Semiologia Veterinária, EV   UFMG, 2015
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Semiologia Veterinária, EV UFMG, 2015


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para neoplasia. 
Goma: nódulo ou nodosidade que sofre depressão ou ulceração na região central e 
elimina material necrótico. 
Vegetação: lesão sólida, que cresce se distanciando da pele (exofítica) avermelhada e 
brilhante (semelhante a couve-flor). Se deve ao aumento da camada espinhosa. 
Verrucosidade: lesão sólida, exofítica, acinzentada, áspera, dura e inelástica. Se deve 
ao aumento da camada córnea. 
 
- Coleções líquidas: 
Vesícula: elevação circunscrita de até 1 cm de diâmetro, contendo líquido claro. Este 
conteúdo inicialmente claro (seroso), pode se tornar turvo (purulento) ou avermelhado 
(hemorrágico) 
Bolha: elevação circunscrita de mais de 1 cm de diâmetro, contendo líquido claro. 
Pústula: elevação circunscrita de até 1 cm de diâmetro, contendo pus. 
Cisto: formação elevada ou não, constituída por cavidade fechada, envolta por epitélio 
e contendo líquido ou substância semissólida. 
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Abcesso: formação circunscrita de tamanho variável, encapsulado, proeminente ou 
não, contendo líquido purulento na pele ou tecidos subjacentes. Há calor, dor e 
flutuação. 
Flegmão: aumento de volume de consistência flutuante, não encapsulado, de tamanho 
variável, proeminente ou não, contendo líquido purulento na pele ou tecidos 
subjacentes. Há calor e dor. 
Hematoma: formação circunscrita de tamanho variável, proeminente ou não, decorrente 
de derramamento sanguíneo na pele ou tecidos subjacentes. 
 
- Perdas e reparações teciduais: 
Escamas: placas de células da camada córnea que se desprendem da superfície 
cutânea, por alteração da queratinização. Podem ser classificadas em farinácea, 
furfurácea ou micácea (se desprende em forma de lâminas). 
Erosão ou exulceração: perda superficial da epiderme ou de camadas da epiderme. 
Ulceração: perda circunscrita da epiderme e derme, podendo atingir a hipoderme e 
tecidos subjacentes. Podem ser: ulceração crônica, úlcera tenebrante (muito 
profundas), afta (pequena ulceração em mucosas) 
Colarete epidérmico: fragmento de epiderme circular que resta na pele após a ruptura 
de vesículas, bolhas ou pústulas. 
Crosta: concreção amarelo claro (crosta raelicérica), esverdeada ou vermelha escura 
(crosta hemorrágica), que se forma em área de perda tecidual, decorrente do 
dessecamento de serosidade, pus ou sangue, além de restos epiteliais. 
Escara: área de cor lívida ou preta, limitada por necrose tecidual. O termo também é 
empregado para designar a eliminação do esfacelo (porção central e necrosada da 
escara). 
Fístula: canal com percurso na pele que drena foco de supuração ou necrose e elimina 
material purulento ou sanguinolento. 
 
- Lesões associadas: papulocrostosas, eritêmato-papulosas, vesicobolhosas, 
ulcerocrostosas. 
 
- Lesões particulares: celulite: inflamação de todas as camadas da pele (epiderme, 
derme e hipoderme); comedo; corno; milium ou mílio: semelhante a um grão de arroz 
embaixo da pele; cilindro folicular. 
 
 
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Exames complementares: 
- Exame direto do pelame: TRICOGRAMA 
Para identificar os microrganismos: Microsporum e Trichophyton 
E alterações do pêlo. 
 
- Cultura: fungos e bactérias. 
Para a coleta do fungo, limpar o local com álcool 70% e não utilizar óleo mineral para 
acondicionar a amostra. 
 
- Citologia: células inflamatórias, neoplásicas e agentes infecciosos. 
Esfregaço por aposição ou técnica de Tzanch. 
Coleta com swab e imprint na lâmina. 
Punção aspirativa por agulha fina (PAAF) com squash ou esfregaço do material coletado 
em lâmina. 
 
- Biópsia e exame histopatológico: \u201cPunch\u201d 
 
- Diascopia ou vitropressão para diferenciar eritema de púrpura. 
 
- Lâmpada de Wood: utilizada para fluorescer cepas de Microsporum canis 
 
- Parasitológico: raspado cutâneo para a identificação ácaros 
Raspado profundo: Demodex (sarna demodécica) 
Raspado superficial: Sarcoptes (sarna sarcóptica) 
Colocar o material em óleo mineral em uma lâmina, e cercar com uma fita adesiva os 
bordos da lâmina. 
*Reflexo Otopedal: ao coçar a orelha do animal, ele responde com movimentos das 
patas traseiras como se estivesse querendo coçar. SUGESTIVO DE ESCABIOSE OU 
SARNA SARCOPTICA (Sarcoptes). Esta sarna também tem predileção por espaços 
interdigitais, face anterior do antebraço, cotovelos, axilas, etc. 
 
 
 
 
 
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Semiologia do Sistema Respiratório: 
 
Função principal: garantir a hematose com segurança; estabelecer um contato direto 
com segurança entre o meio interno e externo. 
Especializações que mantêm a natureza e funcionalidade: 
- Estruturas que mantêm abertos os canais. Ex: anéis cartilaginosos na traqueia. 
- Aquecimento e umedecimento do ar 
- Transporte: lençol mucociliar jogam substâncias nocivas para fora 
- Surfactante: se adere às partículas para serem transportadas para o exterior. 
- Defesa celular: imunoglobulinas, macrófagos alveolares. 
 
Cabeça: 
Nariz e anexos; 
Tecidos perinasais: muflo, cartilagens perinasais, fossas nasais. 
Seios. 
 
Muflo: parte glabra, sensível. 
Exame físico: 
1. Inspeção: observar a integridade, a umidade e se há pigmentação. O animal troca calor 
através do muflo. A sua umidade reflete a hidratação do animal: quando úmido indica 
que o animal está adequadamente hidratado, quando seco pode indicar desidratação 
(tem que observar o contexto, por exemplo, se o animal acabou de se alimentar é normal 
que o muflo esteja seco). Doenças neuronais podem comprometer o formato. 
2. Palpação: presença de fluxo uni ou bilateral, quantidade, coloração, odor em cada 
narina (inodoro, pútrido ou repugnante). Bovinos têm fluxo nasal fisiológico; cães, gatos 
e equinos às vezes podem tem gotículas nas mucosas nasais. 
Parâmetros para a avaliação do fluxo nasal: 
- Ocorrência: tem fluxo? Unilateral ou bilateral? Bilateral indica que a origem do fluxo 
pode ser nas vias aéreas superiores ou inferiores, enquanto que o unilateral deve ser 
de origem na narina em que ocorre (mas isso não é regra). 
- Quantidade: é discreta nas espécies que possuem fluxo nasal fisiológico. Quando 
patológico pode ser de moderada a intensa. 
- Odor: o fluxo fisiológico é inodoro. O fluxo patológico pode ser inodoro, repugnante ou 
pútrido (o odor pútrido é repugnante, mas ele é classificado antes como pútrido). 
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- Coloração: deve-se fazer associação da sua cor com a sua origem. Ex: associação 
com o alimento ingerido, sangue, etc. De acordo com a cor, também pode ser feita a 
associação com a progressão (evolução) da doença. 
Coloração vermelha uni ou bilateral intensa: rinorragia 
Coloração vermelha uni ou bilateral discreta: epistaxe 
Coloração vermelha bilateral com origem no pulmão: hemoptise 
Coloração vermelha bilateral com origem no TGI: hematoemese. 
- Composição: pode-se examinar com metodologia auxiliar ou não. Obs: retirar a 
secreção de cada narina com uma mão diferente para não misturá-las. O odor da 
secreção deve ser sentido longe do animal para que o cheiro dele não seja influenciado 
pelo cheiro do animal. 
 
3. Ar expirado: 
- Ocorrência e simetria: o ar está sendo expirado pelas duas narinas? 
Avaliar internamente, pois alguns poxvírus podem induzir a formação de pólipos nasais. 
- Frequência 
- Temperatura: deve ser adequada com a temperatura normal do animal 
- Intensidade: avaliar se a corrente de ar expirado é forte ou fraco, e também a simetria 
da intensidade (se em uma narina for mais forte do que na outra pode indicar obstrução 
parcial ou total). 
Obs: Baixar as luvas para avaliar a temperatura, a ocorrência e frequência do ar 
inspirado. 
- Odor: inodoro, repugnante, pútrido ou específico (acetonemia, alguns tipos de 
envenenamento