Semiologia Veterinária, EV   UFMG, 2015
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Semiologia Veterinária, EV UFMG, 2015


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principais. A medida em 
que se aproxima da borda do pulmão, o brônquio se ramifica e forma os bronquíolos, e 
temos o ruído bronquíolo-bronquiolar ou murmúrio vesicular. Os bronquíolos formam os 
alvéolos e temos o ruído bronquíolo-alveolar, que não produz um fluxo de ar suficiente 
para auscultar. A auscultação da traquéia vai produzir um ruído mais alto, límpido, mais 
áspero, e a medida que vai diminuindo o diâmetro, vai diminuindo também o som 
produzido, ou seja, o som acompanha a anatomia do pulmão. A auscultação tem que 
percorrer toda a área pulmonar tem que ser feita de forma sistemática. Não importa se 
começa a auscultar ventro-dorsal ou dorso-ventral, mas deve-se auscultar sempre da 
mesma maneira, isso é o método, os dois lados precisam ser auscultados da mesma 
maneira. 
 
Cães: divide-se o tórax em três partes longitudinalmente e na primeira parte ausculta-
se os pontos localizados nos EIC 8,6 e 4, e na segunda parte dividida, ausculta-se os 
pontos presentes nos EIC 6 e 4. 
 
Teste de sensibilidade: realizar ao final do exame clínico. 
Técnica: apoiar-se de costas no bovino, apoiar a mão esquerda no animal e com a mão 
fechada em punho, golpear o animal. Este teste pode ser realizado com o martelo, pois 
este concentra mais a pressão. 
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Exame da tosse: faz a qualquer momento que o animal estiver tossindo. 
Classificação da tosse: 
- Frequente/rara 
- Dolorosa 
- Forte/moderada/fraca 
- Seca/úmida 
 
Teste da tosse: se faz ao final do exame clínico e não ao final do exame do sistema 
respiratório. 
Técnica: compressão da traquéia para todas as espécies: com a mão, comprimir a 
traquéia no terço superior nos bovinos, no terço médio nos caninos e terço médio e 
inferior nos equinos. Comprimir até 3 vezes a traquéia, de forma vigorosa para promover 
o desconforto interno da traquéia e desencadear a tosse. Em bovinos, devido ao vigor 
dos anéis de cartilagem da traquéia, é possível que após três compressões o animal 
ainda não tenha tossido. Então fazemos o teste de oclusão das narinas, que é mais 
eficiente. 
- Oclusão das narinas: somente para bovinos, pois estes têm o temperamento linfático 
(reações mais tranquilas, reagem lentamente). Equinos, cães, suínos têm 
temperamento sanguíneo, com reações mais intempestivas, bruscas e inconsequentes. 
A oclusão de narinas só é usada se a compressão da traquéia não funcionar. Coloca-
se uma luva nas narinas do animal, o CO2 vai se acumular nas vias respiratórias 
causando irritação. Se o animal tem o sintoma de tosse em seu quadro clínico, basta 
tossir uma vez para desencadear uma crise. Se após três minutos o animal não tossir, 
é porque não possui o sintoma tosse no seu quadro. 
Obs: durante o exame, tem que provocar pelo menos uma tosse. Se conseguir isso na 
compressão da traquéia não precisa fazer a oclusão de narinas. Fazemos primeiro a 
compressão da traquéia porque ela é mais tolerável para o animal. 
 
Exames complementares: 
Toracocentese: perfuração do tórax para um objetivo qualquer (ex: biópsia, punção). 
Equino: 5º e 6º EIC esquerdo. 
Bovino: área ventral ao campo pulmonar do lado do diagnóstico. 
Cães: limite posterior do pulmão com o animal sentado. 
 
 
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Semiologia do Sistema Cardiovascular 
 
 
 
Funções: 
Principal: transporte de nutrientes, células de defesa, material para ser excretado 
(metabólitos e catabólitos). É através dele que as substâncias circulam por todo o 
organismo. 
Sistema Linfático: toda a linfa que circula no sistema linfático é entregue ao sistema 
circulatório. 
Órgãos de interesse: coração, artérias e veias. 
O método de exploração semiológica de maior valor no exame do sistema 
cardiovascular é a auscultação. Todas as conclusões dependem do que estamos 
ouvindo. Quais os parâmetros que levamos em conta quando fazemos a auscultação 
do coração? Frequência cardíaca é apenas UM deles. É necessário o conhecimento da 
fisiologia do coração para saber interpretar o que está ouvindo. 
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Átrio não é câmara, pois não se fecha. O átrio direito é apenas uma dilatação do tronco 
da veia cava, e o átrio esquerdo é a dilatação das veias pulmonares. Os átrios são o 
local de chegada do sangue. É importante saber disso para identificar a origem dos 
sopros cardíacos. 
 
Sistema elétrico do coração: 
- Nodo sinoatrial 
- Nodo atrioventricular 
Modulação: feita pelo Sistema Nervoso Autônomo. O sistema nervoso simpático 
aumenta a frequência cardíaca. O parassimpático reduz a frequência cardíaca. Esse 
sistema central é modulador. Se o coração tem em algum momento bradicardia, o SNA 
aumentará a frequência cardíaca, buscando normalizar a situação. Do mesmo modo, 
se ocorrer uma taquicardia, o sistema nervoso autônomo modula a frequência cardíaca 
de modo a reduzí-la. 
 
Semiologia do coração: 
Anatomia topográfica: 
 
 
Formato 
anatômico 
Posição 
média da 
base 
 
Posição da 
ponta 
Posição do 
choque 
cardíaco 
 
Equídeos 
 
Cônico 
 
3ª costela 
6ª junção 
costocondral, 
a 2 cm do 
esterno 
 
5º Espaço 
intercostal 
 
Bovinos 
 
Cônico 
 
2ª costela 
6ª Junção 
costocondral 
 
4º EIC 
 
Cães/Felinos 
 
Globuloso 
 
3ª costela 
7ª junção 
costocondral 
\u2013 próximo ao 
diafragma 
 
5º EIC 
 
 
 
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Exame Clínico: 
\uf0b7 Histórico/Identificação: 
Espécie, raça, idade, sexo, uso e ambiente em que vive. 
 
\uf0b7 Anamnese: 
Queixa principal, sinais e sintomas, evolução clínica da doença, manejo nutricional e 
higiênico-sanitário, condicionamento físico, medicamentos (dose e frequência), se o 
animal apresenta tosse, síncopes, intolerância ao exercício. 
 
Relembrando Patovet: 
 
\uf076 Sinais Clínicos da Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) em pequenos animais: 
- Esquerda: congestão venosa pulmonar com sintomatologia de tosse, 
dispnéia/taquipnéia e edema pulmonar. 
- Direita: edema de membros, hepato e esplenomegalia, ascite e efusão pleural, 
anasarca 
 
\uf076 Em grandes animais: 
Edema: Bovinos: cabeça, barbela e peito 
 Equinos: peito e abdome. 
 
\uf0b7 Exame Físico: 
 
Métodos de exploração semiológica: 
\uf0b7 Inspeção: 
- Avaliação Física e Comportamental: verificar edemas, pulso venoso, postura dos 
membros torácicos (abdução na tentativa de respirar melhor (posição ortopnéica), 
diminuir dor em casos de reticulopericardite traumática), observar se há dilatação de 
veias (Ex.: jugular, epigástrica cranial superficial) e anóxia (palidez de mucosas). 
 
- Edemas apresentam sinal de Godet positivo. 
 
- Exame das Mucosas: avaliação da coloração (coloração azulada \u2013 distúrbio 
relacionado à hematose) 
 
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- Avaliação do Estado Circulatório Periférico: TPC \u2013 para avaliar o estado hídrico do 
animal (sinais de desidratação, anemia, hipovolemia). 
 
- Avaliação dos Vasos Sanguíneos: avaliação da veia jugular (dilatações \u2013 massas 
intratorácicas, endocardite, efusão pericárdica ou sobrecarga iatrogênica de volume são 
causas de dilatação na veia jugular). 
 
Inspeção da área cardíaca: 
Objetivo: observar a integridade da área cardíaca (esquerda e direita) e o choque 
cardíaco. 
O choque cardíaco é a vibração da parede torácica decorrente da movimentação do 
coração durante a sístole. É a manifestação funcional do coração. Em animais obesos 
é difícil inspecionar o choque. Em pequenos animais, e em grandes animais magros, é 
facilmente visualizável. Para fazer a inspeção é necessário saber o local correto do 
choque em cada espécie animal. 
 
\uf0b7 Palpação: 
É além e avaliar o choque cardíaco, ainda avalia