Semiologia Veterinária, EV   UFMG, 2015
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Semiologia Veterinária, EV UFMG, 2015


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e que o 
clínico se posicione adequadamente em relação ao animal. 
 
\uf0b7 Percussão: Produção de som. É direta quando não utilizamos nenhum instrumento 
(digital ou dígito-digital em pequenos animais), e indireta quando utilizamos o martelo e 
o plexímetro. São importantes a técnica sistemática e a utilização de instrumentos 
adequados. Também é importante que seja feita em ambiente tranquilo e silencioso, 
pois a principal dificuldade que encontramos são os ruídos de baixa frequência do 
ambiente. 
O som que ouvimos durante a percussão não é propriamente o som que produzimos, e 
sim o retorno do som produzido. 
Tipos de som: 
- Maciço: não tem propagação de ondas dentro dele, ou seja, não tem ar ou espaços 
vazios. Ex: fígado. 
- Maciço não completamente: tem um pouco de propagação, mas não chega a 
metade. Igual a cerca de 2/3 de macicez e 1/3 de propagação). 
- Sub-maciço: tem metade de propagação e metade de macicez. 
- Claro: tem muita propagação de ondas. Ex: pulmões. 
- Sub-timpânico: mais ou menos o mesmo tanto de propagação que o claro. 
- Timpânico: total propagação de ondas, não há nenhuma macicez. 
 
\uf0b7 Auscultação: sons produzidos pelos órgãos. Também pode ser direta (coloca-se o 
ouvido diretamente na estrutura) ou indireta (utilização do estetoscópio). 
 
- Métodos Auxiliares: série de métodos específicos que visam auxiliar os métodos 
clássicos. As técnicas empregadas têm o objetivo de aumentar e potencializar a 
eficiência dos sentidos. 
Ex: Procedimentos cirúrgicos, endoscopia, ultrassom, biopsia, punção, exames 
laboratoriais. 
 
Importância do posicionamento do examinador e do animal para fazer o exame físico 
(inspeção, palpação, percussão e auscultação): O posicionamento influencia na 
eficiência da execução da metodologia. Conforme o posicionamento em relação ao 
animal você pode ver tudo ou não ver nada. Além disso, é importante também para a 
segurança do clínico. 
 
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Etapas do exame clínico: 
\uf0b7 Identificação e histórico: identificação do proprietário/tutor e do animal (nome, 
telefone, endereço, raça, sexo, idade) e história contada pelo proprietário sobre o que 
está acontecendo com o animal. Nesse momento o veterinário não pode falar nada, só 
ouvir. 
 
\uf0b7 Anamnese geral e específica: o veterinário faz perguntas estratégicas ao proprietário. 
Deve ser em ordem cronológica e não induzir respostas falsas. Ex: ao invés de 
perguntar: \u201cvocê dá vermífugo ao seu animal? \u201d, perguntar: \u201cQual foi a última vez que o 
seu animal foi vermifugado? \u201d 
- Geral: formar um painel sobre o ambiente e a rotina diária do animal e do proprietário. 
- Específica: obter respostas especificamente ligadas ao motivo da consulta. Ex: se a 
queixa principal é a tosse do animal, a anamnese específica será voltada para o sistema 
respiratório, dando uma atenção maior a este. Mas perguntas sobre os outros sistemas 
também são extremamente importantes. 
 
Importante: nunca censurar ou advertir o proprietário, pois pode inibi-lo de dar as 
respostas verdadeiras. Se elogiá-lo, ele pode superestimar alguma informação. Portanto 
deve manter-se neutro. 
 
\uf0b7 Exame físico: execução da metodologia e manipulação do animal para obter 
informações. Obs: essa é a primeira etapa de manipulação do animal. A inspeção à 
distância (observação do comportamento) do animal é feita durante as etapas iniciais 
de identificação, histórico e anamnese. 
 
\uf0b7 Diagnóstico 
\uf0b7 Prognóstico 
\uf0b7 Tratamento 
 
Fatores importantes para a realização do exame clínico: 
- Ambiente: iluminado, tranquilo, silencioso, seguro. 
- Relação médico/paciente e médico/informante: respeitar seu paciente 
- Contenção: importante para a segurança do médico e do animal. O animal é bravo 
porque quer se defender. Por mais manso que seja, na hora em que ele se sentir 
ameaçado, ou se sentir dor durante o exame, ele vai querer se defender. 
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- Posicionamento: influencia na eficiência da execução da metodologia. Conforme o 
posicionamento em relação ao animal você pode ver tudo ou não ver nada. É 
importante, ainda, para a segurança do clínico examinador. 
- Manipulação: maneira correta de segurar o animal 
- Interação e concentração: conversar com o animal para senti-lo e entendê-lo. 
- Sistemática: roteiro, metodologia. 
Projeção Anatomotopográfica: desenho feito na pele do animal projetando a 
localização interna do órgão. Projeção do órgão na superfície corpórea do animal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Exame de Mucosas: 
 
Qual é a importância de se examinar mucosas e linfonodos? Além de ser tecido ou órgão 
próprio, e portando sofrer alterações, nos dá informações sobre o estado de saúde geral 
do animal, ou seja, pode indicar doenças em outros sistemas. 
Enfermidades próprias: inflamações, tumores, edemas. 
Enfermidades de outros sistemas: icterícia. 
 
Estrutura examinável é aquela que saudável ou doente temos acesso a ela. É a 
estrutura que classicamente se examina na rotina. Ex: mucosa anal: nós temos 
facilmente acesso a ela, mas ela não é uma mucosa examinável enquanto exame de 
mucosa, e sim durante o exame do trato gastrointestinal. 
 
Mucosas examináveis em uma rotina clínica: 
- Conjuntiva ocular ou mucosas conjuntivais 
- Mucosa oral ou bucal 
- Mucosas nasais 
- Mucosa vulvo-vaginal 
- Mucosa prepucial ou peniana (apenas nos pequenos animais, nas demais 
espécies seu exame é feito junto com o sistema genital). 
Em bovinos e equinos, a mucosa prepucial é mais passível de alterações locais do 
sistema genital, não sendo muito segura como fonte de alterações em outros sistemas, 
por isso não é examinada enquanto exame de mucosas. 
 
Métodos de exploração clínica ou métodos de exploração semiológica: 
\uf0b7 Inspeção: 
- Coloração: normal é róseo-avermelhado brilhante e não rosa-claro, com variações 
entre espécies e raças. Alterações incluem palidez (branco-róseo à pérola), aspecto de 
porcelana (comum em pequenos ruminantes com infestação por vermes hematófagos 
que causa espoliação sanguínea intensa), ictérica (amarelo devido à presença de 
bilirrubina), congesta ou hiperemica (vermelha), cianótica (azul devido à redução da 
oxigenação). Obs.: não devemos dizer mucosa ictérica, hiperêmica, cianótica, e sim, 
mucosa amarela, vermelha, azul, pois a icterícia, a hiperemia e a cianose não são cores, 
e sim, condições que levam às respectivas cores. 
- Umidade: são úmidas, mas não têm fluxo. Se estiver seca ou fluindo está doente. 
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- Integridade: sem lesão, manchas, nódulos, ulcerações ou corpo estranho 
 
- Vascularização: não pode ser evidente na mucosa (ex: os vasos episclerais não 
podem ser excessivamente evidentes, pois é sinal de doença). 
 
- Tempo de perfusão capilar (TPC): comprimir a mucosa afastando a circulação e 
vendo o tempo que gasta para voltar após cessar a compressão. O tempo deve ser de 
2 segundos, ou seja, deve ser imediato. É feito na mucosa gengival, já que nesta tem 
um suporte (osso) contra o qual a mucosa é comprimida. O aumento do TPC pode 
indicar desidratação, anemia, hipovolemia. 
 
\uf0b7 Palpação: 
Feito quando tem alguma alteração de integridade, como um aumento de volume. Palpa 
para identificar a natureza do aumento de volume, qual a consistência, se tem flutuação, 
mobilidade. 
 
\uf0b7 Métodos auxiliares: Biópsia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Exame de Linfonodos: 
 
Sistema linfático 
A função primordial é a drenagem de líquidos e materiais particulados do espaço 
intercelular de todo o corpo do animal; absorção de nutrientes, principalmente