Semiologia Veterinária, EV   UFMG, 2015
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Semiologia Veterinária, EV UFMG, 2015


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som não é maciço à percussão, pois 
devido à ação de microrganismos, ocorre produção de gás, que atravessa 
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constantemente essa camada. Por esse motivo apresenta som maciço não 
completamente 
- 3ª Camada: pastosa \u2192 alimento que o animal acabou de comer. Som sub-maciço. 
- 4ª Camada: gasosa \u2192 Som timpânico 
Essas camadas ocorrem no repouso, quando ocorre o movimento ruminal, elas se 
misturam e depois retomam os seus lugares. 
 
Funções da ruminação: 
Expor o alimento para ação dos microrganismos e de enzimas. 
Conduzir o alimento até o retículo. 
 
Alterações: 
- Atonia: parada do rúmen. É incompatível com a vida. O animal morre rapidamente por 
insuficiência respiratória. Tem microrganismos dependentes da movimentação do 
rúmen que morrem se cessar a movimentação, e o ruminante é dependente desses 
microrganismos. 
- Hipotonia: diminuição dos movimentos do rúmen/movimentos incompletos. 
 
Movimentos ruminais: são irregulares. Podem ocorrer 13 movimentos em 1 minuto e 
permanecer por 3 minutos sem ter movimento nenhum. Por isso os movimentos 
ruminais são o único parâmetro fisiológico avaliado em 5 minutos. 
Cuidado! Ruminar não é remastigar! Ruminação é a movimentação do rúmen. Quando 
o animal regurgita haverá a remastigação do alimento. 
 
8. Defecação: 
A primeira coisa a levar em conta na avaliação é o comportamento e a postura na hora 
da defecação: 
- O cão procura um lugar isolado do grupo para defecar ou faz onde está? 
- O equino ou bovino defeca andando? 
Padrão podrômico: arqueamento do dorso, concentração, o animal para tudo o que está 
fazendo, elevação da cauda, adiantamento discreto dos posteriores, enrijecimento das 
orelhas. O padrão podrômico são todos os comportamentos que o animal apresenta 
durante um ato fisiológico. Bovinos e equinos que defecam andando, só fazem isso 
porque o homem os obriga. 
 
 
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Alterações: 
- Difícil: dificuldade, desconforto para defecar. 
- Tenesmo: contrações rítmicas muito fortes e excessivas da musculatura retal. Esforço 
improdutivo e repetido de defecação. Não significa defecação dolorosa (disquesia). 
- Frequente: com diarreia (fezes amolecidas) ou sem, devido a irritação intestinal. 
- Ausente: ocorre em muitos casos: 
Anorexia; 
Obstrução intestinal: fecalomas provocando constipação (parada na movimentação 
intestinal normalmente acompanhada de fecalomas); 
Volvo, intussuscepção, torção. 
Junto com as primeiras fezes quando o animal volta a defecar, vem grande quantidade 
de muco, que foi produzido pela mucosa intestinal e foi se acumulando. 
- Involuntária: problemas nos centros que controlam os esfíncteres, ou alterações 
locais como lesões que causam perda de controle sobre os esfíncteres. 
- Flatulência: eliminação de gases por via retal. Em ruminante é indicativo de doença 
grave, pois estes em estado normal não têm flatulência. Quando introduzimos a mão no 
reto do animal durante a palpação retal, levamos gás (pneumorreto), que depois é 
eliminado, mas isso não é flatulência! 
- Disquesia: defecação dolorosa. Pode estar acompanhada de tenesmo, defecação 
difícil (pode ter disquesia acompanhada de defecação difícil causada por tenesmo). Mas 
pode também estar sozinha. 
- Diarréia: aumento do volume fecal, da frequência de defecação e do conteúdo líquido 
nas fezes. 
 
9. Vômito: Involuntário. 
Sintoma que denuncia um quadro de enfermidade. Não confundir com regurgitação, que 
é uma ferramenta utilizada para sobrevivência. 
Desconforto, ansiedade, sudorese. Identificar primeiro a sua origem. 
Origem: 
Central: algo estimula o centro do vômito. Ex: encefalites meningites, hipertermia na 
febre, insuficiência renal. 
Periférica: algo acontecendo no estômago ou intestino, causando desconforto, irritação 
(algo que comeu e causou irritação). 
Mista. 
 
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O vômito é sempre involuntário, enquanto a regurgitação é sempre voluntária. Na 
regurgitação, o animal escolhe um local seguro longe de outros animais para regurgitar, 
deita ao lado do material para vigiar ou esconde para comer com mais calma depois (o 
alimento sai em bolus não digeridos). O vômito ocorre em qualquer lugar, a qualquer 
momento. É precedido por ansiedade, desconforto, sudorese, contrações abdominais 
desordenadas (mímica) e o alimento sai em jatos e não em bolus. Este é o padrão 
podrômico do vômito. 
 
Parâmetros para a avaliação: 
- Frequência: o animal vomita quantas vezes ao dia? Algumas doenças causam 
episódios de vômito frequentes. 
- Momento: perguntas: acabou de comer e vomita? Ou vomita após um tempo? Na hora 
de beber água? Após beber água? Durante o exercício? 
- Odor: acre, pútrido, odor específico de alguma coisa (ex: sabonete, cetônico). 
- Aspecto: variado 
- Cor: variado. 
Hematêmese: presença de sangue no vômito. 
 
10. Regurgitação: 
Ao contrário do vômito, é voluntária. Ocorre em ruminantes, carnívoros e aves. 
 
Exame físico do Sistema Digestivo: 
Relembrando... 
Qual é a diferença entre exame físico e exame clínico? 
O exame clínico inclui todas as etapas, começando pela identificação/histórico, 
anamnese e depois é que vem o exame físico. O exame físico é, portanto, uma etapa 
do exame clínico. 
 
O abdômen tem importância como entidade clínica separadamente, assim como o tórax, 
observando o seu contorno, forma, integridade. 
 
- Boca: 
1. Inspeção: 
- Lábios: integridade, simetria (assimetria pode ocorrer devido à paralisia do nervo facial 
e causar ptose = paralisia da musculatura dos lábios e parece que o lábio está caindo 
de um lado). 
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- Mucosa: integridade, coloração (mucosas amareladas, por exemplo, decorrem do 
acúmulo de bilirrubina nos tecidos, podendo ser de origem hepática). Muitas lesões por 
fungos, actinobacilose (formam pústulas e pequenos abcessos), placas diftéricas, 
lesões devido ao movimento dos dentes, interferem na integridade da mucosa. 
- Dentes: Presença, desgaste, integridade, tártaros, se estão muito gastos e quebrados, 
número de dentes. A saúde deles é fundamental porque são responsáveis pela 
particularização do alimento se o alimento não for particularizado do alimento. Se o 
alimento não for particularizado, a função digestiva fica comprometida: o animal não vai 
aproveitar adequadamente os nutrientes, podem ocorrer perda de peso. 
Arrasamento de dentes: gasto normal. 
Obs.: Equinos: o movimento de lateralidade para mastigar provoca desgastes, que 
formam cristas laterais nos molares, os quais são agentes de ferimentos da parte interna 
da boca. Periodicamente é necessário medicar o animal e grosar os dentes (fazer a 
correção) para evitar ferimentos que impeçam que o animal se alimente. 
Cães: a maior preocupação são os tártaros, causados principalmente ela modificação 
da alimentação. 
- Odor: indicativo de doença periodontal, patologias internas (estômago, rúmen). 
- Língua: tônus, habilidade em pegar alimentos, integridade, movimentação. Ferimentos 
na língua podem impedir o animal de mastigar adequadamente, interferindo também na 
deglutição. Olhar a integridade na face dorsal e ventral, e tônus da língua (força que a 
língua faz na nossa mão). 
 
- Faringe: 
Exame do fundo da boca. 
1. Inspeção: 
Integridade (a mucosa da faringe sofre lesões dependendo da natureza do alimento, e 
isso pode provocar problemas na deglutição, o que leva ao emagrecimento e 
inapetência). Observar: lesões traumáticas, placas diftéricas, tumores, abcessos, 
papilomas. 
Principalmente em pequenos animais, observar as tonsilas palatinas, rânula (aumento 
sacular da glândula salivar que ocorre somente em pequenos animais), e as glândulas 
salivares (nos cães,