ETAPA II   Engenharia   2017.1   QUESTIONÁRIO GERAL DE DIREITO
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ETAPA II Engenharia 2017.1 QUESTIONÁRIO GERAL DE DIREITO


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salário-família E auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; 
Tais princípios norteiam toda a estruturação da instituição, que deve ser justa na medida da necessidade 
e do valor da contribuição de cada segurado (III), deve alcançar toda pessoa que devidamente 
contribuiu (I), tratar com relativa igualdade os trabalhadores nas suas condições de trabalho (II) e 
funcionar de forma descentralizada , autônoma do governo, princípio este materializado pelo Instituto 
Nacional do Seguro Social, o INSS (VII). 
10) Como definir contrato? Cite dois tipos de contratos. 
O contrato deve apresentar a qualificação das partes envolvidas, de forma que possam ser 
individualizadas e encontradas em seus respectivos domicílios. Deve, também, especificar o objeto do 
acordo, que pode ser um serviço, uma coisa móvel ou imóvel, a entrega de algum valor, etc. Além 
disso, o vínculo que une os contratantes também deve ser detalhado. 
Pelo Novo Código Civil, art. 421, a liberdade de contratar deve ser exercida em razão e nos limites da 
função social do contrato. O contrato exerce uma função e apresenta um conteúdo constante: o de ser 
o centro da vida dos negócios. É o instrumento prático que realiza o trabalho de harmonizar interesses 
não coincidentes. O contrato se origina da vontade das partes e só se aperfeiçoa quando, pela 
transigência de cada um, os contratantes alcançam um acordo satisfatório a ambos. 
 
11) Quais são os princípios contratuais modernos? Comente 4 (quatro) 
Alguns princípios contratuais embora derrocados da importância que possuíam em outros tempos, são 
fundamentais para se estabelecer um equilíbrio sólido e justo na elaboração do contrato. Vamos analisar 
os principais preceitos contratuais com especial ênfase à boa-fé objetiva e a função social do contrato, 
incorporados ao nosso atual Código Civil. 
 
 PRINCÍPIOS MODERNOS 
 Função social do contrato. 
Este princípio constitui uma inovação do Código Civil de 2002, e vem previsto no art. 421, que dispõem 
da seguinte maneira: \u201cA liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do 
contrato. \u201d Trata o artigo em questão de uma norma de ordem pública, segundo a qual \u201co contrato visa a 
tingir objetivos que, além de individuais, são também sociais. O poder negocial é, assim, funcionalizado, 
submetido a interesses coletivos ou sociais\u201d (GOMES, 2008, p. 48). 
Não apenas presente no CC/02, também é tido como preceito constitucional, intitulado no art. 5, inciso 
XXII e XXIII, que resguarda o direito à propriedade. \u201cOra, a realização da função social da propriedade 
somente se dará se igual princípio for estendido aos contratos, cuja conclusão e exercício não interessa 
somente às partes contratantes, mas a toda a coletividade\u201d (REALE, Função social da propriedade. 
Disponível em: http://www.miguelreale.com.br/artigos/funsoccont.htm. Acesso em 06 de abril de 
2013). 
 
Caio Mário explica brilhantemente que \u201ca função social do contrato serve para limitar a autonomia da 
vontade quando tal autonomia esteja em confronto com o interesse social e este deva prevalecer, ainda que 
essa limitação possa tingir a própria liberdade de não contratar\u201d (PEREIRA, 2006, p. 13). 
Este princípio estabelece, portanto, a prevalência do interesse coletivo sobre o individual. Não mais estão 
autorizadas as partes a observarem apenas os seus interesses, mas devem visar uma função social, isto é, 
observar o interesse da sociedade. Esta estará satisfeita se a distribuição da riqueza se dever de forma justa, 
representando o equilíbrio social. 
 
A função social do contrato está muito relacionado às cláusulas gerais, que são \u201cnormas orientadoras sob 
forma de diretrizes, dirigidas precipuamente ao juiz, vinculando-o, ao mesmo tempo em que lhe dão 
liberdade para decidir\u201d (GONÇALVES, 2012, p. 27). O magistrado, desta forma, passa a ter liberdade 
para decidir sobre a adequação social de cada contrato, bem como de suas cláusulas. 
 
 Princípio da boa-fé. Os deveres anexos. 
O princípio da boa-fé exige que as partes se comportem de forma correta, não apenas durante a execução 
do contrato, mas também durante as tratativas. Está previsto no art. 422 do Código Civil: \u201cOs contratantes 
são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de 
probidade e boa-fé.\u201d 
 
\u201cColoquialmente, podemos afirmar que este princípio de boa-fé se estampa pelo dever das partes de agir 
de forma correta, eticamente aceita, antes, durante e depois do contrato, isso porque, mesmo após o 
cumprimento de um contrato, podem sobrar-lhes efeitos residuais\u201d (VENOSA, 2011, p. 386). 
É interessante a explicação de Orlando Gomes: \u201cPor ele se significa que o literal da linguagem não deve 
prevalecer sobre a intenção manifestada na declaração de vontade, ou dela inferível\u201d (GOMES, 2008, p. 
43). 
 
O CC/02 trouxe como inovação a boa-fé objetiva, que se traduz em uma norma imposta a todos, e que 
importa a obrigação das partes em comportar-se de boa-fé nas suas relações. A boa-fé objetiva é, assim, 
uma norma cogente, obrigando as partes em um dever de cooperação entre si. 
 
Distingue-se a boa-fé objetiva da subjetiva. Esta ocorre no consciente do agente, ou seja, ocorre quando o 
agente acredita que está agindo de boa-fé na celebração do contrato. Ele acredita que está agindo de acordo 
com o direito. 
 
Denota-se, portanto, dois aspectos da boa-fé: objetivo (norma; forma de comportamento) e subjetivo 
(forma de conduta). 
 
A boa-fé objetiva tem três funções principais. A primeira é a função interpretativa. Por meio dessa função, 
o legislador deverá extrair da norma o sentido mais adequado para a aplicação ao caso concreto. 
A segunda função é de limitar o direito subjetivo. Busca evitar o abuso de direito por alguma das partes. 
Este abuso seria o exercício do direito de modo a contrariar o valor que a mesma procura tutelar. 
 
A boa-fé objetiva também determina alguns deveres anexos, denominados pela doutrina de deveres laterais 
de conduta. Esta é a terceira função. São deveres que excedem o dever de prestação. Em outras palavras, 
são deveres secundários impostos às partes, que podem caracterizar o inadimplemento. Caio Mário 
explica: \u201cDesse modo, quando o contratante deixa de cumprir alguns deveres anexos, esse comportamento 
ofende a boa-fé objetiva e, por isso, caracteriza inadimplemento do contrato\u201d (PEREIRA,2006, p. 21). 
 
Esse inadimplemento dos deveres anexos é denominado de violação positiva da obrigação. Possui esse 
nome porque o inadimplemento dá-se nesses deveres laterais, não havendo inadimplemento total, nem 
tampouco a mora. 
 
Os deveres anexos são três: proteção (evitar que a outra parte sofra dano), informação (dar as necessárias 
e básicas informações à outra parte) e lealdade (fazer a sua parte e ajudar, ou, no mínimo, não atrapalhar, 
a outra parte a fazer a dela). 
 
Deste modo, não basta aos contraentes cumprirem as normas de comportamento (boa-fé objetiva), nem 
tampouco acreditar que seguem o direito (boa-fé subjetiva); é necessário obedecer a deveres secundários, 
ou anexos, que estão de acordo com os padrões de justiça estabelecidos pelos princípios contratuais. 
 
Princípio do equilíbrio contratual. 
Este princípio encontra-se presente no Código Civil de 2002, e tem como fundamentos \u201ca lesão e a revisão 
ou resolução do contrato por excessiva onerosidade superveniente. Em ambos os casos, desempenha papel 
de limite à rigidez do princípio da força obrigatória do contrato\u201d (GOMES, 2008, p. 48). 
 Princípio da onerosidade excessiva. 
Caio Mário explica o que se entende por onerosidade excessiva. Segundo ele: \u201cA onerosidade excessiva é 
um estado contratual que ocorre quando acontecimentos supervenientes, extraordinários