Curso Direito Penal SP
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juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 
60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado 
o disposto no art. 36; 
 c) quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, 
a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular 
o pedido de condenação nas alegações finais; 
 d) quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem 
deixar sucessor. 
 A renúncia ao direito de queixa, nos casos de ação penal privada, 
também é causa de extinção da punibilidade, ato que só pode ser 
manifestado antes do ajuizamento da mesma, naturalmente. Após o 
ajuizamento, o que pode haver é o perdão do ofendido ao agressor, caso em 
que esse perdão deve ser aceito, só com o que restará extinta a 
punibilidade. 
 
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 A retratação do agente, naqueles casos autorizados por lei, também 
pode extinguir a punibilidade. Verifica-se a retratação quando o agressor 
confessa, retratando-se do que havia afirmado anteriormente. Essa 
retratação não depende da aceitação do ofendido e deve ser feita antes da 
prolação da sentença. O típico exemplo de retratação como ato extintivo da 
punibilidade é o falso testemunho ou falsa perícia, no qual o fato deixa de 
ser punível se, antes antes da sentença no processo em que ocorreu o 
ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade. 
 O perdão judicial, diferentemente do perdão do ofendido, não 
depende de aceitação do réu. Ele deve ser concedido pelo juiz assim que se 
verifique o preenchimento das condições determinadas por lei, constituindo 
verdadeiro direito subjetivo do réu. É caso de perdão judicial, por exemplo, a 
subtração de incapazes de que se tenha a guarda, desde que o incapaz seja 
devolvido sem ter sofrido maus-tratos ou privações, conforme dispõe o artigo 
249, parágrafo segundo, do Código Penal. 
 
 
13.1 Prescrição 
 
 A prescrição é a perda do direito de punir, ou de executar a pena, por 
parte do Estado, em razão da inércia. O instituto da prescrição impede que 
haja punição após o decurso de certo lapso temporal, pois a aplicação da 
pena já não atingirá a finalidade que motivara sua cominação. 
 Via de regra, todos os crimes estão sujeitos à prescrição, salvo o 
racismo e a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem 
constitucional e o Estado Democrático. 
 A prescrição pode se manifestar em relação ao direito de punir 
(prescrição da pretensão punitiva), e em relação ao direito de executar a 
pena (prescrição da pretensão executória). 
 
 
13.1.1 Prescrição antes do transito em julgado da sentença 
condenatória 
 
 A prescrição antes do trânsito em julgado da sentença condenatória 
regula-se pela pena máxima abstratamente prevista para o crime, 
verificando-se: 
 a) em 20 (vinte) anos, se o máximo da pena é superior a 12 (doze); 
 b) em 16 (dezesseis) anos, se o máximo da pena é superior a 8 (oito) 
anos e não excede a 12 (doze); 
 c) em 12 (doze) anos, se o máximo da pena é superior a 4 (quatro) 
anos e não excede a 8 (oito); 
 d) em 8 (oito) anos, se o máximo da pena é superior a 2 (dois) anos e 
não excede a 4 (quatro); 
 e) em 4 (quatro) anos, se o máximo da pena é igual a 1 (um) ano ou, 
sendo superior, não excede a 2 (dois); 
 f) em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano. 
 
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 Quando se considera a pena abstratamente prevista para o crime, 
para o fim de calcular o prazo prescricional, se está diante da prescrição da 
pretensão punitiva propriamente dita. 
 Os prazos mencionados também se prestam ao cálculo da prescrição 
em relação a pena que já tenha sido aplicada em sentença condenatória. 
 E para o cômputo prescricional das penas restritivas de direitos 
aplicam-se os mesmo prazos utilizados para as penas privativas de 
liberdade (art. 109, parágrafo único, do CP). 
 
 
13.1.2 Prescrição depois do transito em julgado da sentença 
condenatória 
 
 A prescrição depois de transitar em julgado a sentença condenatória 
regula-se pela pena aplicada e verifica-se nos prazos fixados no artigo 109, 
os quais se aumentam de 1/3 (um terço) se o condenado for reincidente, 
conforme determina o caput do artigo 110 do Código Penal. 
 Se já tiver sido proferida sentença condenatória, sem trânsito em 
julgado, é possível a ocorrência da prescrição da pretensão punitiva 
intercorrente (ou superveniente). Essa modalidade visa evitar a utilização de 
recursos protelatórios por parte do réu e só tem início após o trânsito em 
julgado da sentença em relação ao Ministério Público, ou o julgamento pela 
improcedência do seu recurso. 
 Conforme atual redação do parágrafo primeiro do artigo 110, do 
Código Penal, a prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito 
em julgado para a acusação ou depois de improvido seu recurso, regula-se 
pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo 
inicial data anterior à da denúncia ou queixa. 
 O termo inicial da prescrição da pretensão punitiva intercorrente é o 
dia da publicação da sentença condenatória com trânsito em julgado para o 
Ministério Público ou para o querelante, e o termo final é a data da sessão 
do julgamento do recurso pelo tribunal. 
 Já a prescrição retroativa, que é aquela que se conta para trás, antes 
prevista no artigo 110, parágrafo segundo, do Código Penal, foi revogada 
pela Lei n.º 12.234/2010. No entanto, conforme tem-se apontado, ela apenas 
foi extinta em relação à data do fato e a data do recebimento da denúncia ou 
queixa, mas subsiste em relação à data do recebimento da denúncia ou 
queixa e a data da sentença condenatória com trânsito em julgado para a 
acusação. 
 
 
13.1.3 Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado a 
sentença condenatória 
 
 O termo inicial da contagem do prazo prescricional começa a correr: 
 a) do dia em que o crime se consumou; 
 b) no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa; 
 c) nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência; 
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d) nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento 
do registro civil, da data em que o fato se tornou conhecido. 
 
 
13.1.4 Termo inicial da prescrição depois de transitar em julgado a 
sentença condenatória 
 
 Após a sentença condenatória, a prescrição começa a correr: 
 a) do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a 
acusação, ou a que revoga a suspensão condicional da pena ou o 
livramento condicional; 
 b) do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da 
interrupção deva computar-se na pena. 
 Nesse caso, se está diante da hipótese de prescrição da pretensão 
executória, e seus prazos observam as regras do artigo 109 do Código 
Penal. 
 E conforme determina o artigo 113 do Código Penal, no caso de 
evadir-se o condenado ou de revogar-se o livramento condicional, a 
prescrição deve ser regulada pelo tempo que resta da pena. 
 
 
13.1.5 Prescrição da multa 
 
 Ocorre a prescrição da pena de multa: 
 a) em 2 (dois) anos, quando a multa for a única cominada ou aplicada; 
 b) no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena privativa de 
liberdade, quando a multa for alternativa ou cumulativamente cominada ou 
cumulativamente aplicada. 
 
 
13.1.6 Redução dos prazos de prescrição 
 
 Conforme determinação legal do artigo 115 do Código Penal, são 
reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao 
tempo do crime, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença, 
maior de 70 (setenta) anos. 
 
 
13.1.7 Suspensão e interrupção da prescrição 
 
 Em se tratando de prescrição, o curso de seu prazo pode ser 
suspenso: 
 a) enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que 
dependa o reconhecimento da existência do crime; 
 b) enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro; 
 
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 c) durante o tempo em que o condenado permanecer