Semiologia Veterinária, EV   UFMG, 2015
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Semiologia Veterinária, EV UFMG, 2015


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sístole ou durante a diástole? 
- Sede: em qual foco? P?A?M?T? 
- Propagação: pela corrente sanguínea (é diferente da ressonância) 
- Som: intensidade (forte ou fraco, geralmente o sopro é mais forte na estenose quando 
comparado à insuficiência); tonalidade (alto ou baixo, o som da estenose é mais alto 
quando comparado à insuficiência), se tem ressonância; timbre (sopro na estenose é 
mais suave, na insuficiência é mais áspero). 
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Tipo: Orgânico: provocado por lesão de orifício. Ex: estenose 
 Anorgânico: provocado por diminuição da viscosidade do sangue 
 Funcional: desaparece com o exercício} defeito muscular (sequela comum da 
Febre Aftosa. 
 
*Estenose: defeito na abertura da válvula 
Insuficiência: defeito no fechamento da válvula 
 
 
Sons Extracardíacos: 
- Atrito pericárdico: atrito das lâminas (parece ruído de atrito de tecidos). Causa: 
pericardite em fase aguda. 
- Ruído de roda d\u2019água: exsudato no saco pericárdico. Causa: pericardite (som de 
chacoalhar líquido dentro de um saco). 
Graduação do Sopro Cardíaco 
Grau I: baixa intensidade que pode ser auscultado apenas após alguns 
poucos minutos de ausculta e sobre uma área bem localizada. 
Grau II: sopro de baixa intensidade, identificado após a colocação do 
estetoscópio. 
Grau III: sopro de intensidade moderada, audível logo após a colocação do 
estetoscópio, e que se separa uma ampla área de ausculta, mas que não 
produz frêmito palpável. 
Grau IV: sopro de alta intensidade que é ouvido em uma ampla área, sem 
frêmito palpável. 
Grau V: sopro de alta intensidade que gera um frêmito palpável 
Grau VI: sopro de alta intensidade suficiente para ser auscultado estando o 
estetoscópio apenas próximo à superfície torácica e que gera um frêmito 
facilmente palpável. 
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\uf0b7 Métodos Auxiliares de exploração: 
Punção exploratória do pericárdio: para fazer biópsia, coletar materiais. 
 
Provas de sensibilidade dolorosa: 
- Golpeamento da área cardíaca com a mão fechada 
- Teste de Götize: área cardioreticular 
- Reflexo víscero-cutâneo 
 
Exame da Circulação Periférica: 
\uf0b7 Artérias examináveis: 
Pequenos animais: femoral (eleita na rotina), digital comum 
Bovinos: coccígea média (na rotina), facial, digital comum e aorta abdominal (palpação 
interna) 
Equinos: mediana, ramo mandibular da artéria facial e ramo orbital da artéria facial, 
digital comum e aorta abdominal. 
 
Examinar artérias é examinar o pulso. 
Pulso arterial: método de exploração semiológica: Palpação. 
 
 Frequência de Pulso 
Equinos 28-40 ppm 
Bovinos 40-80 ppm 
Gatos 100-130 ppm 
Cães 60-130 ppm 
 
Frequência de pulso não é a mesma da frequência cardíaca. Elas coincidem, mas não 
são a mesma. A medida que você examina um maior número de vezes, mais fácil de 
notar que são diferentes. 
 
Alterações da frequência do pulso: 
- Fisiológicas: exercício, gestação, etc 
- Patológicas: anemia, febre, venenos, etc. 
- Aumento: taquisfigmia 
- Diminuição: bradisfigmia 
 
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Parâmetros para a avaliação do pulso: 
- Frequência: número de pulsações por minuto (ppm) 
- Plenitude: dimensão do calibre arterial. Classificado como cheio (normal) e vazio 
(anemia, hemorragia, insuficiência cardíaca) 
- Amplitude: altura do pulso percebida pelo dedo. Relacionado com a diferença entre a 
pressão sistólica e diastólica. Classificado como amplo (insuficiência aórtica), pequeno 
(estenose aórtica). 
- Dureza ou tensão: grau de pressão para fazer desaparecer a pulsação. Classificado 
com pulso duro (hipertensão, nefrite crônica, tétano) e pulso mole (hipotensão, 
insuficiência cardíaca) 
- Celeridade: velocidade com que a artéria se expande e se retrai. Classificado como 
célere (insuficiência aórtica) e pulso tardio ou lento (estenose aórtica). 
 
\uf0b7 Veias examináveis: 
Pequenos animais: Jugulares, braquicefálicas, safenas 
Equinos: Jugulares 
Bovinos: Jugulares e veia epigástrica cranial superficial (veia mamária). 
[Lembrar de sempre examinar a esquerda e a direita]. 
 
Métodos de exploração semiológica: 
 
1. Inspeção: 
Integridade, calibre (é muito importante, pois quando está muito aumentado indica 
estase venosa). 
 
- Prova de estase da jugular: o objetivo é identificar dificuldade no fluxo de sangue. Se 
o animal já tem estase (aumento do calibre = veia ingurgitada), fazer a prova da estase 
da jugular do mesmo jeito! Ela não é para avaliar estase, e sim, avaliar o fluxo. Fluxo 
normal: faz o garroteamento e vai ter ingurgitamento somente anterior ao dedo. 
Animal com estase: a veia ingurgita antes e depois do dedo. Observo a velocidade com 
que ocorre o fluxo e estimo a dificuldade do retorno venoso (vai estar diminuído e com 
acumulo de sangue). Essa dificuldade de retorno venoso pode ser por insuficiência ou 
estenose da válvula tricúspide, pode ser por estenose da válvula pulmonar, da mitral, 
da aorta, da aorta abdominal, pode ser também no rim. 
2. Palpação: 
Verificar a integridade e sensibilidade venosa (para avaliar flebites) 
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- Prova de pulso venoso: palpação associada a auscultação (lembrar que veias não 
têm pulso). Posiciona-se o estetoscópio em qualquer dos focos de auscultação cardíaca 
e com a outra mão, palpar a veia jugular. Se durante a sístole sentirmos o pulso venoso, 
dizemos que o animal tem pulso venoso positivo. Significa que o animal tem refluxo de 
sangue do ventrículo direito para a jugular. 
Negativo: movimento normal. 
Positivo: o animal tem insuficiência da tricúspide. Devido a insuficiência da tricúspide, o 
sangue não vai todo para o pulmão, parte dele volta para a jugular (ocorre um refluxo). 
Isso causa o pulso venoso, o qual podemos sentir pela palpação, enquanto auscultamos 
a 1ªbulha (sístole). Se coincidirem, o animal é pulso venoso positivo. É característico, 
só ocorre durante a sístole. 
 
O movimento da veia jugular é normal em duas situações: uma contínua (quando o 
coração contrai, ocorre na região da jugular mais próxima do mediastino o movimento 
de ancoramento de sangue no momento em que a tricúspide se fecha, e durante a 
contração da carótida), e outra esporádica (devido ao movimento do esôfago em 
ruminantes durante a regurgitação para remastigar). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Semiologia do Sistema Digestivo 
 
Função Primordial: fazer com que o organismo receba tudo o que ele precisa, ou seja, 
o aporte de nutrientes (nutrição). Tarefas que levam a isso: 
- Coleta do alimento do qual vai extrair os nutrientes; 
- Processar o alimento (as espécies desenvolveram diversos mecanismos). Começa 
pela acomodação do alimento na boca, quebrando o alimento ou armazenando para 
processar depois (no caso de ruminantes, que fazem uma grande coleta de alimento e 
processa tudo posteriormente). 
 
Exame clínico: 
Identificação/Histórico do Paciente: data da consulta, nome, espécie, raça, sexo, idade, 
nome e endereço do proprietário e procedência. 
 
Anamnese: informações sobre o paciente (vacinação, vermifugação), ambiente, dieta 
(sobrecarga ou mudança brusca da dieta, relação volumoso concentrado), início, curso 
e evolução da doença, criação extensiva ou intensiva, características das fezes, número 
de animais afetados, se houve tratamento (doses, princípio ativo, via de administração 
e resposta). 
 
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Exame Funcional: se examina quando ocorre, ou seja, não esperamos chegar no exame 
do aparelho digestivo para examinar a manifestação funcional. Por exemplo, se o animal 
defecar, interrompo o exame que estou fazendo e examino as fezes naquele momento, 
pois pode ser que não se tenha