Genética na Agropecuária
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Genética na Agropecuária


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cercade58%desseganho emprodutividade.Se for considerado
que só os Estados Unidos produzem atualmente mais de 260 milhões de toneladas/ano de
milho, é fácildeduzir a importância social e econômica doaprimoramento genético obtido.
Omelhoramento genético das plantas temsido realizado de várias formas, como, por
exemplo, a introdução de alelos de resistência a pragas e doenças, às condições adversas de
solo e clima e tambémmelhorando a arquitetura da planta. Nesse último aspecto, destacou-
se umtrabalho realizado comacultura do arroz, que foi fundamental no que se denominou
de revolução verde e contribuiu para que a partir de 1960, quando a população do planeta
sofreu o seumaior crescimento, não houvesse falta desse importante alimento. O cultivo do
arroz, em quase todo planeta é realizado sob o sistema de inundação.Até 1960, uma das
cultivaresmais utilizadas era a PETAque tinha porte alto. Para incrementar a produção de
grãos por área, era necessário utilizardoses crescentesde fertilizantesnitrogenados. Contudo,
quando essas plantas de porte alto recebiamdoses crescentes de nitrogênio, o crescimento
vegetativo era excessivo e elas acamavam, colocando os grãos em contato com a água.
Nessa situação, a produtividade de grãos reduzia, ao invés de aumentar como era de se
esperar (Figura 1.4). Os geneticistas encontraramuma linhagemque crescia pouco, planta
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baixa, DEE-GEE-WOO-GEN. A produtividade dessa linhagem era muito baixa,
impossibilitando o seu uso comercial. Emcruzamento, contudo, comaPETApossibilitou a
obtenção de plantas de porte intermediárias e muito produtivas. Desse trabalho, foi obtida,
por exemplo, a cultivar IR-8, que, ao contrário da PETA, apresentava grande resposta ao
fertilizante nitrogenado, semacamar, permitindo obter enorme produtividade de grãos por
área, tão necessária emvárias regiões do planeta emque a demanda por arroz era grande e
a área agrícola era escassa, tais como: China, Filipinas emuitos outros países.
FIGURA1.4.Aobtenção da cultivar IR-8, (A) proveniente do cruzamento da Peta, muito alta
e a DEE-GEE-WOO-GEN, muito baixa. (B) comparação da performance das cultivares de
arroz PETA e IR-8 em doses crescentes de nitrogênio, tanto em ano agrícola com pouca ou
muita precipitação (chuva). Fonte: Chrispeels e Sadava (1994).
A contribuição do melhoramento genético no Brasil também foi decisiva. O país
apresentou amaior taxa de crescimento no século XX, quando a população aumentou 10
vezes. No entanto, o incremento emprodutividade emgrãos por área, possibilitou que não
só fosse possível alimentar toda a população como também houve grande excedente
exportável compraticamente amesma área agrícola (Figura 1.5).
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Importância do Estudo da Genética
FIGURA 1.5. Produção (milhões de toneladas) e área colhida de grãos (milhões de hectares)
no Brasil. (IBGE, 2011).
Apenas para exemplificar, será considerado o caso da soja. Essa leguminosa até 1970
concentrava-se no sul do Brasil. Isso porque, a soja é uma espécie originária da China,
domesticada e cultivada sob condições de dias longos, isto é, mais de 18 horas de luz.
Quando as cultivares existentes antes de 1970, eramcultivadasmais próximas do equador
em que o comprimento do dia é próximo de 12 horas, floresciam precocemente sem as
plantas atingiremumbomdesenvolvimento vegetativo.Como consequência, a produtividade
por área eramuito baixa, impedindo o seu cultivo comercialmente.Geneticistas brasileiros,
conseguiramselecionar plantas comperíodo juvenil longo. Essas plantas, mesmo comdias
curtos, vegetamprimeiro, atingemumbomcrescimento, e só então iniciamo florescimento.
Nessa condição, a produtividade obtida é economicamente viável.
Alémdesse caráter, os geneticistas selecionaramplantas mais adaptadas a regiões sob
vegetação de cerrado. Por exemplo, foramselecionadas estirpes deRhizobium adaptadas
ao cultivo de solo de cerrado. Como resultado desses esforços, não se empregam mais
fertilizantes nitrogenados no cultivo da soja no Brasil e a produção passou de poucomais de
2milhõesde toneladas em1970parapróximo de60milhões na safra de2009/2010.Aumento
de praticamente 30 vezes em30 anos (Figura 1.6).Adicionalmente ocorreu a economia de
fertilizantes nitrogenados que é atualmente superior a 4milhões de toneladas.
O eucalipto, outra espécie exótica, é um exemplo de muito sucesso obtido por
pesquisadores brasileiros. Em 1960, a produtividade era de 20 m3/ha/ano de madeira,
atualmente ela é superior a 45m3/ha/ano.Aprodutividade de celulose que era 5,8t/ha/ano
passou paramais de 11t/ha/ano. Esse excepcional incremento emumperíodo tão curto foi
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decorrente da melhoria do manejo e, sobretudo, ao melhoramento genético. Foram
selecionados os indivíduos superiores e que foramperpetuados por meio de propagação
assexuada, (clone).
FIGURA 1.6. Evolução da produção de soja no Brasil.
Fonte: IBGE (2009).
Todas as informaçõesdisponíveis apontamque a agriculturabrasileira será responsável
não só para atender ao mercado interno de alimentos, fibras e biocombustível, mas também
o mercado externo. Isso porque em vários países em que a população é crescente, não
existemmais possibilidades de incrementos na produção de produtos vegetais.
No caso dos animais, a contribuição do melhoramento genético também teve o
mesmo sucesso obtido com as plantas. O melhoramento das aves, por exemplo,
proporcionou a obtenção de novos híbridos, tanto visando à produção de carne como à
de ovos, que contribuírampara uma verdadeira revolução na avicultura. Como prova disso,
as companhias de melhoramento genético de aves conseguiram aumentar o peso médio
das aves de 1.500 g aos 105 dias, em 1930, para 2.300 g aos 42 dias, em 2008. Como
pode ser observado, o melhoramento genético proporcionou aumento de 53% no peso
médio das aves e, principalmente, redução de 63 dias no período para estarememcondição
de seremabatidas. Simultaneamente, a conversão alimentar passou de 3,50:1 para 1,88:1.
Em se tratando de postura, a melhoria da eficiência das aves foi equivalente, ou superior
àquela obtida para a produção de carne.As aves caipiras - não melhoradas - produzem,
emmédia, 60 a 80 ovos /ave/ano, ao passo que as avesmelhoradas estão produzindo 270
ovos/ave/ano. Esses dados mostram que o melhoramento genético possibilitou uma
verdadeira revolução na exploração avícola, permitindo que os produtos da avicultura se
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Importância do Estudo da Genética
tornassemmais competitivos no mercado. OBrasil é atualmente o principal exportador de
carnes e ovos, mas ainda pode e deve desenvolver o melhoramento genético das aves,
reduzindo a necessidade da importação de matrizes de outros paises.
A bovinocultura brasileira, tanto de leite como de carne, tambémapresentou enorme
crescimento nos últimos anos. Na tabela 1.1, mostra-se a participação de alguns países na
produção de carne bovina. Veja que o Brasil é o segundo mair produtor e é, atualmente, o
principal exportador de carne do planeta. Isso foipossível emrazão damelhoria do manejo,
dos aspectos de sanidade animal e, sobretudo, ao melhoramento genético. Nesse último
aspecto, vale salientar que o Brasil exporta matrizes selecionadas para inúmeros países,
evidenciando o trabalho realizado emmelhoramento genético animal no país.
TABELA 1.1. Principais países produtores e exportadores de carne bovina no período de
2001 a 2007. (Dados 1.000 toneladas equivalente de carcaça).
Fonte:Agroanalysis (2008).
País Produtores 2001 2007 % do mercado
EUA 11.983 12.096 20,0
Brasil 6.895 9.470 15,7
União Européia 8.346 8.175 13,5
China 5.503 7.494 12,4
Argentina 2.640 3.200 5,3
Índia 1.770 2.500 4,1
México 1.925 2.200 3,6
Austrália 2.049 2.197 3,6
Mundo 53.377 60.437 100,0
País Exportadores 2001 2007 % do mercado
Brasil 741 2.189 28,8
Austrália 1.376 1.400 18,4
Índia 365 735 9,7
EUA 1.029 649