Semiologia Veterinária, EV   UFMG, 2015
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Semiologia Veterinária, EV UFMG, 2015


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submandibular, sublingual, zigomática e parótida). 
Em grandes animais: inspeção direta usando um tubo e lanterna (laringoscopia), 
observando a faringe, epiglote e a parte rostral da língua. 
Em pequenos animais: abrir a boca e observar o fundo. 
 
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2. Palpação: 
Amígdalas 
Glândulas salivares: rânula é a obstrução de ductos salivares com aumento de volume 
na região submandibular, presente apenas em cães. 
A palpação é feita principalmente em grandes animais. 
 
- Esôfago: 
1. Inspeção: 
- Externa: trajeto do esôfago no sulco da jugular. Observar a integridade. 
- Interna: só com metodologia auxiliar. Ex: endoscopia. 
 
2. Palpação 
- Externa: grandes animais palpam-se com as duas mãos. 
- Interna: é obrigatória em ruminantes, pois devido à natureza do alimento que eles 
comem, a possibilidade abrasiva da musculatura da faringe e esôfago é muito grande. 
Dependendo do período em que o animal está vivendo (imunossupressão, falta de 
alimentos, etc), e da idade do animal, ele pode desenvolver nódulos, tumores e 
carcinomas, comprometendo a passagem de alimento, ou resultando em obstrução 
parcial e até obstrução total do esôfago (isso por causar um timpanismo recurrente). 
Para isso, faz-se o uso de sondas, e aproveita-se para iniciar o exame do rúmen (coleta 
de material ruminal). 
 
- Abdômen: 
1. Inspeção: 
- Forma: observar o contorno abdominal. Feito em visão posterior em grandes animais 
e em cães coloca-se o animal em pé (não em estação, mas sobre as duas patas 
posteriores. Isso vai sacular todo o líquido presente do abdômen no caso de ascite, 
evidenciando o aumento de volume). 
- Volume 
- Integridade 
 
2. Palpação: 
- Externa: 
Pressionar o abdômen com as mãos espalmadas. Verificar a tensão, sensibilidade, 
conteúdo, integridade, número de movimentos ruminais (nos ruminantes), superfície. 
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Nos pequenos animais, faz-se a palpação dos órgãos internos (mãos espalmadas ao 
longo de toda a parede abdominal). Dividir o abdômen em três partes: epigastro, 
mesogastro e hipogastro. 
Prova de piparote ou balotamento para a identificação de ascite (acúmulo de líquido na 
cavidade abdominal). Obs.: Piparote e Balotamento são testes diferentes! 
Ruminantes: só camadas do rúmen (outros órgãos é difícil fazer a palpação externa, 
devido à grande extensão dos órgãos. 
- Interna: mais frequente em grandes animais por via retal. 
Em bovinos analisar: 
- Mucosa retal: tem que estar lisa. Muitas alterações provocadas por parasitas e 
bactérias (ex: bacilos da paratuberculose, tuberculose, provocam a formação de 
nódulos na parede retal). Limpar adequadamente o intestino grosso para fazer a 
palpação, removendo, inclusive, o ar introduzido. 
- Rúmen: palpar o saco cego dorsal, sentir a movimentação, conteúdo, etc. 
- Rim esquerdo: superfície lobulada no bovino (volume, forma, mobilidade, superfície).- 
Alças intestinais 
- Linfonodos da bifurcação da aorta e íleo-femurais 
- Bexiga: volume (quando vazia, a parede é espessa em enrugada), sensibilidade (se 
tiver cistite ou urolitíase, o animal vai sentir dor), conteúdo (urina, pus, sangue, tumor, 
etc). 
- Genitália interna: primeiro se preocupar com a presença dos órgãos. Identificar a 
genitália em todos os seus componentes, lembrando das alterações patológicas 
possíveis: má-formações, agenesias, aplasia segmentar de trompas uterinas, etc. 
observar também a mobilidade. 
- Aorta abdominal: fazer o exame de artérias: frequência do pulso, intensidade, 
amplitude, dureza, plenitude, celeridade. 
 
Equinos: Mucosa retal 
 Baço 
 Rim esquerdo 
 Alças intestinais 
 Anéis inguinais (abertura pela qual passam os cordões espermáticos no 
macho). 
 Base do ceco 
 Cólon Ventral Esquerdo CVE, flexura pélvica FP, Cólon Dorsal Esquerdo CDE 
\u2013 Somente peritos conseguem identificar cada um. 
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 Bexiga 
 Genitália interna 
 Aorta abdominal 
 
Cães: 
 Pode ser feita com dois dedos ou com apenas um. 
 Mucosa retal 
 Cólon descendente 
 Bolsas adanais 
 Próstata 
 Ossos pélvicos 
 Uretra 
 
Limitações da palpação retal: Só um terço da cavidade abdominal é explorada 
 
3. Percussão: 
O abdômen tem naturalmente em seus órgãos gás, líquido e sólido, e dependendo da 
proporção entre eles, teremos uma resposta sonora diferente na percussão: som 
timpânico, sub-maciço, maciço não completamente. Pode ser feita em todas as 
espécies, mas é mais utilizado em grandes animais. 
Objetivo: perceber se o conteúdo das alças é gás, líquido ou sólido. 
Constipação intestinal: pouca mobilidade intestinal, fezes endurecidas, formando os 
fecalomas. 
Obstipação: quando os fecalomas são muito exagerados, promovendo obstruções 
sérias no intestino. 
Meteorismo abdominal: acúmulo de gás no abdômen. 
 
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Pequenos animais: direta - dígito-digital. 
Grandes animais: indireta - martelo pleximétrica. 
 
4. Auscultação: 
Equinos: Borborigmos \u2013 4 a 8 por minuto 
Avaliar os ruídos intestinais (borborigmos) em relação à freqüência, intensidade, 
duração, amplitude, se os movimentos estão completos, presença de gás, presença de 
líquido, presença de espasmos. 
 
Lado direito: ceco (avaliar os movimentos e a descarga da válvula íleo-cecal); cólon 
ventral e cólon dorsal; intestino delgado (cranio-ventral) 
Lado esquerdo: fossa paralombar \u2013 cólon menor; avaliar cólon ventral e dorsal; 
intestino delgado (acima e cranial ao cólon menor) 
Ventralmente: cólon ventral e flexura pélvica; estômago. 
 
Bovinos: Movimentos ruminais: 5 a 13 por 5 (CINCO!) minutos 
 
Anatomia topográfica: 
- Rúmen: 
Limites: 
CRANIAL: Cúpula diafragmática 
CRANIO-VENTRAL: Retículo 
CAUDAL: Crista da pelve 
VENTRAL: Linha branca 
DORSAL: Apófises transversas 
 
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Camadas: gasosa, sólido-pastosa, líquida, sólida (maciça). 
Sempre vai ter quatro camadas, o que muda é a proporção de cada uma. Seu 
comportamento e tamanho variam conforme o estado nutricional do animal (ex: o animal 
acabou de comer), mas sempre estarão presentes todas as quatro. Se não encontrar 
alguma delas, pode indicar alteração. Identifica-se as quatro camadas palpação e 
depois delimita o seu tamanho pela percussão. Ex: se a camada sólido-pastosa 
aumentar muito e suprimir as outras camadas, significa que há sobrecarga do rúmen, 
se predominar a camada gasosa, pode indicar timpanismo. Na impactação ruminal, 
verifica-se consistência maciça por todos o rúmen. 
 
 
- Retículo: 
6º Espaço intercostal até a cartilagem xifóide; limite posterior: linha traçada a partir da 
articulação escápulo-umeral até a cicatriz do umbigo. Por estar dentro da cúpula 
diafragmática, o retículo escapa da maioria dos exames semiológicos só se faz o teste 
da sensibilidade. 
Testes de sensibilidades dolorosa: 
- Golpeamento da área cárdio-reticular 
- Prova de Götze (bastão) 
- Reflexo víscero-cutâneo 
 
- Omaso: Não temos acesso a ele, pois está escondido. Porém, é feita a projeção 
anatomotopográfica dele. 
Projeção anatomotopográfica: Amplitude toracoabdominal: área compreendida entre as 
apófises transversas e cartilagens costocondrais. Divide-se essa área em três partes 
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iguais. O omaso se localiza no terço médio, do bordo caudal da 9ª ao bordo caudal da 
7ª. O exame só é feito por metodologia auxiliar: Laparotomia e laparoscopia exploratória 
 
- Fígado: 
1. Inspeção: integridade da área hepática. 
Bovinos: Sob a 12ª costela, lado direito (região cranial a fossa paralombar direita).