Genética na Agropecuária
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Genética na Agropecuária


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informação para
expressão fenotípica dos diferentes caracteres é passada de pais para filhos por meio dos
gametas. Emcontrapartida, a variação pode ser definida como sendo todas as diferenças
ambientais ougenéticas entre os organismos relacionados pela descendência. Dessa forma,
asvariações tanto podemser decorrentesexclusivamente domeio e, portanto, não hereditárias,
como tambémpodemser produzidas por alterações na constituição genética, sendo, nesse
caso, hereditárias.
Aparentemente, a hereditariedade e a variação são forças antagônicas. Isso porque,
enquanto ahereditariedade está relacionada coma semelhança entre os indivíduos no decorrer
das gerações, a variação faz comque os indivíduos sejamdiferentes. Embora antagônicas
nesse aspecto, a hereditariedade e a variação são forças que se completam, pois, se por um
lado a variação permite que existam diferenças sobre as quais atua a seleção havendo o
melhoramento e evolução, por outro lado, o resultado da seleção só será positivo, ou seja,
será mantido, se a variação sobre a qual ela atuou for herdável.
É bem provável que a genética tenha despertado a atenção do homem há muitos e
muitos anos. Existemevidências de que há 10 mil anos, o homem já se preocupava com a
seleção de plantas e animais para sua sobrevivência. Muitas hipóteses foram formuladas
para explicar a transmissão das características hereditárias ao longo do tempo. Porém, a
genética recebeu seu maior impulso por meio dos trabalhos domonge agostiniano Gregor
Mendel (Figura 1.1), realizados no final do século XIX e que receberamcrédito apenas no
início do século XX.
Há relatosde inúmeros outrospesquisadores antes deMendelque tentaramelucidar as
bases da hereditariedade, sem, contudo obteremsucesso. Há algumas razões para o êxito de
Mendel, entre elas: a)Aescolha do material experimental. Ele trabalhou comervilha, uma
planta de ciclo curto, descendência numerosa eque ocupa pequeno espaço;b)Estudou vários
caracteres da ervilha, emrealidade sete, visando a ter certeza dos resultados obtidos; c) Foi
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ESTUDO DA GENÉTICA
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Genética naAgropecuária
persistente emconduzir o trabalho eemdefender suas idéias, que eramdiferentes de tudo que
ocorria na época. É de se imaginar a sua angústia, como monge, tentando explicar os seus
resultados a cientistas famosos da época.
Infelizmente, o trabalho deMendel só foi reconhecido em1900, 16 anos após a sua
morte (1884), quando trêspesquisadores:DeVries,CorrenseTschermak, independentemente,
mostraramque a teoria do mongeAgostiniano era correta.Assim, 1900 foi considerado o
marco zero, ouo ano do nascimento da genética. É por essa razão que ela é conhecida como
uma ciência do século XX.
A genética é, portanto, uma ciência relativamente nova, mas que tem evoluído
espetacularmente, sobretudo porque despertou a atenção de vários ramos do conhecimento
humano. Estima-se que o tempo necessário para dobrar o conhecimento científico é de
cerca de dez anos, mas esse tempo é de apenas cinco anos para as ciências biológicas e, no
caso específico da genética, é de pouco mais de um ano.
FIGURA 1.1. Johannes Gregor Mendel. Filho de agricultores, nasceu na cidade de Brno, em
22 de julho de 1822. Aos 25 anos entrou para um mosteiro, onde pôde continuar seus estudos
em Zoologia, Botânica, Física e Matemática. Em 1857, com cerca de 35 anos, iniciou em uma
pequena área do convento os seus trabalhos de hibridação com ervilha, que duraram cerca de
6 anos e contribuíramdecisivamente para elucidar os princípios da transmissão das informações
hereditárias (Freire Maia, 1995).
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Importância do Estudo da Genética
1.2 AGENÉTICAESUAIMPORTÂNCIA
Agenética é uma das ciências que foi, é e será a quemais temcontribuído para o bem
estar da humanidade. Para evidenciar esse fato, os dados do crescimento populacional são
uma boa prova. Na figura 1.2, pode-se observar o que ocorreu com o crescimento da
população ao longo do tempo e o que é estimado até 2025. Para se ter umamelhor ideia do
que isso representa atualmente, a cada segundo nascem três novos habitantes. Emumdia, a
população do planeta é acrescida de 240 mil habitantes. Quais as consequências do
crescimento populacional dessamagnitude? Serão inúmeras as consequências, entre elas
pode-se citar: i) incremento nos problemas desaúdeda população. ii) a demanda por alimento
será crescente. iii) as questões ambientais principalmente relacionadas ao consumo de água,
produção de lixo emuitos outros irão acentuar. iv) aumento da competição no mercado de
trabalho, entre outros.Agenética contribuiu e continuará contribuindo na solução desses
problemas. No caso da saúde, por exemplo, quanto maior a densidade demográfica mais
fácil é a disseminação dos agentes patogênicos e as epidemias sãomuito mais frequentes.
Não é o objetivo dessa publicação enfocar a genética médica, contudo, vale salientar que,
atualmente, há evidências de que praticamente todas as patologias são hereditárias. Não é
sempropósito, que entre as áreas da genética, a médica é a quemais cresce e possui uma
maior contingente de profissionais envolvidos no seu estudo.
Aténaquestão do saneamento básico, a genética contribuiu e terá participação decisiva
no futuro. Alguns organismos já foram selecionados visando à despoluição de áreas
contaminadas. Essa é uma área emque as perspectivas da genética emcontribuir na redução
do impacto ambiental é enorme.
Nessemomento, o que interessa é mostrar a participação da genética na solução dos
problemasdecorrentesdademandade alimentos, fibras ebiocombustível.Não édifícil imaginar
o consumo diário de alimentos de uma população superior a 8 bilhões de habitantes em
2025.
Alémdomais, o crescimento populacional ocorre especialmente nos centros urbanos.
O que se espera é que a grandemaioria da população se concentre emcidades commais de
100mil habitantes e que, apenas umaparcela se dedique à produção de alimentos primários.
Isso indica que, além da necessidade de produzir umamaior quantidade de alimentos, essa
atividade será realizadapor umcontingente de agricultores, proporcionalmente, beminferior
ao existente nos dias de hoje.
Nos seus primeirosanos, a genética sepreocupou emconhecer o controle genético dos
caracteres. Porém, a partir dos anos 50 foram intensificadas as pesquisas sobre a natureza
químicadogene, seu funcionamento e regulação que contribuíramparao desenvolvimento de
uma nova área, a genéticamolecular e umadas tecnologiasgeradas é adoDNArecombinante.
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Esses dados só não são mais dramáticos porque a experiência do passado possibilita
afirmar queo homemdispõede tecnologiapara produzir alimentosnaquantidade e qualidade
necessáriasparaatender às necessidadesdapopulação.Dentre as tecnologiasque contribuíram
e deverão continuar contribuindo para o aumento na produção dealimentos, o melhoramento
genético de plantas e animais se destaca. Nesse aspecto, são conhecidosmuitos exemplos
da contribuição efetiva do melhoramento genético. Entre os inúmeros casos, umdos mais
expressivos foi a produção de milho híbrido, iniciada comos trabalhos deG.H. Shull, E.M.
East eD.J. Jones, nas duasprimeiras décadas do século XX.Até 1940, quando os primeiros
híbridos foram recomendados aos agricultores, a produtividade foi praticamente amesma
(Figura 1.3).Apartir daí, o crescimento emprodutividade foi espetacular. EmMinnesotta
(EUA), por exemplo, a produtividade passoude 2010 kg/ha em1930, para aproximadamente
10.000 kg/ha em2010.
FIGURA 1.2. Crescimento da população humana a partir de 1650 e sua projeção para o ano
de 2025.
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Importância do Estudo da Genética
FIGURA 1.3. Dados da produtividade de grãos de milho (t/ha) de 1860 a 2008 nos Estados
Unidos.
Esse expressivo aumentonaprodutividadepode ser atribuído àmelhoria deumasérie de
práticas culturais; porém, omelhoramento genético, pela inclusão domilho híbrido no sistema
produtivo, foi responsávelpor