Texto 3  historia do curso de pedagogia no Brasil
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Texto 3 historia do curso de pedagogia no Brasil


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Apenas em 1998, depois de muita a pressão, é nomeada a Comissão de Especialistas 
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do curso de Pedagogia a quem coube a difícil tarefa de intermediar os conflitos surgidos em 
decorrência da LDB/96. Enquanto isso crescia as manifestações contrárias aos ISEs por parte 
de associações, sindicatos e demais entidades envolvidas com a questão da formação de 
professores. 
A ANFOPE , em seu IX Encontro Nacional, realizado em Campinas em 1998, redigiu 
um documento intitulado \u201cProposta de Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de 
Formação dos Profissionais da Educação\u201d, em que insiste que o lócus privilegiado de 
formação de professores para atuação na educação básica e superior deveria ser a 
universidade, com a indicação para que fosse superada a fragmentação existente entre as 
habilitações, assim como a dicotomia existente entre pedagogos e os demais licenciados. Estes 
são os dois únicos limites fixados no documento, que defende como principio o respeito às 
iniciativas das instituições para organizar suas propostas curriculares, levando em conta a base 
comum nacional e considerando a \u201cdocência como base da identidade profissional de todos os 
profissionais da educação\u201d (SILVA, 1999, p. 79). 
A proposta elaborada pela Comissão de Especialistas do curso de Pedagogia baseada 
neste documento da ANFOPE, tendo sido divulgado em 6 de maio de 1999, ficou retido no 
MEC/SESu por muito tempo antes de ser encaminhado ao CNE. Foi bem acolhido pela 
comunidade acadêmica, uma vez que a proposta era abrangente, a comissão conseguiu 
contemplar tanto as funções do curso (da época), e também a possibilidade de atuação do 
pedagogo em áreas emergentes do campo educacional. 
Segundo o documento citado por Silva (1999), ficou assim definido o perfil comum do 
pedagogo da época ou sua identidade: 
 
Profissional habilitado a atuar no ensino, na organização e gestão de sistemas, 
unidades e projetos educacionais e na produção e difusão do conhecimento, em 
diversas áreas da educação, tendo a docência como base obrigatória de sua formação 
e identidade profissional (BRASIL, 1999a). 
 
A proposta, conforme Silva (1999), se caracterizou por flexibilidade e diversidade de 
formas didáticas para organização de conteúdos, que se constituíram em princípios para 
estruturação dos cursos, tendo é claro a docência como base comum. Já no que diz respeito 
aos Institutos Superiores, as discussões geraram a resolução CP/CNE n. 1, de 30/09/99, 
expressando o entendimento de parte da Câmara de Educação Superior (CES), que tenderia 
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pela retirada a formação de professores do curso de Pedagogia. A situação, que foi criada pelo 
parecer CES 970, aprovado em 09/11/99, retira do curso de Pedagogia a possibilidade formar 
docentes para séries iniciais do ensino fundamental e para educação infantil em função do 
entendimento equivocado dos dispositivos da legislação e de um erro na interpretação da lei 
nos artigos 62, 63 e 64. 
As manifestações contrárias foram intensas, pois o Governo de Fernando Henrique 
Cardoso, tendo como base a LDB no artigo 62, através do decreto 3276/99, para socorrer a 
CES/CNE, acaba com a formação de professores para educação infantil e para séries iniciais 
no curso de Pedagogia. O argumento para a substituição do curso de Pedagogia pelos ISEs, é, 
segundo Bolmann (apud Silva, 2006) \u201cuma exigência da modernidade, ou seja, profissionais 
preparados com maior rapidez e agilidade, atendendo ao princípio da flexibilidade e 
equidade\u201d. Tal argumento se identifica com o discurso do Banco Mundial em relação a 
educação para países subdesenvolvidos como o Brasil, em que as condições de 
desenvolvimento exigem que o básico seja suficiente implicando aligeiramento e pouco custo 
para formação de professores. 
E isso também atenderia a meta colocada pela própria LDB (em consonância com as 
orientações do Banco Mundial), de formar todos os docentes para atuar na educação básica 
em cursos superiores até 2007. O que vemos com isso é o \u201calijamento\u201d da formação dos 
profissionais da educação da Universidade através do Decreto 3276/99. (posteriormente 
modificado) (BRASIL, 1999b). Encerramos aqui o terceiro e longo período não no sentido do 
tempo, mas porque este representou o período em que os professores de um modo geral se 
organizaram em defesa do curso de Pedagogia, envolvendo os estudantes universitários em 
prol de mudanças. 
O quarto período é denominado período dos decretos: identidade outorgada (1999- 
.....), neste período as discussões se acirram em torno do decreto presidencial 3.276, de 6 de 
dezembro de 1999 que define que a formação de professores para Séries Iniciais deve ser 
realizada exclusivamente nos cursos normais superiores. Novamente a comunidade acadêmica 
se organiza para resistir a tal decreto, e o governo não vê outra saída se não colocar outro 
decreto para \u201cconsertar\u201d o anterior, em agosto de 2000, vem, então, o decreto lei n. 3.554 que 
substitui o \u201cexclusivamente\u201d por \u201cpreferencialmente\u201d. 
O curso de Pedagogia recuperou assim a sua função como licenciatura, mas de forma 
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secundarizada, o estrago, no entanto já estava feito. As entidades já estavam se mobilizando 
para revogar as duas leis. Em fevereiro de 2001, é elaborado outro documento por uma nova 
Comissão de Especialistas de Ensino de Pedagogia, em que a formação do pedagogo 
desdobrava-se em duas alternativas, com projetos acadêmicos distintos, sendo que em 
qualquer um deles a docência é indicada como base da organização curricular e, 
consequentemente, de sua identidade. 
Silva, em 1999, quando realiza a pesquisa citada, aponta a lentidão da tramitação das 
diretrizes no CNE como um entrave para a reorganização dos cursos de Pedagogia. 
Em momento posterior à publicação do trabalho de Silva (1999) a proposta da 
ANFOPE de 1999, com algumas alterações, foi aprovada em 2006 e com ela podemos 
vislumbrar mudanças. Mais de 6 anos se passaram desde a proposta inicial elaborada pela 
primeira Comissão de Especialistas do curso (1999), amplamente discutida. Mesmo com 
muitas alterações, o Conselho Nacional de Educação aprovou as Diretrizes Nacionais para o 
curso de Pedagogia em que fica definido que a formação oferecida deverá abranger, 
integralmente, a docência e também a participação na gestão e avaliação de sistemas e 
instituições de ensino em geral e a elaboração e execução de atividades educativas. 
As Diretrizes Curriculares para o Curso de Pedagogia aplicam-se à formação inicial 
para o exercício da docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino 
Fundamental, nos cursos de Ensino Médio de modalidade Normal e com cursos de 
Educação Profissional , na área de serviços de apoio escolar, bem como outras áreas 
nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. A formação oferecida 
abrangerá, integralmente a docência, a participação da gestão e avaliação de sistemas 
de instituições de ensino geral, e a elaboração, a execução, o acompanhamento de 
programas e as atividades educativas (DCN, 2006, p.6) 
 
As diretrizes curriculares de 2006 deixam claro que a identidade do curso de 
Pedagogia deve ser pautada pela na docência, implicando a licenciatura como identidade 
conseqüente do pedagogo. As habilitações foram extintas, o curso de Pedagogia - licenciatura 
- deverá agora formar integralmente para o conjunto das funções a ele atribuídas. O pedagogo 
agora deverá ter uma formação teórica, diversidade de conhecimentos e de práticas, que se 
articulam ao longo do curso. 
Por ter uma formação mais abrangente, o pedagogo ainda continua sendo formado para 
atuar em espaços escolares, dentro e fora da sala de aula, e também em outros espaços onde se 
fizer necessária a sua presença. Sua importância se faz notória graças a uma formação