planta (B) as plantas micorrizadas, a uma mesma 
concentração de P na solução, apresentaram um influxo líquido médio, respectivamente, 
de 22 a 50% maior que as não micorrizadas. 
 
FIGURA 2.20 Doses de fósforo necessárias para produção de 90% da produção 
máxima de grãos pela soja micorrizada (M) e não micorrizada (NM) - 
*P disponível pela resina. (FAQUIN, 1988) 
 
 
 
 
 
 
 
Absorção, Transporte e Redistribuição 
 
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FIGURA 2.21 Influxo líquido de P: (A) por unidade de raiz fresca (gramas); (B) por 
planta, influenciado pela micorrização (M-micorrizada; NM-não 
micorrizada), em plantas de soja cultivadas em condições sub-
ótimas de P. (FAQUIN, 1990) 
FATORES INTERNOS 
Potencialidade genética 
Embora as raízes das plantas absorvam todos os elementos (nutriente ou não) que 
estiverem em forma disponível