Semiologia Veterinária, EV   UFMG, 2015
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Semiologia Veterinária, EV UFMG, 2015


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Inspiração interrompida: dor torácica 
Inspiração prolongada: obstruções parciais das vias aéreas 
Expiração prolongada 
Expiração entrecortada 
Encurtamento das duas fases 
 
Frequência respiratória: 
 
Bovinos 10 a 30 mpm 
Equinos 8 a 20 mpm 
Cães 10 a 30 mpm 
Gatos 20 a 30 mpm 
Suínos 8 a 18 mpm 
Ovinos 10 a 20 mpm 
 
 
 
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Alterações na frequência: 
Taquipnéia: aumento da frequência respiratória 
Bradipnéia: redução da frequência respiratória 
Dispnéia: dificuldade respiratória. Envolve o tipo, ritmo e a frequência. Pode estar 
presente na taquipnéia, na bradipinéia ou na normopnéia. 
Podem ser: Dispnéia inspiratória 
 Dispnéia expiratória 
 Dispnéia mista. 
Obs: tem que especificar qual é o tipo de dispnéia, pois se falar apenas dispnéia fica 
subentendido que se trata de dispnéia mista. 
 
Exame dos movimentos respiratórios: 
Posicionar-se atrás do animal e observar do lado direito (em ruminantes esse lado tem 
a vantagem de não ter a concorrência dos movimentos ruminais, mas pode ser feito do 
lado esquerdo também) e lado esquerdo em equinos. Observar o tipo de movimento 
respiratório (o normal é costo-abdominal) e contar a frequência respiratória. 
 
- Inspeção e palpação: 
Musculatura intercostal: inspecionar e palpar (grandes animais com as duas mãos e 
pequenos com apenas uma) dos dois lados a musculatura intercostal e a costela ao 
longo de todo o seu trajeto, principalmente nas articulações, observando sua mobilidade 
e volume. 
Costelas e articulações: Identificar na palpação mobilidade anormal e soluções de 
continuidade (às vezes o animal não demonstra dor). 
 
- Percussão de tórax: 
Técnica e objetivo: primeiro fazer a delimitação anatomotopográfica do pulmão através 
da projeção anatomotopográfica dos órgãos na superfície do corpo do animal. Outro 
objetivo da percurssão de tórax é examinar a sonoridade afim de verificar o tamanho do 
órgão, a sua saúde interna e confirmar se a sua posição está de acordo com a anatomia 
topográfica normal do órgão. Cada órgão vai emitir um som específico que vai permitir 
a sua delimitação externa, e essas sonoridades específicas são alteradas por doenças. 
Ex: uma pneumonia pode alterar a sonoridade do pulmão, mas isso pode ocorrer apenas 
em um espaço de 2cm, por esse motivo, a percussão precisa ser feita ao longo de todo 
o espaço intercostal para que não se perca nenhum ponto. 
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Para proceder a percussão é necessário um ambiente silencioso, sem ruídos de baixa 
frequência. 
Instrumentos: martelo e plexímetro para grandes animais e percussão dígito-digital para 
pequenos. 
Característica sonora: a natureza dos tecidos determina diferentes sons, de acordo com 
a presença, quantidade e distribuição dos espaços vazios. Ex: durante a percussão do 
pulmão, foi encontrado um ponto de som maciço onde era para ser som claro. Primeiro, 
repetir a percussão no ponto para confirmar, segundo, delimitar a área, fazendo a 
percussão em pontos ao redor o ponto alterado, ou seja, acima e abaixo no mesmo 
espaço intercostal e depois na mesma altura os espaços intercostais anterior e posterior 
ao que foi identificada a alteração. 
 
Delimitação topográfica do pulmão: 
\uf0b7 Cães: 11° Espaço intercostal na altura do íleo. 
 10° EIC na altura da tuberosidade isquiádica. 
 6º EIC na altura da articulação escápulo-umeral. 
 
\uf0b7 Equinos: Limite dorsal: linha situada a mais ou menos 3 a 4 dedos abaixo da coluna 
vertebral, até o 17º espaço intercostal, onde temos o limite caudal. 
 Limite dorso-ventral: do limite caudal passa-se uma linha ventro-cranial, passando 
pelo 16º espaço intercostal (ao nível da asa o íleo), para o 14º espaço intercostal (ao 
nível do ísquio), 10º espaço intercostal (correspondente a linha escápulo umeral) e 6º 
espaço intercostal, na direção do esterno (4 a 5 dedos acima deste). 
 Limite cranial: Borda caudal da escápula 
 
\uf0b7 Bovinos: para delimitar os pulmões, é necessário que o animal esteja com os membros 
juntos num piso plano. Fazer uma avaliação de aprumos para ver se o animal tem 
alguma alteração grave. 
11º EIC no lado esquerdo: limite caudo dorsal. (No lado direito: 12º EIC) 
Metade na 9º costela: ponto caudo ventral. 
6º EIC três dedos acima do olécrano: ponto ventral. 
Apófises transversas: limite dorsal. 
Musculatura que recobre a escápula e o úmero: limite cranial. 
 
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- Percussão: Objetivo: identificar e delimitar o órgão. Conferir se essa delimitação 
coincide com a posição marcada pelos limites pré-definidos. Além disso, tem o objetivo 
de examinar o som normal e pesquisar sons anormais. 
 
- Auscultação: 
Técnica: 
Focos de auscultação: é a região do animal onde vai ser feira a auscultação. Foco é 
diferente de ponto de auscultação. Foco é a região, enquanto o ponto é apenas um 
único ponto dentro da região que corresponde ao foco. Um foco pode ter vários pontos 
de auscultação. 
- Laringo traqueal (LT): possui somente um ponto de auscultação localizado na junção 
da laringe com a traqueia. Som grave, áspero, agressivo, alto \u2013 Som laringo traqueal. 
- Traqueo brônquico (TB): possui dois pontos de auscultação que varia de acordo com 
a espécie animal. Possui som com características intermediárias entre o LT e BB \u2013 Som 
traqueo brônquico. 
- Bronquíolo bronquiolar (BB): são dois focos, um do lado direito e o outro do lado 
esquerdo, com vários pontos de auscultação. Possui som débil, suave, discreto, sutil \u2013 
Som Murmúrio Vesicular (ou som bronquíolo bronquiolar). 
- Pré- escapular: presente somente nos bovinos e bubalinos, dos dois lados. Está 
localizado logo acima da cadeia de linfonodos cervicais superficiais, onde conseguimos 
introduzir a mão. O som auscultado é o murmúrio vesicular ou bronquíolo bronquiolar. 
É importante porque existem situações em que não é possível auscultar o som 
bronquíolo bronquiolar no foco bronquíolo bronquiolar, devido a lesões, dor, ou presença 
de edema subcutâneo, que alteram o som. Nesses casos, em bovinos e bubalinos, 
podemos fazer a auscultação no foco pré-escapular. 
Obs: não confundir os sons da percussão com os sons da auscultação. Os sons da 
percussão sou eu quem produz e nós escutamos o retorno dele, o som da auscultação 
são produzidos pelo animal. Ex: durante a percussão do pulmão, na área central foi 
identificado uma área de som maciço. Qual é o ruído que eu vou ouvir nessa mesma 
região durante a auscultação? R: nenhum ruído será ouvido. 
Em ruminantes, a percussão é feita no sentido caudo-cranial. Em equinos, é feita no 
sentido cranio-caudal. 
 
Sons respiratórios: 
- Som murmúrio vesicular: nos focos pulmonares ou bronquíolo bronquiolares. 
- Som tráqueo-brônquico: dois pontos de ausculta 
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- Som laringo traqueal: um ponto de ausculta. 
 
Sons anormais: 
- Estertores úmidos: indicam movimentação de líquido. Ex: pneumonia em fase inicial. 
- Estertores secos: indicam movimentação de massas (catarro). Ex: pneumonia em 
fase final. 
- Ruídos pleurais: normalmente não tem. Se identificados indicam pleurite, com 
deposição de fibrina entre os folhetos. 
 
Obs: bovinos: auscultar todo um lado primeiro e depois retomar todo o percurso até o 
foco laringo-traqueal (LT). No lado oposto, examinar apenas o foco brônquio-bronquiolar 
(BB). Sentido da auscultação do pulmão: ventro-dorsal e cranio-caudal, fazendo zigue-
zague. 
 
Equinos: a auscultação começa pelo ruído laringo-traqueal ao longo da traquéia, até a 
entrada do tórax, e depois passa para o tórax. No tórax, auscultar o ruído traqueo-
brônquico na área em que a traquéia se bifurca nos brônquios