Curso Direito Penal SP
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de trabalho ou se apodera de 
documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no 
local de trabalho. 
 A pena deve ser aumentada até a metade, se o crime é cometido: 
 a) contra criança ou adolescente; ou 
 b) por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. 
 
 
2.6.2 Crimes contra inviolabilidade de domicílio 
 
 A violação de domicílio é um crime formal, isto é, um crime que 
independe da produção de resultado naturalístico. A conduta típica descrita 
no caput do artigo 150 do Código Penal é entrar ou permanecer, clandestina 
ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de 
direito, em casa alheia ou em sua dependências. 
 A expressão casa compreende: 
 a) qualquer compartimento habitado; 
 b) aposento ocupado de habitação coletiva; 
 c) compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce 
profissão ou atividade. 
 E, em sentido oposto, não se compreendem na expressão casa: 
 a) hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, 
enquanto aberta, salvo a restrição do parágrafo quarto, inciso II (aposento 
ocupado de habitação coletiva); 
 b) taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero. 
 Haverá qualificadora se a violação for cometida durante a noite, ou 
em lugar ermo, ou com o emprego de violência ou de arma, ou por duas ou 
mais pessoas (art. 150, §1º, do CP). 
 Haverá aumento de pena, em 1/3 (um terço), se a violação for 
cometida por funcionário público, fora dos casos legais, ou com 
inobservância das formalidades estabelecidas em lei, ou com abuso de 
poder (art. 150, §2º, do CP). 
 Por derradeiro, conforme estipulação do parágrafo terceiro do tipo 
penal em estudo, não constitui crime a entrada ou permanência em casa 
alheia ou em suas dependências: 
 a) durante o dia, com observância das formalidades legais, para 
efetuar prisão ou outra diligência; 
 b) a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo 
ali praticado ou na iminência de o ser. 
 
 
 
 
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2.6.3 Crimes contra a inviolabilidade de correspondência 
 
 Segundo o artigo 151 do Código Penal, constitui crime de violação de 
correspondência: devassar indevidamente o conteúdo de correspondência 
fechada, dirigida a outrem. E na mesma pena incorre: 
 a) quem se apossa indevidamente de correspondência alheia, embora 
não fechada e, no todo ou em parte, a sonega ou destrói; 
 b) quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou utiliza 
abusivamente comunicação telegráfica ou radioelétrica dirigida a terceiro, ou 
conversação telefônica entre outras pessoas; 
 c) quem impede a comunicação ou a conversação referidas no 
número anterior; 
 d) quem instala ou utiliza estação ou aparelho radioelétrico, sem 
observância de disposição legal. 
 Para a violação de correspondência comercial há tipo penal específico 
(art. 152), que tipifica a conduta de quem abusar da condição de sócio ou 
empregado de estabelecimento comercial ou industrial para, no todo ou em 
parte, desviar, sonegar, subtrair ou suprimir correspondência, ou revelar a 
estranho seu conteúdo. Esse delito no entanto, só se procede mediante 
representação. 
 
2.6.4 Crimes contra a inviolabilidade dos segredos 
 
 Constitui crime divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de 
documento particular ou de correspondência confidencial, de que é 
destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano a outrem 
(art. 153, do CP). 
 E também constitui crime revelar alguém, sem justa causa, segredo, 
de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja 
revelação possa produzir dano a outrem. Nesse caso, estar-se-á diante do 
crime de violação do segredo profissional, tipificado no artigo 154 do Código 
Penal, crime que somente se procede mediante representação. 
 
 
3. Crimes contra o patrimônio 
 
 Os crimes contra o patrimônio estão divididos em sete capítulos, quais 
sejam: 
 a) furto; 
 b) roubo e extorsão; 
 c) usurpação; 
 d) dano; 
 e) apropriação indébita; 
 f) estelionato e outras fraudes; e 
 g) receptação. 
 
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3.1 Furto 
 
 O delito de furto é descrito no artigo 155 do Código Penal, cuja 
conduta é subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel. A pena para o 
delito de furto deve ser aumentada de 1/3 (um terço) quando ele for 
cometido durante o repouso noturno (art. 155, §1º, do CP). 
 Se o criminoso for primário, e a coisa furtada for de pequeno valor, o 
juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a 
dois terços, ou aplicar somente a pena de multa (art. 155, §2º, do CP \u2013 furto 
privilegiado). 
 Por força do parágrafo terceiro do dispositivo em estudo, a energia 
elétrica, assim como qualquer outra que tenha valor econômico é equiparada 
à coisa móvel. 
 Já o parágrafo quarto do artigo 155 apresenta as hipóteses de furto 
qualificado. Considera-se como tal o furto praticado: 
 a) com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; 
 b) com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou 
destreza; 
 c) com emprego de chave falsa; 
 d) mediante concurso de duas ou mais pessoas. 
 E por força do parágrafo quinto do mesmo dispositivo, a pena para o 
furto será de 3 (três) a 8 (oito) anos, se a subtração for de veículo automotor 
que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. 
 Ainda no que tange ao furto, algumas expressões são fundamentais 
para concursos públicos, dentre as quais destaca-se: 
 a) furto de uso, isto é, aquele em que o agente devolve a coisa alheia 
móvel à vítima sem quaisquer danos e antes que ela tenha constatado a 
subtração; 
 b) furto de bagatela, isto é, aquele de coisa alheia móvel cujo valor é 
insignificante para fins penais, como o furto de uma maça na feira, por 
exemplo; 
 c) furto de coisa própria, que, em verdade, não constitui furto, já que 
haverá erro de tipo e, consequentemente, de dolo do agente; e 
 d) furto famélico, isto é, aquele destinado à satisfação da fome, 
realizado em estado de necessidade. 
 Por fim, conforme disposição do artigo 156 do Código Penal, constitui 
furto de coisa comum, subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio, para si ou 
para outrem, de quem legitimamente detém a coisa comum. O furto de coisa 
comum somente se procede mediante representação, e não é punível 
quando a subtração for de coisa comum fungível, cujo valor não exceder a 
quota a que tiver direito o agente. 
 
 
 
 
 
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3.2 Roubo 
 
 O roubo é um crime complexo, pois alberga a somatória do delito de 
furto e da grave ameaça ou violência a pessoa. O caput do artigo 157 do 
Código Penal dispõe acerca do roubo próprio, que se configura mediante a 
subtração de coisa alheia móvel, para si ou para outrem, mediante grave 
ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, 
reduzido à impossibilidade de resistência. Nesse caso, a pena para o crime 
em estudo é de reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa. 
 Já o parágrafo primeiro do artigo 157 dispõe que na mesma pena 
incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência ou grave 
ameaça contra a pessoa, com a finalidade de assegurar a impunidade do 
crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro. Essa hipótese 
configura o chamado roubo impróprio. 
 Em qualquer caso, a pena aumenta-se de 1/3 até a metade: 
 a) se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma; 
 b) se há o concurso de duas ou mais pessoas; 
 c) se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente 
conhece tal circunstância. 
 d) se a subtração for de veículo automotor que venha a ser 
transportado para outro Estado ou para o exterior; 
 e) se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua 
liberdade. 
 Consoante disposição do parágrafo terceiro do artigo 157, se da 
violência resultar lesão corporal