Portugues com exercicios
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Portugues com exercicios


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Então, por que tanta gente tem dificuldade em 
escrever o nome do profissional que cuida do cabelo das pessoas? 
Alguém arrisca um palpite aí? Vamos seguir o raciocínio de PALAVRA 
ORIGINÁRIA / PALAVRA DERIVADA. A partir da palavra originária 
cabelo, formam-se as demais. O conjunto de cabelos da cabeça é 
chamado de cabeleira (CABEL + -EIRA, sufixo latino que indica, dentre 
outras coisas, o conjunto ou acúmulo de elementos). O profissional que 
cuida da cabeleira de alguém é cabeleireiro (CABELEIR + o mesmo 
sufixo \u201cEIRO\u201d, desta vez indicando o praticante de certo ofício, profissão 
ou atividade). Agora, dê uma volta no seu bairro e perceba a quantidade 
de \u201ccabelereiro\u201d ou \u201ccabeleleiro\u201d que há por aí. Um profissional zeloso, 
na dúvida, escreve \u201csalão de beleza\u201d. Só não deve cometer o deslize de 
colocar na porta de seu estabelecimento uma placa com os seguintes 
dizeres: \u201cCorto cabelo e pinto\u201d (como vi em uma mensagem virtual), 
pois a ambigüidade pode afastar eventuais clientes. 
Algumas regras ajudam a entender o processo de formação de algumas 
palavras, mas o que ajuda mesmo a fixar a grafia é a memória visual. 
Quem tem filho pequeno já percebeu como faz uma criança que acabou 
de ser alfabetizada: ela tem sede de ler tudo o que passa na sua frente, 
de out-door a embalagem de biscoito. Vai juntando sílaba por sílaba até 
identificar a palavra e a ela liga o significado. Com o tempo, nos 
acostumamos a ler \u201co conjunto\u201d, a \u201cfigura\u201d que a palavra forma. 
Identificamos a grafia de uma palavra em seu todo, não lemos mais 
letra por letra, sílaba por sílaba, a não ser que a palavra seja totalmente 
desconhecida para nós. 
Você é capaz de ler rapidamente as palavras que já conhece, ao passo 
que, as demais, precisa ler com mais cuidado. 
Desafio: leia INEXPUGNABILIDADE. Confesse: você leu \u201cde primeira\u201d 
ou teve de juntar as letrinhas? Mais outra: INEXTINGUIBILIDADE 
(essa tive de digitar aos poucos pra não errar... e você, ao ler, 
pronunciou ou não o u do dígrafo gui ? Viu algum trema ali? Daqui a 
pouco veremos se você leu certinho...). 
Por que esse \u201cblá-blá-blá\u201d todo? Para que você não caia nas 
\u201cpegadinhas\u201d tradicionais de algumas bancas. Elas omitem acentos 
(especialmente na letra \u201ci\u201d), trocam as letras, colocam uma palavra 
parecida ou até inventada, desde que com o mesmo som (\u201csubexistir\u201d, 
no lugar de \u201csubsistir\u201d, em uma questão da ESAF). Ao ler com pressa, o 
cérebro identifica a palavra correta e seu significado, sem que perceba a 
alteração feita pelo examinador. Por isso, nas questões em que a banca 
pede para marcar o número de erros de ortografia, é necessário ler 
diversas vezes o texto até identificar TODOS os erros. 
O estudo da ORTOGRAFIA abrange: 
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1 - EMPREGO DE LETRAS (s/z; sc/sç/ss; j/g; izar/isar; etc); 
2 - ACENTUAÇÃO GRÁFICA; 
3 - USO DE OUTROS SINAIS DIACRÍTICOS (principalmente o HÍFEN e o 
TREMA). 
 
EMPREGO DE LETRAS 
O alfabeto da língua portuguesa compõe-se de 23 letras. Além dessas, 
existem o K, o W e o Y, que não pertencem ao nosso alfabeto, e só se 
empregam nos seguintes casos: 
a) em abreviaturas e como símbolos de uso internacional: Km 
(quilômetro). 
b) em palavras estrangeiras, não aportuguesadas: Know-how, show. 
c) em nomes próprios estrangeiros e seus derivados: Byron, 
byroniano. 
A letra h é usada apenas: 
a) no início, quando etimológico: herbívoro 
(derivada de herba = erva). 
b) nos dígrafos CH, LH, NH: chave, malha, minha. 
c) no final, em interjeições: ah! ih! 
d) quando o segundo elemento, iniciado por h, se une ao primeiro 
(prefixo) por meio de hífen: anti-higiênico. Palavras com prefixo sem 
hífen perdem o h desonesto, desabitado. 
 
A seguir, vamos apresentar alguns empregos específicos de letras, que 
podem auxiliar o aluno na identificação da grafia correta. 
O USO DO... 
¾ - ês/- esa e - ez/- eza 
- ês/esa: vocábulo que indica naturalidade, procedência. Exemplos: 
camponês, holandês, princesa, inglesa, calabresa (Calábria), milanesa 
(Milão) 
- ez/eza: substantivos abstratos derivados de adjetivos. Exemplos: 
acidez (ácido), polidez (polido), moleza (mole). 
Por isso, a partir de agora, escolha o restaurante a partir do cardápio. 
Se uma das opções for \u201cpizza CALABREZA\u201d, você poderá ter uma 
indigestão vocabular! 
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¾ - isar/ - izar 
Nesses casos, segue a regra da PALAVRA ORIGINÁRIA / PALAVRA 
DERIVADA. Se o vocábulo já apresenta a letra \u201cs\u201d, essa letra é mantida 
no sufixo. 
- isar: pesquisa/pesquisar; análise/analisar; paralisia/paralisar; 
improviso/improvisar. 
Se não havia a letra \u201cs\u201d na palavra originária, o sufixo recebe a letra \u201cz\u201d. 
- izar: ameno/amenizar; concreto/concretizar. 
A única exceção fica por conta da palavra: catequizar, que é derivada 
de catequese. 
 
¾ s: 
a) nos sufixos nominais \u201c-OSO(A)\u201d (indicativo de \u201ccheio de\u201d, \u201crelativo a\u201d 
ou \u201cque provoca algo\u201d) e \u201c-ISA\u201d (gênero feminino): gostoso, apetitoso, 
afetuoso, papisa, poetisa; 
b) verbos formados de vocábulos terminados em s, em decorrência da 
regra \u201cPALAVRA ORIGINÁRIA / PALAVRA DERIVADA\u201d: 
pesquisa/pesquisar; análise/analisar. 
c) após ditongo: coisa, deusa. 
d) nos adjetivos pátrios terminados em ÊS: regra já mencionada no 
item \u201ca\u201d: inglês, francês. 
e) nas flexões dos verbos PÔR e QUERER e seus derivados: quiser, pus, 
quis. 
f) quando a um verbo com a letra d no infinitivo corresponder um 
substantivo com som de /z/: iludir/ilusão; defender/defesa; 
aludir/alusão 
 
¾ x: 
a) depois de ditongo: feixe, peixe, frouxo. 
b) geralmente depois da sílaba inicial EN (exceto nos casos em que se 
aplica a regra \u201cPALAVRA ORIGINÁRIA / PALAVRA DERIVADA\u201d \u2013 ver o 
próximo caso): enxugar, enxovalhar, enxoval, enxofre. 
c) em palavras de origem indígena ou africana: abacaxi; 
d) após sílaba inicial me- (exceção: mecha): mexerica, mexer. 
 
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¾ ch: após sílaba inicial en- + palavra iniciada por ch: encher 
(cheio), encharcado (charco) 
 
¾ ç: 
a) substantivos e verbos relacionados a adjetivos e substantivos que 
têm \u201cto\u201d no final: direto /direção; exceto /exceção; correto /correção; 
b) Substantivos e adjetivos relacionados ao verbo TER (e derivados): 
detenção (deter), retenção (reter), contenção (conter); 
 
Esses dois últimos casos nos levam à apresentação da regra do 
paradigma (que funciona na maior parte das vezes). 
Na dúvida com relação à grafia de uma palavra que sofreu algum 
processo de transformação (substantivo derivado de verbo ou 
substantivo derivado de adjetivo), busque a grafia de outra palavra 
conhecida sua (que servirá de paradigma), tomando o cuidado de 
observar se esta sofreu o mesmo processo daquela. Aquilo que 
aconteceu com uma irá acontecer com a outra também. 
Veja os exemplos. 
compreender -> compreensão / pretender -> pretensão 
permitir -> permissão / emitir -> emissão 
conceder -> concessão / retroceder -> retrocessão 
Cuidado!!! EXCEÇÃO é derivado de EXCETUAR \u2013 e não de EXCEDER. 
Deve ser esse o motivo de tanta gente fazer confusão. 
 
EMPREGO DO HÍFEN 
Usa-se o hífen: 
1. nas palavras compostas em que os elementos da composição têm 
acentuação própria e formam uma unidade significativa: guarda-
roupa, beija-flor, bem-te-vi; 
2. com a partícula denotativa eis seguida de pronome pessoal átono: 
eis-me, eis-vos, eis-nos, ei-lo (com a queda do s); 
3. nos adjetivos compostos: surdo-mudo, afro-brasileiro, sino-luso-
brasileiro; 
4. em vocábulos formados por prefixos que têm acentuação: pré-
história, pós-operatório, pró-socialista;