Curso Direito Penal SP
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mais severo de 
privação da liberdade. Segundo o artigo 52, da Lei de Execução Penal (Lei 
n.º 7.210/84), durante a execução da pena, aquele que praticar fato previsto 
como crime doloso incorre em falta grave e, quando ocasionar subversão da 
 
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ordem ou disciplina interna, sujeita o preso provisório, ou condenado, sem 
prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado (RDD), que 
possui as seguintes características: 
 a) duração máxima de trezentos e sessenta dias, sem prejuízo de 
repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie, até o limite de 
um sexto da pena aplicada; 
 b) recolhimento em cela individual; 
 c) visitas semanais de duas pessoas, sem contar as crianças, com 
duração de duas horas; 
 d) o preso terá direito à saída da cela por 2 (duas) horas diárias para 
banho de sol. 
 O regime disciplinar diferenciado também pode abrigar presos 
provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros, que apresentem alto 
risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade 
(art. 52, §1º, da LEP). 
 Também sujeita-se ao regime disciplinar diferenciado o preso 
provisório ou o condenado sob o qual recaiam fundadas suspeitas de 
envolvimento ou de participação, a qualquer título, em organizações 
criminosas, quadrilha ou bando (art. 52, §2º, da LEP). 
 
 
7.2.2 Penas restritivas de direitos 
 
 A pena privativa de liberdade deve ser a última alternativa para o 
condenado, pois é a mais severa. Sempre que possível, deve-se aplicar ao 
condenado as penas mais adequadas e suficientemente aptas a lhe punir e 
regenerar. 
 Desse modo, sempre que possível, deve-se substituir a pena privativa 
de liberdade pela pena restritiva de direitos, especialmente nos dias atuais, 
em que se conhece a realidade do sistema prisional, que mais corrompe que 
recupera. 
 Contudo, para que possa haver essa substituição, há que estarem 
preenchidos determinados requisitos, quais sejam: 
 a) que a pena privativa de liberdade aplicada não seja superior a 4 
(quatro) anos, se o crime for doloso, pois se for culposo a substituição é 
sempre possível; 
 b) que e o crime não tenha sido cometido com violência ou grave 
ameaça à pessoa; 
 c) que o réu não seja reincidente específico em crime doloso (se a 
reincidência for genérica, admite-se a substituição das penas se forem 
favoráveis as circunstâncias descritas abaixo); 
 d) que a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a 
personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias 
indiquem que essa substituição é suficiente. 
 
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 As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as 
privativas de liberdade. Essas penas podem ser: 
 a) de prestação pecuniária; 
 b) de perda de bens e valores; 
 c) de prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; 
 d) de interdição temporária de direitos; 
 e) de limitação de fim de semana. 
 A prestação pecuniária consiste no pagamento, em dinheiro, à vítima, 
a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, 
de importância fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem 
superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. O valor pago será 
deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, 
se coincidentes os beneficiários (art. 45, §1º, do CP). Ademais, a prestação 
pecuniária pode consistir em prestação de outra natureza, desde que haja 
aceitação do beneficiário (art. 45, §2º, do CP). 
 A perda de bens e valores do condenado dar-se-á, em benefício do 
Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto, o montante do 
prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou por terceiro, em 
consequência da prática do crime, salvo disposição em sentido diverso em 
legislação especial (art. 45, §3º, do CP). 
 A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas só é 
aplicável às condenações que sejam superiores a 6 (seis) meses de 
privação de liberdade (art. 46, caput, do CP). Pela prestação de serviços à 
comunidade ou a entidades públicas o condenado não receberá qualquer 
valor pecuniário. Essa prestação de serviços dar-se-á em entidades 
assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros estabelecimentos 
congêneres, em programas comunitários ou estatais (art. 46, §2º, do CP). A 
determinação das tarefas do condenado devem observar as aptidões do 
mesmo, devendo-se cumprir à razão de uma hora de tarefa por dia de 
condenação, fixadas de modo que não prejudique a jornada normal de 
trabalho. Na hipótese da pena substituída ser superior a 1 (um) ano, é 
facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo (art. 
55), através da compensação em horas, desde nunca inferior a metade da 
pena privativa de liberdade fixada. 
 Conforme disposição do artigo 47 do Código Penal, as penas de 
interdição temporária de direitos são: 
 a) proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem 
como de mandato eletivo; 
 b) proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que 
dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder 
público; 
 c) suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. 
 d) proibição de frequentar determinados lugares. 
 A limitação de fim de semana consiste na obrigação de permanecer, 
aos sábados e domingos, por 5 (cinco) horas diárias, em casa de albergado 
 
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ou outro estabelecimento adequado (art. 48, caput, do CP). Durante essa 
permanência, poderão ser ministrados aos condenados cursos e palestras 
ou atribuídas atividades educativas (art. 48, parágrafo único, do CP). 
 Quando a condenação for igual ou inferior a um ano, a substituição 
pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos. Se a 
condenação for superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser 
substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas 
de direitos (art. 44, §2º, do CP). 
 Conforme disposição do parágrafo quarto, do artigo 44 do Código 
Penal, a pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade 
quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. Nesse 
caso, ao se realizar o cálculo da pena privativa de liberdade a executar, 
deve-se deduzir o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado-
se o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão. 
 E sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro 
crime, durante o cumprimento de pena restritiva de direitos, o juiz da 
execução penal deverá decidir sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-
la se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. 
 
 
7.2.3 Pena de multa 
 
 A pena de multa pode ser fixada de maneira isolada, cumulativa ou 
alternativa, a depender da hipótese concreta de condenação. 
 Essa pena consiste no pagamento, ao fundo penitenciário, de quantia 
fixada na sentença e calculada em dias-multa. A pena de multa deve 
respeitar os limites mínimo de 10 (dez), e máximo de 360 (trezentos e 
sessenta) dias-multa. 
 O valor do dia-multa deve ser fixado pelo juiz e não poderá ser inferior 
a um trigésimo do salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem 
superior a 5 (cinco) vezes esse salário (art. 49, §1º, do CP). 
 Transitada em julgado a sentença, a multa deve ser paga dentro de 
10 (dez) dias, pagamento que pode ser parcelado a requerimento da parte e 
deferimento do juiz. Admite-se que a a cobrança da pena de multa seja 
realizada mediante desconto no vencimento ou salário do condenado 
quando: 
 a) aplicada isoladamente; 
 b) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos; ou 
 c) concedida a suspensão condicional da pena. 
 Contudo, os descontos não podem privar o condenado e seus 
familiares dos recursos indispensáveis à subsistência. 
 Atualmente, caso a pena de multa não seja paga, não se pode