Curso Direito Penal SP
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da gestante) 
quando: 
 a) a gestante não for maior de 14 (quatorze) anos; 
 b) a gestante for alienada ou débil mental; ou 
 c) o consentimento for obtido mediante fraude, grave ameaça ou 
violência. 
 
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 Em ambos os casos de aborto praticado por terceiro, com ou sem o 
consentimento da gestante, as respectivas penas serão aumentadas de 1/3 
(um terço) se, em consequência do aborto ou dos meios empregados para 
provocá-lo, a agestante sofre lesão corporal de natureza grave, e serão 
duplicadas se, por qualquer dessa causas, sobrevier a morte à gestante (art. 
127, do CP). 
 Por derradeiro, o artigo 128 do Código Penal dispõe que não se pune 
o aborto praticado por médico: 
 a) se não há outro meio de salvar a vida da gestante (aborto 
necessário); ou 
 b) se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de 
consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. 
 
 
2.2 Lesões corporais 
 
 Lesão corporal é a agressão à integridade corporal ou a saúde 
humana. Para que se fale nesse delito, no entanto, há que se comprovar que 
a conduta estava direcionada a essa intenção, devendo-se estar atento para 
não confundir esta com a forma tentada de outros crimes. Quando alguém 
atira contra outra pessoa, com intenção de matá-la, e apenas a fere, não 
haverá que se falar em lesão corporal, mas sim em homicídio tentado. 
 A pena base para a lesão corporal (simples) é punível mediante pena 
de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. 
 Considera-se de natureza grave a lesão corporal, quando dela resulta: 
 a) incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; 
 b) perigo de vida; 
 c) debilidade permanente de membro, sentido ou função; 
 d) aceleração de parto. 
 Nestes casos, a pena é de reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos. 
 Considera-se de natureza gravíssima a lesão corporal, quando dela 
resulta: 
 a) incapacidade permanente para o trabalho; 
 b) enfermidade incurável; 
 c) perda ou inutilização do membro, sentido ou função; 
 d) deformidade permanente; 
 e) aborto. 
 Para estes, a pena aplicável é de reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos. 
 No caso de lesão corporal leve, ela somente se procede mediante 
queixa. 
 Quando da lesão corporal resultar morte, desde que as circunstâncias 
evidenciem que o agente não quis tal resultado, nem assumiu o risco de 
produzi-lo, sujeitar-se-á a pena de reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. 
 No entanto, se o crime foi cometido por motivo de relevante valor 
social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a 
 
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injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de 1/6 (um sexto) a 
1/3 (um terço). 
 Se a lesão corporal foi culposa, o juiz pode deixar de aplicar a pena, 
se as consequências da infração atingiram o próprio agente de forma tão 
grave que a sanção penal se mostre desnecessária, aplicando-lhe então o 
perdão judicial. Contudo, constitui causa de aumento de pena, em 1/3 (um 
terço), a constatação de que a lesão corporal culposa decorreu de 
inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou de que o 
agente deixou de prestar imediato socorro à vítima, não procurou diminuir as 
consequências do seu ato, ou fugiu para evitar prisão em flagrante. 
 Caso a lesão tenha sido praticada conta ascendente, descendente, 
irmão, cônjuge ou companheiro, ou quem conviva ou tenha convivido, ou, 
ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou 
de hospitalidade, ser-lhe-á aplicada pena de detenção, de 3 (três) meses a 3 
(três) anos. E se dessa violência doméstica decorrer lesão corporal de 
natureza grave, gravíssima, ou morte, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço), 
conforme disposição do parágrafo décimo, do artigo 129 do Código Penal. 
Também aplica-se o aumento de 1/3 (um terço) da pena quando a violência 
doméstica for cometida em detrimento de pessoa portadora de deficiência, 
consoante parágrafo onze do dispositivo em estudo. 
 
 
2.3 Periclitação da vida e da saúde 
 
 Periclitar é criar uma situação de perigo. A periclitação da vida e da 
saúde são, pois, condutas que expõe a perigo esses bens juridicamente 
tutelados. Nesses crimes, o dolo está direcionado, exatamente, para criação 
dessas situações de perigo, e não em relação a uma vítima específica. 
 São condutas que traduzem a periclitação da vida e da saúde: 
 a) o perigo de contágio venéreo (art. 130, do CP), verificável quando 
se expõe alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a 
contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está 
contaminado; 
 b) o perigo de contágio de moléstia grave (art. 131, do CP), verificável 
quando se pratica ato capaz de produzir o contágio, para transmitir a outrem 
moléstia grave de que está contaminado; 
 c) abandono de incapaz (art. 133, do CP), que se verifica quando o 
agente abandona pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou 
autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos 
resultantes do abandono. Será majorada a pena, se do abandono resultar 
lesão corporal grave (pena de reclusão, de 1 a 5 anos), ou morte (pena de 
reclusão, de 4 a 12 anos). E as penas cominadas ao delito de abandono 
serão aumentadas de 1/3 (um terço): i) se o abandono ocorrer em local 
ermo; ii) se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou 
curador da vítima; ou iii) se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos; 
 d) exposição ou abandono de recém-nascido (art. 134, do CP), que se 
verifica quando o agente expõe ou abandona recém-nascido com a 
 
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finalidade de ocultar desonra própria. Nesse caso, se a exposição ou 
abandono resultar lesão corporal de natureza grave, a pena será de 
detenção, de 1 a 3 anos, e se resultar morte, será de detenção, de 2 a 6 
anos. 
 e) omissão de socorro (art. 135, do CP), que consiste em deixar de 
prestar assistência, quando for possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança 
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou 
em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da 
autoridade pública. Nesses casos, a pena é aumentada de metade, se da 
omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta 
morte. 
 f) maus-tratos (art. 136, do CP), que consiste em expor a perigo a vida 
ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de 
educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a da alimentação 
ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou 
inadequado, quer abusando dos meios de correção ou disciplina. Nesses 
casos, se do fato resultar lesão corporal de natureza grave, a pena será de 
reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e se resultar morte, será de reclusão 
de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. Em qualquer caso, a pena aumenta-se de 
1/3 (um terço) se o crime é praticado contra menor de 14 (quatorze) anos. 
 
 
2.4 Rixa 
 
 Verifica-se o crime de rixa quando há conflito entre dois grupos 
indeterminados de pessoas. Não há que se falar em rixa se não houver, ao 
menos, 3 (três) pessoas, portanto. 
 Quanto ao delito de rixa não há que se falar em legítima defesa, tão 
menos em legítima defesa sucessiva, posto que o tipo penal em estudo 
caracteriza-se, exatamente, pelo conflito intencional de grupos rivais. 
 Aquele que participa de rixa para separar os contendores não incorre 
no crime, conforme redação do caput do artigo 137 do Código Penal. 
 A pena para o delito de rixa é de 15 (quinze) dias a 2 (dois) meses, ou 
multa. 
 Se ocorrer morte ou lesão corporal de natureza grave, aplica-se, pelo 
fato de participação na rixa, a pena de detenção, de 6 (seis) meses a 2 
(dois) anos. 
 
 
2.5 Crimes contra a honra 
 
 São crimes contra a honra, a calúnia, a difamação e a injúria. É 
fundamental o estudo conjunto desses tipos penais,