Curso Direito Penal SP
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a teoria 
da conditio sine qua non, só havendo que se falar em concurso em relação 
às ações dos agentes que tenham relevância para as ações criminosas. Por 
exemplo, não se pode pretender à punição do proprietário da indústria 
armamentista, que produziu a arma utilizada no crime. 
 Outro requisito essencial ao concurso de pessoas é a presença de 
liame subjetivo entre eles, isto é, os agentes devem agir em unidade de 
desígnios, em co-autoria própria. No entanto, caso duas ou mais 
pessoas atuem sem liame subjetivo, objetivando a mesma prática delituosa, 
 
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haverá co-autoria imprópria, ou autorial colateral, não havendo que se falar 
em concurso de agentes. Nesse caso, cada agente responderá, 
individualmente, pelos atos que tiver praticado. 
 
 
5.1 Autoria 
 
 Autor é aquele que pratica o verbo descrito no tipo penal. Por 
exemplo, no caso do artigo 121 do Código Penal, que tipifica: \u201cmatar 
alguém\u201d; será considerado autor aquele que praticar o verbo: matar. 
 Sobre o conceito de quem seja o autor do crime, 3 (três) são as 
principais teorias apresentadas pela doutrina: 
 a) teoria material-objetiva (ou extensiva); 
 b) teoria formal-objetiva (ou restritiva); e 
 c) teoria normativa-objetiva (ou teoria do domínio do fato). 
 Segundo a teoria material-objetiva, autor do crime não é só quem 
realiza o verbo do tipo penal, mas também quem concorre com qualquer 
causa para a produção do resultado. Assim, não há que se distinguir entre 
autor e partícipe. 
 Segundo a teoria formal-objetiva, autor do crime é apenas aquele que 
realiza o verbo do tipo penal. No entanto, esse conceito não abrange aquele 
que comete o crime por intermédio de outrem que não atue com 
culpabilidade, confundindo-se as figuras de autor mediato com partícipe 
(MIRABETE, 2006, p. 228). 
 Já segundo a teoria normativa-objetiva, autor é aquele que possui o 
domínio final do crime, possuindo poderes, em alguns casos, para 
interromper sua execução, inclusive. Para essa teoria, autor é aquele que 
pode decidir sobre o verbo do tipo penal, enquanto partícipe é apenas um 
colaborador, sem poderes para decisão finalística em relação ao crime. 
 Conforme orientação da doutrina pátria, a teoria normativa-objetiva 
deve ser adotada em complemento à teoria formal-objetiva, tendo esta sido 
acolhida pelo Código Penal e sendo com àquela compatível. 
 
 
5.2 Co-autoria 
 
 Co-autor é todo aquele que executa, juntamente com outras pessoas, 
o verbo descrito no tipo penal. Quando duas ou mais pessoas agridem outra, 
elas estão praticando o delito de lesões corporais, em co-autoria. Nesse 
caso, verifica-se a co-autoria se todos os autores praticarem as agressões, 
assim como se apenas um agredir e os demais segurarem a vítima, de modo 
a imobilizá-la. 
 A co-autoria é chamada de própria quando os co-autores atuam com 
unidade de desígnios, mediante um liame subjetivo de intenções. Em 
contrapartida, chama-se co-autoria imprópria aquela verificada em situações 
que não consagram a existência de um liame subjetivo entre os autores. Se 
\u201cA\u201d e \u201cB\u201d, sem unidade de desígnios, atirarem contra \u201cC\u201d, atuarão em co-
 
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autoria imprópria, o que lhes traduzirá responsabilização isolada em relação 
ao delito. 
 
 
5.3 Participação 
 
 Partícipe é todo aquele que exerce uma atividade acessória em 
relação à prática, pelo autor, do verbo descrito no tipo penal. Sem o início da 
prática dos atos de execução, a participação é irrelevante (MIRABETE, 
2006, p. 231). 
 A instigação e a cumplicidade são condutas típicas do partícipe. 
Instigação é o incentivo à prática criminosa, seja para criar a intenção de sua 
prática, seja para aguçar uma intenção preexistente. Já a cumplicidade é o 
efetivo auxílio ao autor do crime, mediante a entrega de uma arma para 
realização do homicídio, por exemplo. 
 
 
5.4 Autoria mediata 
 
 Autor mediato é aquele que não pratica, diretamente, o verbo descrito 
no tipo penal. Para essa prática, ele se vale de uma pessoa que atue sem 
culpabilidade, como um inimputável, por exemplo. 
 A doutrina aponta como hipóteses nas quais pode se verificar a 
autoria mediata: 
 a) a coação moral irresistível; 
 b) a obediência à ordem hierárquica não manifestamente ilegal; 
 c) a utilização de instrumento despido de capacidade penal, como no 
uso de animais, por exemplo; e 
 d) a provocação de erro de tipo escusável. 
 Em relação à autoria mediata, ela não se manifesta perante os crimes 
próprios, tão menos em relação aos de mão-própria. Ademais, também não 
há que se falar em autoria mediata em relação aos crimes culposos. 
 
 
5.5 Natureza jurídica do concurso de pessoas 
 
 Praticado o crime mediante o concurso de pessoas, três teorias são 
apresentadas pela doutrina para identificação da natureza do crime: 
 a) teoria unitária (adotada como regra pelo Código Penal); 
 b) teoria dualística; e 
 c) teoria pluralística (adotada como exceção pelo Código Penal). 
 Segundo a teoria unitária, praticados vários crimes por várias 
pessoas, considera-se existente apenas um delito. A teoria unitária, também 
chamada de monista, foi adotada como regra pelo Código Penal. Segundo o 
artigo 29 do mencionado Códex, quem, de qualquer modo, concorre para o 
crime, incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade. 
 
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Portanto, o crime é único, sendo que cada co-autor ou partícipe será 
responsabilizado na medida de sua culpabilidade. 
 Quando a participação for de menor importância, a pena será 
reduzida de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço), conforme estipulação do 
parágrafo primeiro, do artigo 29, do Código Penal. 
 Ademais, se algum dos partícipes quis participar de crime menos 
grave do que o cometido pelos concorrentes, deve ser-lhe aplicada a pena 
deste. No entanto, essa pena será aumentada até a metade caso tenha sido 
previsível o resultado mais grave (art. 29, §2º, do CP). 
 Segundo a teoria dualística, há dois crimes: um para os co-autores e 
outro para os partícipes, teoria que não é adotada pelo Código Penal 
brasileiro em nenhuma hipótese. 
 Por derradeiro, segundo a teoria pluralística, cada agente deve ser 
responsabilizado de maneira individualizada, ainda que suas condutas 
estejam vinculadas por liame causal. Essa teoria é hipótese excepcional, 
adotada pelo Código Penal em casos pontuais, como nos seus artigos 124 e 
126, que tratam do aborto praticado com o consentimento da gestante. 
 
 
5.6 Concurso e circunstâncias do crime 
 
 Conforme disposição do artigo 30 do Código Penal, não se 
comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo 
quando elementares do crime. 
 As elementares integram a estrutura do crime, e caso sejam excluídas 
ou alteradas provocam a extinção ou alteração do crime. As elementares 
informam a qualidade do crime, assim como o seu título, cuja descrição 
encontra-se no caput do tipo penal. Alterada uma situação elementar do 
crime, esta aproveitará a todos os concorrentes. 
 As circunstâncias, por sua vez, integram dados acessórios e 
acidentais do crime, cujo condão não é o de excluir o crime, mas apenas o 
de agravar ou atenuar a pena. Enquanto a descrição das elementares situa-
se no caput do tipo penal, a descrição das circunstâncias consta dos 
parágrafos dos mesmos. As circunstâncias do crime dividem-se em: 
 a) circunstâncias pessoais (ou subjetivas); e 
 b) circunstâncias reais (ou objetivas, ou materiais). 
 Circunstâncias reais são aquelas relacionadas ao fato criminoso, 
objetivamente considerado, como o tempo, o lugar, os meios de execução e 
às condições da vítima (MIRABETE, 2006, p. 239). As circunstâncias reais, 
desde que conhecidas pelos co-autores, a eles de comunicam, assim como 
se comunicam as elementares. 
 Já as circunstâncias pessoais são aquelas relacionadas ao agente, 
englobando as relações deste com a vítima e com os co-autores, além