Genética na Agropecuária
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Genética na Agropecuária


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aTabela 5.2.
TABELA 5.2. Estimativa do 5 3 para testar a hipótese de segregação 3 sementes lisas:1
semente enrugada na geração F2.
Nessa tabela, a frequência esperada é estimadadividindo-se o totalobservado por 4 (3+
1). Dessa forma, 480 /4=120, quecorrespondeà frequência esperadadas sementes enrugadas,
e 120 x 3 = 360 é a frequência esperada das sementes lisas. Depois, basta seguir o que está
indicadonoquadro, obtendo no finalaestimativado 2C5 . Essa estimativadeveser testadaepara
isso éutilizadaa tabela de
25 (Tabela7.8Cap.7). Essa tabela exigeo níveldeprobabilidade ( )
eograude liberdade(GL), sendooGLcorrespondenteaonúmerodeclassesfenotípicaspossíveis
menosum. Isso porque se existemdois fenótiposeumnúmero fixadosdegrãosdaF
2
, apenaso
número de umdos fenótipos é variávelo outro é encontrado por diferença.Ao nívelde5%de
probabilidade, que é comumente utilizado pelos geneticistas, e comgrau de liberdade de 1 (2
classes fenotípicas - 1) a tabela nos dá 25 = 3,84. Como o valor de 2C5 obtido émenor que o
tabelado, dizemosqueo
2
C5 énão significativo eque, portanto, aceitamos ahipótese formulada,
isto é, afrequênciaobservadase ajustaaumafrequênciaesperada,considerandoumasegregação
de 3:1. Demodo idêntico, pode-se testar a frequência observada no retrocruzamento -RC
2
-,
sabendo-se que nesse caso a frequência observada se ajusta à segregação de 1:1.Apróxima
etapa consiste emexplicar esses resultadosgeneticamente.
\u3b1
& $22 Frequência observada - Frequência esperada
Frequência esperada
05 ?
Fenótipo
da geração F2
Frequência
observada (FO)
Frequência
esperada (FE)
Desvio
(FO-FE)
Desvio2
(FO-FE)2
(Desvio)2/FE
Semente lisa 365 360 5 25 0,07
Semente enrugada 115 120 -5 25 0,21
Total 480 480 2c5 = 0,28
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Mendelismo
5.2.4 Interpretação Genética dos Resultados Obtidos
Por que razão na geração F
1
só semanifesta umfenótipo?Quala causa da segregação
3:1 na geração F
2
? Isso pode ser explicado conhecendo-se, sobretudo, o comportamento
dos cromossomos durante a meiose para a formação dos gametas (Capítulo 4). Senão,
vejamos: omilho é uma espécie diplóide, ou seja, temos seus cromossomos organizados aos
pares. Alémdisso, sabemos que a expressão fenotípica dos caracteres é controlada pelos
genes, quepodemapresentar algumas formas alternativas denominadasalelos. No presente
caso, suponha um gene condicionando o aspecto das sementes e representado por dois
alelos. Umcondiciona sementes lisas - Su - e o outro condiciona as sementes enrugadas -
su. Pelo exposto, uma planta pura -homozigótica - para sementes lisas deve apresentar a
constituição genéticaSu Su, e as de sementes enrugadas, su su. Quando da formação dos
gametas, as células haplóides obtidas apresentarão apenasumdos alelos de cada par, isto é,
o gameta produzido pelo genitor P
1
(sementes lisas) possuirá apenas o aleloSu. Por sua vez,
o gameta produzido pelo P
2
terá apenas a constituição su. Pela união dessesgametas durante
a fertilização, será obtido novamente umindivíduo diplóideheterozigótico, que terá umdos
alelos do P
1
e o outro do P
2
, portanto comconstituição genéticaSu su. Considerando que
o alelo para sementes lisas - Su - domina o alelo para sementes enrugadas - su -, pode-se
explicar a ocorrência de apenas um fenótipo na geração F
1
.
As plantas F
1
deverão obviamente produzir dois tipos de gametas, um contendo o
alelo Su e o outro, o alelo su. Em razão do comportamento dos cromossomos durante a
meiose, pode-se esperar que 50%dos gametas conterão o aleloSu e os outros 50%, o alelo
su. Durante a fertilização, ocorre a união ao acaso desses gametas, e o resultado pode ser
visualizado naTabela 5.3.
As proporções genotípicas esperadas na F
2
serão, portanto, de 1/4 Su Su : 1/2 Su
su : 1/4 su su. Como os genótipos Su Su e Su su conferemo mesmo fenótipo, pode-se
esperar na geração F
2
que3/4 das sementes serão lisas e 1/4 enrugadas, isto é, asproporções
fenotípicas de 3:1, como foi observada pelos dados de campo (Tabela 5.4). Pode-se dizer
que uma segregação fenotípica de 3:1 na geração F
2
indica genotipicamente que a
característica, cujo controle genético está sendo estudado, é controlada por umgene com
TABELA 5.3. Gametas produzidos pelas plantas F1 e a respectiva constituição genética da F2
proveniente da união aleatória dos gametas durante a fertilização.
Gametas masculinos
Gametas femininos
½ Su ½ su
½ Su ¼ Su Su ¼ Su su
½ su ¼ Su su ¼ su su
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dois alelos, havendo dominância de umalelo sobreo outro.Utilizando-seomesmo raciocínio
pode-se explicar o resultado observado no RC
2
.
Os resultados dos dois retrocruzamentos (Tabela 5.5) servem para confirmar essa
hipótese genética, dequenesse caso está envolvido apenasumgene comdois alelos. Conclui-
se tambémque na reprodução das plantas heterozigóticas da geração F
1
são produzidos dois
TABELA 5.4. Proporções fenotípicas e as respectivas constituições genéticas das plantas
para o caráter textura da semente do milho nos genitores e nas gerações F1 e F2.
Genitores: P1 x P2
Fenótipos: Semente lisa Semente enrugada
Genótipos: Su Su su su
Gametas: Su su
Primeira geração filial: F1
Fenótipo: 100% semente lisa
Genótipo: Su su
Gametas: ½ Su : ½ su
Segunda geração filial: F2
Fenótipos: ¾ sementes lisas : ¼ sementes enrugadas
Genótipos: ¼ Su Su : ½ Su su : ¼ su su
Gametas: ½ Su : ½ su
TABELA 5.5. Representação dos resultados dos cruzamentos que explicam as segregações
obtidas nos retrocruzamentos, considerando o caráter controlado por um gene com dois alelos.
P1 x F1 P2 x F1
Fenótipos: Semente
lisa
Semente
lisa
Semente
enrugada
Semente
lisa
Genótipos: Su Su Su su su su Su su
Gametas: Su ½ Su e ½ su su ½ Su e ½ su
Retrocruzamentos: RC1 RC2
Fenótipos: Sementes lisas ½ sementes enrugadas e
½ sementes lisas
Genótipos: ½ Su Su e ½ Su su ½ su su e ½ Su su
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Mendelismo
gametas distintos namesma proporção, que é o fundamento daprimeira Lei deMendel,
ou seja: \u201cOs dois alelos de umgene segregam (separam) umdo outro durante a formação
das células sexuais, de modo que metade dos gametas carrega um dos alelos e a outra
metade carregao outro alelo\u201d.
5.3 CONCEITOSCOMUMENTEUTILIZADOSPELOSGENETICISTAS
Deve-se salientar que existemmuitos termosutilizados pelosgeneticistas que precisam
ser bem entendidos. Os primeiros conceitos que devem ficar bem claros são os degene e
alelos. Esses termos foramcriados em1909 por Johannsen, umpesquisador dinamarquês.
Gene é originado da palavra grega genesis, que significa origem, e está de acordo com a
etimologia da palavra, uma vez que ele representa a origemprimária dos caracteres. Nesse
ponto, pode-se conceituar gene como sendo umsegmento de DNA, situado numa posição
específica de umdeterminado cromossomo (loco) e que participa damanifestação fenotípica
de um certo caráter. Alelos são formas alternativas de um mesmo gene que ocupam o
mesmo loco emcromossomoshomólogos eque afetamevidentemente amesmacaracterística,
porémde modo diferente. O uso dos dois termos frequentemente causa equívoco. Para
umamelhor compreensão, voltemos ao exemplo da textura da semente demilho. Essa é uma
característica controlada por umgene que está representado de duas formas alternativas,Su
e su. Assim sendo, um indivíduo puro Su Su é portador de alelosSu iguais e não de genes
Su iguais. Umoutro modo deexpressar seria dizer que o indivíduoSu Su possuidois alelos
iguais domesmo gene.
Os genes são simbolizados, de modo geral, por letras do alfabeto romano ou por
abreviações das designações dadas aos fenótipos do caracter normalmente da língua do país
onde foi feita a descoberta do alelo mutante. Geralmente, o alelo recessivo de umgene é
simbolizado por letra minúscula, enquanto a letra maiúscula indica o alelo dominante. O
importante é que os alelos devemser