Sistemas economicos abstratos IE
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Sistemas economicos abstratos IE


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capitalismo continua, em grande parte, baseado no esquema de Smith a respeito da atividade econômica.
O primeiro princípio econômico de Smith e que representou o ponto de partida para sua busca de outros, relaciona-se com a produção nacional e as condições de seu aumento: o que importa são os suprimentos de bens que estão sendo produzidos e que se tornam acessíveis ao povo nos mercados e não o suprimento de dinheiro; o aumento da riqueza nacional depende simplesmente do crescimento ou avanço da produtividade \u2013 entendida como eficiência para produção e a distribuição ao povo, por intermédio dos mercados, das \u201ccoisas necessárias, os confortos e as conveniências da vida\u201d.
Sistema teórico, harmonioso, auto-ajustável, o capitalismo dos fisiocratas e clássicos estava embasado em princípios gerais ou \u201cleis\u201d de lógica, provenientes de hipóteses combinou um conjunto de \u201cleis\u201d ou princípios explicativos da atividade econômica com um conjunto de preceitos ou princípios normativos referentes à política econômica governamental.
2º. Sistema de economia socialista integralmente planificada
Tal como o sistema de economia capitalista \u201cabstrato\u201d, o sistema de economia socialista integralmente planificada, em seu aspecto \u201cpuro\u201d, é um \u201cmodelo\u201d que ainda não foi plenamente praticado. E ambos, na sua concepção intelectual, são obras de grandes pensadores.
Realmente, na sua origem. O liberalismo clássico era mais uma filosofia moral-social, de caráter teórico, elaborado por autores célebres, sobretudo do século XVIII à primeira metade do século XIX. Tornou-se uma espécie de \u201ccredo\u201d dos comerciantes e da classe média, revoltados contra os remanescentes do feudalismo, do mercantilismo, do governo autocrático e das restrições à sua atividade econômica, mas na prática sofreu muitas adulterações e modificações.
O esquema teórico do sistema socialista, por sua vez, tem o seu cerne no marxismo e este surgiu da crítica, contestações, desenvolvimento, reinterpretarão e combinação de idéias provenientes de várias fontes, entre as quais se destacam: o ideal socialista, principalmente o desenvolvido pelos autores \u201cutópicos\u201d do início do século XIX; o hegelianismo, com sua visão filosófica da história da Humanidade; e a teoria econômica de Ricardo. As conseqüências da Revolução Industrial e da aplicação do liberalismo econômico, entre outras, representaram papel essencial na colocação dos trabalhadores marxista em movimento das classes proletárias. Mas quando a concepção intelectual do sistema socialista passou à prática, em nível nacional, a partir de 1917, também sofreu profundas modificações.
A base de toda a vida social é a produção. Na Antigüidade e na Idade Média a produção era quase inteiramente agrícola e a indústria se limitava às oficinas de artesanato. Na Época Moderna, a atividade industrial superou a agricultura e provocou a concentração de numerosa mão-de-obra em grandes fábricas.
Com o rompimento dos laços da sociedade feudal e com a ascensão da burguesia como classe dirigente, o capitalismo desenvolveu intensamente a produtividade do trabalho humano. Não conseguiu, entretanto, eliminar a exploração e a luta de classes.
Em oposição aos clássicos, que argumentavam em função da harmonia de interesses, Marx concebeu a vida sócio-econômica em termos de conflito de interesses entre os proprietários que não trabalham e os operários que não possuem propriedades.
Assim, com a abolição da propriedade privada dos meios de produção, desaparecem as classes sociais e, portanto, os antagonismos que as caracterizavam, já que os indivíduos passam a se distinguir segundo a importância de suas funções econômicas.
Todos os cidadãos têm livre acesso ao trabalho, nas fábricas sociais, que constituem patrimônio comum.
O motor da atividade econômica não é a procura de lucro individual, ma s a satisfação de o indivíduo se sentir integrado na prestação de serviços à comunidade, onde tudo e construído por todos e pertence a todos.
Durante o período de transição do socialismo para o comunismo integral, o poder é colocado nas mãos dos proletários e exercido pelo Estado. Mas na etapa final, contudo o estado também desaparecerá e cada cidadão trabalhará segundo sua capacidade e receberá segundo suas necessidades.
Compete à ditadura de o proletariado converter definitivamente os meios da propriedade capitalista em propriedade socialista.
As necessidades são satisfeitas diretamente, pela ordem de sua intensidade \u2013 e não indiretamente, pela busca do lucro, como no capitalismo. Daí a estrutura institucional do sistema socialista ser também diferente em comparação com o sistema capitalista... As estruturas psicológicas ou mentais, pela mesma razão, refletem a \u201ceconomia de necessidades\u201d.
Lênin imaginou que a edificação do socialismo seria resultado da ativa participação de todo o povo \u2013 o próprio \u201cartífice de uma existência feliz, alegre, comunista, fruto de um trabalho livre de toda exploração capitalista, aliviado pelo emprego de todos os avanços da técnica e da ciência, para o bem do povo\u201d.
	\u201c... somente com o socialismo se inicia rápido avanço autêntico, verdadeiramente de massas, com participação da maioria da população, e depois de toda ela, em todas as esferas da vida social e privada\u201d.
	Com a extinção das classes sociais desaparece também a desigualdade social e política daí derivadas:
	\u201cOs produtos do trabalho comum\u201d irão beneficiar, então, os próprios trabalhadores, e o que produzirem além das necessidades de sua manutenção destinar-se-á a satisfazer as necessidades dos próprios trabalhadores, a desenvolver plenamente todas suas faculdades e a colocar, igualmente para todos, o progresso da ciência e da arte.
A propriedade social dos meios de produção, por sua vez, cria possibilidades para intenso incremento das forças produtivas da sociedade humana, do que resultara uma nova organização de trabalho e um conseqüente rendimento jamais alcançado no sistema de economia capitalista.
A produção, o consumo e a repartição \u2013 partes de um mesmo processo econômico \u2013 dependem de um plano geral, autoritário, que periodicamente ajuste as suas necessidades da população, a quantidade de trabalho e de capital à produção previamente fixada.
Como não existe mercado, as necessidades de consumo e de produção não estão sujeitas ao jogo automático das flutuações de preços nem aos desejos pessoais de consumo certo bens ou de utilizar determinado capital: o consumo e a produção são ajustados por planos periódicos.
Igualmente as necessidades de mão-de-obra, de equipamento, de matéria-prima, de prédios etc., em cada ramo da produção, são previstas nos planos, por meio de coeficientes técnicos.
A técnica utilizada é a mesma do sistema capitalista, mas favorecida pela eliminação do cálculo de preços e do \u201cveredicto\u201d do mercado.
A estruturação da atividade econômica no sistema socialista \u201cabstrato\u201d apóia-se nos princípios marxistas. Estes, por sua vez, baseiam-se em alguns conjuntos de idéias fundamentais, interligadas de maneira a formar um todo. Para efeito de esboço desse sistema econômico, todavia, destacaremos somente as formulações marxistas relacionadas com a posse social dos meios de produção, o equilíbrio econômico geral, o cálculo econômico e a justiça na repartição da renda.
\ufffdTranscrito do Capítulo III do livro Sistemas Econômicos Comparados, de Carlos Marques Pinho e Diva Benevides Pinho. Editora Atlas. Texto reproduzido para uso acadêmico.