Aspectos de Direito Coletivo do Trabalho
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Aspectos de Direito Coletivo do Trabalho


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pertencerá o empregado, sempre, à sua própria categoria. Quanto a aplicação das normas coletivas, dependerá de o empregador ter participado da negociação coletiva.[5]
4.1.3. Contribuição sindical obrigatória
Anteriormente conhecida como imposto sindical está prevista no art. 579 da CLT que ainda está em vigor. É compulsória, devida independentemente de filiação, manifestação de vontade ou concordância do trabalhador ou empregador. É devida pelo simples fato de fazer parte de uma determinada categoria profissional ou econômica.
4.1.4. Competência normativa da Justiça do Trabalho
Possibilidade dos Tribunais Trabalhistas criarem normas para determinada categoria, através do julgamento dos dissídios coletivos (sentenças normativas).
Existente somente no Brasil é criticada pela doutrina internacional e atualmente pela nacional.
Solução do regime fascista que inibe greve e não condiz com a moderna doutrina neoliberal de autocomposição das disputas coletivas.
Desestimula o desenvolvimento de um sindicato autêntico, porque atribui ao Estado a solução dos conflitos que poderia ser realizado somente pelas partes ou com a intervenção de mediadores e árbitros.
Estudaremos mais aprofundadamente o tema no último capítulo.
4.1.5. Representação classista na justiça do trabalho
Foi eliminada com a Emenda Constitucional nº 24/99.
Também era vista como resquício do velho sistema corporativista, pois mantinha a representação corporativa no seio do Estado.
4.2. Convenção 87 da OIT
Versando sobre liberdade sindical, a Convenção 87 da OIT faz diversas previsões, como segue.
Direito de constituir, sem autorização prévia do Estado organizações de sua escolha, bem como o direito de se filiar a essas organizações, sob a única condição de observar seus estatutos.
Empregadores e trabalhadores poderão escolher entre a unidade ou a pluralidade sindical.
O direito de filiar-se e o de retirar-se do sindicato.
Liberdade das organizações de elaborar seus estatutos e regulamentos administrativos, de eleger livremente seus representantes, sem qualquer interferência do Estado
As autoridades públicas devem abster-se de qualquer intervenção que possa limitar esse direito ou entravar seu exercício legal
As organizações não estão sujeitas à dissolução ou suspensão por via administrativa
As organizações terão o direito de constituir federações e confederações, bem como filiar-se a essas e às organizações internacionais.
As organizações para aquisição da personalidade jurídica não poderão estar sujeitas a condições que possam restringir o direito de associação.
5. Estrutura sindical brasileira
A estrutura sindical está estabelecida no art. 8º IV da CF e art. 511 e seguintes da CLT. É chamado sistema confederativo. Não é um sistema hierarquizado, mas de coordenação.
O artigos 534 e 535 da CLT definem, respectivamente as Federações e as Confederações. O artigo 511 da CLT define os Sindicatos.
As centrais sindicais não integram o sistema confederativo e foram regulamentadas e definidas pela Lei n° 11.648/2008.
5.1. Enquadramento sindical
Como dito anteriormente, no Brasil há o enquadramento sindical por categorias distintas e paralelas. A determinada categoria econômica corresponde determinada categoria profissional.
Luciano Martinez, em sua obra Curso de Direito do Trabalho: relações individuais, coletivas e sindicais do trabalho, cita Ronaldo Mancuso, que esclarece que sob o ponto de vista sociológico e político \u201cCategoria é o conjunto de pessoas que gozam, pela condição comum em que se encontram, da mesma posição com relação aos direitos e deveres políticos.\u201d São integrantes da mesma categoria, por exemplo, industriários, comerciários e bancários no segmento dos trabalhadores e os donos da indústria, os comerciantes e os banqueiros, no segmento dos empregadores.
É importante frisar que o enquadramento dos Sindicatos gira, portanto, em torno do princípio que em função da categoria econômica se cria a categoria profissional.
Se a empresa possui mais de uma atividade econômica seu enquadramento se dá pela atividade predominante.
5.2. Base territorial
Base territorial, como já dito,  é a extensão do território brasileiro sobre a qual o sindicato exerce o poder de representação. A base territorial mínima dos sindicatos é o município.
5.3. Sindicatos
 Definido no art. 511 da CLT, os sindicatos são pessoas jurídicas de direito privado. Associações formadas pelos sujeitos das relações de trabalho (empregados ou empregadores) para o estudo, a defesa e a coordenação de interesses econômicos e profissionais daqueles que exerçam a mesma atividade ou profissão.
Formam-se a partir da inscrição dos seus atos constitutivos no Cartório de Registro Civil e, posteriormente, no Ministério do Trabalho e Emprego, para fins de controle da unicidade sindical.
Possuem três órgãos, a diretoria, o conselho fiscal e a assembléia geral.
A administração dos sindicatos é exercida pela diretoria e o conselho fiscal, cujos membros são eleitos pela assembléia geral.
A assembléia geral é órgão deliberativo. Responsável pela criação da própria entidade sindical e que delibera sobre as mais importantes matérias do sindicato. Elege a diretoria e o conselho fiscal.  A assembléia geral submete-se, é claro, às previsões do estatuto.
Os sindicatos têm diversas funções, como veremos a seguir.
Função de representação - É a mais importante, pois por conta dela, falam em nome da categoria, com o propósito de defender e coordenar seus interesses. Em dois campos de atuação, o extrajudicial e o judicial.
Atuam extrajudicialmente perante autoridades administrativas. E judicialmente através da representação e substituição processual,
 Função negocial \u2013 É a segunda mais relevante função sindical. Visa a produção de direitos suplementares, mais vantajosos, aos previstos em lei. Podem por isso, celebrar acordos e convenções coletivas.
Função econômica \u2013 É vedada atividade econômica, segundo o art. 564 CLT.
Função política \u2013 A CLT vedava atividade política, como se verifica do art. 521, porém entende-se que quando atua politicamente está representando os interesses da categoria e também de que a política faz parte da vida social. A própria institucionalização das centrais sindicais evidenciou o papel políticos das entidades sindicais.
Função assistencial \u2013 Diversas previsões na legislação.
5.4. Federações
As Federações são consideradas entidades sindicais de segundo grau.
A base territorial equivale ao do estado federado.
É a associação de cinco ou mais sindicatos que tem como atividade maior coordenar as atividades dos sindicatos a ela filiados.
As Federações além de coordenar as atividades os sindicatos associados têm como atribuição celebrar acordos e negociações coletivas quando inexistir sindicato em determinada base territorial.
5.5. Confederações
Também são consideradas entidades sindicais de segundo grau.
São associações de âmbito nacional de no mínimo três federações tendo como objetivo organizá-las. Têm sede em Brasília.
Outro importante papel destas entidades é opinar sobre o registro de sindicatos e federações.
5.6. Centrais sindicais
São entidades associativas compostas por organizações sindicais de trabalhadores e têm o objetivo de coordenar a representação operária e participar de negociações em fóruns e colegiados nos quais estejam em discussão interesses dos trabalhadores.
Exercem importante papel na sociedade, buscando melhores condições de trabalho. Existem diversas centrais sindicais, de âmbito nacional abrangendo várias categorias e profissões. Embora existam de fato desde o início dos anos 80, a efetiva regulamentação das centrais sindicais ocorreu tão somente em 2008, através da Lei 11.648.[6]
5.7. Receitas dos sindicatos
Luciano Martinez faz um esclarecedor quadro das receitas sindicais :
 
5.7.1. Contribuição sindical
Era chamada imposto sindical. Compulsória para todos que pertencem à categoria, tem natureza tributária.
Prevista no art. 578/610 da CLT e confirmada pela parte final do art. 8º, IV da Constituição