Genética na Agropecuária
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Genética na Agropecuária


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sempre representados pelamesma letra. No caso do
gene responsávelpela textura das sementes domilho, foiutilizado o símboloSupara sementes
lisas. Este símbolo é derivado dapalavra sugary (açucarado), jáqueomutante foi identificado
nos EstadosUnidos. Quando existemmais de dois alelos (Capítulo 8), usa-se amesma letra,
comumexpoente, que pode ser número, letras ou abreviação que lembramo fenótipo, para
diferenciá-los.
Umoutro termo comumente utilizado égenótipo. Ele é definido como a constituição
genética de um indivíduo. Se a espécie é diplóide, o genótipo contémdois alelos de cada
gene, podendo serhomozigótico, quando elessão iguais -SuSu e susu -, ouheterozigótico,
quando os alelos são diferentes -Susu. Diferentes genótipos podemdar origemao mesmo
fenótipo, dependendo ou não da ocorrência da interação alélica dedominância completa.
Assim,SuSu e Susu, por exemplo, são genótipos diferentes, porémas sementes apresentam
omesmo fenótipo, isto é, são lisas. Pode-se dizer que os fenótipos são as formas alternativas
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de expressão de uma característica. Na realidade, como será visto posteriormente, a
manifestação fenotípica depende não só do genótipo mas tambémdo ambiente.
As células sexuais de umdeterminado indivíduo recebema denominação degametas.
No caso do genótipo Su su, são produzidos dois gametas diferentes, umcontendo o alelo
Su e o outro, o alelo su. A união aleatória desses gametas durante a fertilização é que
produz as segregações genotípicas características das gerações F
2
e de um dos
retrocruzamentos.
A segregação dos gametas, que é a expressão da Primeira Lei deMendel, pode ser
comprovada facilmente. Isso ocorre quando é possível constatar as proporções de 1:1
nos próprios gametas. Um dos exemplos refere-se à coloração dos grãos de pólen do
milho que carregamo aleloWxou o alelowx. Quando o indivíduo éhomozigóticoWxWx,
o grão de pólen éWx e possui amilose e amilopectina. Assim sendo, se tratarmos esse
pólen com solução de iodo, ele colore-se de azul. Nos indivíduos de genótipowxwx o
pólen é wxe não chega a formar a amilose, pois possui 100% de amilopectina, que se cora
de vermelho. Um indivíduo heterozigóticoWxwx produz dois tipos de grãos de pólen,
aqueles com o aleloWx, que são azuis após a coloração com iodo, e oswx, que serão
vermelhos. Se for contado o número de grãos de pólen de uma planta heterozigótica
Wxwx, serão encontrados 50% de cada tipo, mostrando que os gametas segregamcomo
previsto na Primeira Lei deMendel.
O modo mais utilizado para verificar se a segregação está ocorrendo é, porém,
por meio do cruzamento teste, ou seja, o cruzamento do indivíduo supostamente
heterozigótico, no exemplo indivíduos da geração F
1
com o genitor que possui alelos
recessivos. Isto é, o cruzamento teste é, neste exemplo, um retrocruzamento. Na Tabela
5.5, está ilustrado um cruzamento teste; observe que, devido ao P
2
ser homozigótico
para o alelo recessivo, o fenótipo da descendência do cruzamento teste depende apenas
da expressão dos alelos presentes nos gametas do indivíduo heterozigótico da geração
F
1
. No caso, as proporções esperadas no cruzamento teste são de 1:1, em razão da
segregação dos gametas, contendo os alelos Su e su durante a meiose, ocorrer nestas
proporções.
5.4 ESTUDODOCONTROLEGENÉTICOEMANIMAIS
Umoutro aspecto que deve ser comentado diz respeito ao estudo do controle genético
dos caracteres em animais. Nesse caso, por não ser possível realizar a autofecundação,
certificar que um animal é puro-homozigótico-, complica um pouco mais. Porém, se no
acasalamento entre irmãos, por exemplo, não ocorrer segregação é porque os animais em
questão devemser puros para o caráter considerado. Quando se deseja conhecer o controle
genético de um caráter, em uma espécie cuja descendência é numerosa e que tambémseja
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Vale ressaltar que uma coelha pode ter até oito partos por ano emmédia com oito
láparos (filhotes) por parto, o quepossibilita obter uma descendêncianumerosa, facilitando o
estudo da herança de qualquer caráter nessa espécie.
Especialmente para aquelas espécies cuja descendência não é numerosa, e a geração
é mais longa, o controle genético de umcaráter pode ser realizado por meio do estudo da
genealogia. Na elaboração dagenealogia, tambémdenominada depedigree,heredograma
ou árvore genealógica, normalmente são utilizados os símbolos apresentados na Figura
5.4. Na Figura 5.5, é mostrado umexemplo de pedigreede uma família de cães comatrofia
progressiva da retina. É uma doença ocular de origemhereditária que se caracteriza pela
degeneração irreversível da camada retinal fotoreceptora do olho, causando cegueira em
muitas raças. O gene que controla esta doença é oRDS. Observando o pedigree, é fácil
inferir que o caráter é controlado por umgene eque o alelo recessivo confere a enfermidade.
Veja também que o macho da geração III só pode apresentar a doença porque seus pais
eram heterozigóticos. Esse macho, da geração III, foi cruzado com 15 fêmeas normais,
porémamaioria delas deve ser heterozigótica dada a grande frequência de animais afetados
na descendência.
possível várias gerações por ano, praticamente não há diferença do procedimento adotado
para a cultura domilho, comentado anteriormente. Esse fato pode ser comprovado na Figura
5.3, emque é apresentado o estudo do controle genéticodo caráter cor dapelagemdecoelhos.
P1 P2
Albino X Aguti
cc CC
F1
Aguti
Cc
F2 Albino Aguti
38 126
cc C__
FIGURA 5.3. Resultados do estudo da herança da cor da pelagem em coelhos. Como se
observa, as proporções fenotípicas na geração F
2
se ajustou as proporções de 3:1 (
25 calculado =
0,29 NS), indicando que o caráter é controlado por um gene (C) comdois alelos, o dominante C
que confere a cor aguti e o recessivo c a cor albino.
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FIGURA 5.4. Símbolos mais usados em heredogramas.
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Mendelismo
FIGURA 5.5. Pedigree (árvore genealógica) de uma família de cães com atrofia progressiva
da retina.
5.5 LEIDADISTRIBUIÇÃOINDEPENDENTE
Oque foi descrito anteriormente envolvia uma característica controlada por umgene
com dois alelos. Agora será estudado o que ocorre quando estão envolvidas duas
características distintas, cadaumacontrolada por umgene comdois alelos. Para exemplificar,
será utilizada novamente a cultura do milho e duas características da semente. Aprimeira
característica refere-se à textura da semente que, como já foivisto, pode ser lisa ou enrugada.
A segunda característica é a cor do endosperma da semente que pode ser branco ou amarelo.
Essa característica tambémé controlada por umgene comdois alelos, havendo dominância
do aleloY, que condiciona sementes amarelas e que domina o de sementes brancas,y.
Utilizando osmesmosprocedimentos já descritos, foi realizado o cruzamentodeplantas
homozigóticas provenientes de sementes lisas e amarelas complantas oriundas de sementes
brancas e enrugadas e foramproduzidos os resultados daTabela 5.6.
Osdadosobtidosna geração F
1
mostraramque o alelo que condiciona semente amarela
domina o que condiciona semente branca; o mesmo ocorre no caso do alelo de semente lisa
que domina o de enrugada. Considerando cada caráter isoladamente, observa-se que na
geração F
2
ocorreu a segregação de 3:1 em cada caso, pois foram obtidas 354 sementes
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amarelas para 126 sementes brancas e 365 sementes lisas para 115 sementes enrugadas.
Sendo assim, para cada caráter analisado isoladamente, o fenômeno de segregação ocorreu,
como já foivisto nos tópicos anteriores.
TABELA 5.6. Fenótipos dos genitores e das gerações F1 e F2 provenientes do cruzamento de
plantas de milho homozigóticas e contrastantes para a cor e textura das sementes.
Fenótipo das sementes
Gerações Amarelo
liso
Amarelo
enrugado
Branco
liso
Branco
Enrugado
P1 100% - - -
P2 - - - 100%