Curso Direito Penal SP
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grave, a pena será de reclusão, de 7 (sete) 
a 15 (quinze) anos, além da multa. E se resultar morte, a pena será de 
reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, sem prejuízo da multa. Nesse último 
caso, em que a lesão corporal resulta morte, estar-se-á diante do crime de 
latrocínio, crime este considerado hediondo. 
 
 
3.3 Extorsão 
 
 A extorsão consiste em constranger alguém, mediante violência ou 
grave ameaça, e com o intuito de obter para si o upara outrem vantagem 
econômica indevida, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma 
coisa. A pena para o crime em estudo é de reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) 
anos, e multa. O caput do artigo 158 do Código Penal apresenta a hipótese 
de extorsão simples. 
 Já o parágrafo segundo do tipo penal em estudo apresenta a extorsão 
qualificada, assim considerada aquela cometida por duas ou mais pessoas, 
ou com emprego de arma, hipótese em que a pena aumenta-se de 1/3 (um 
terço) até a metade. 
 Outra hipótese de extorsão qualificada consta do parágrafo terceiro do 
dispositivo em estudo, aplicável ao \u201csequestro relâmpago\u201d, verificável 
quando o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, 
quando essa condição é necessária para a obtenção da vantagem 
 
 
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econômica, hipótese em que a pena cominada é de reclusão, de 6 (seis) a 
12 (doze) anos, e multa. No entanto, se houver lesão corporal grave à 
vítima, a pena cominada será de reclusão, 16 (dezesseis) a 24 (vinte e 
quatro) anos. E se houver morte, a pena será de reclusão, de 24 (vinte e 
quatro) a 30 (trinta) anos. 
 O artigo 159 do Código Penal tipifica a conduta de extorsão mediante 
sequestro, que consiste no sequestro da vítima com a finalidade de obter, 
para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do 
resgate. Note-se que essa hipótese é diversa do artigo 158, parágrafo 
terceiro, que tipifica o chamado \u201csequestro relâmpago\u201d, pois no caso do 
artigo 159 a conduta é mais grave, mais traumática e mais duradoura. 
 A pena para o crime de sequestro é de reclusão, de 8 (oito) a 15 
(quinze) anos, mas se o sequestro durar mais de 24 (vinte e quatro) horas, 
se o sequestrado for menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos, 
ou se o crime é cometido por quadrilha ou bando, a pena cominada é de 
reclusão de 12 (doze) a 20 (vinte) anos. 
 Se do sequestro resultar lesão corporal grave, aplica-se a pena de 
reclusão, de 16 (dezesseis) a 24 (vinte e quatro) anos. E se houver morte, a 
pena será de reclusão, de 24 (vinte e quatro) a 30 (trinta) anos. 
 Ainda, conforme disposição do parágrafo quarto, do artigo 159 do 
Código Penal, o legislador instituiu a delação premiada, ou seja, um prêmio 
para aquele que delatar os demais concorrentes no crime de sequestro. Se o 
sequestro for cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à 
autoridade, facilitando a libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida 
de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços). 
 Por derradeiro, o artigo 160 do Código Penal trata da extorsão 
indireta, que se configura mediante a exigência ou o recebimento, como 
garantia de dívida, abusando da situação de alguém, de documento que 
pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro. 
Nesse caso, há \u201cchantagem\u201d por parte de quem está na posse do 
documento que, se apresentado à autoridade policial, pode dar causa à 
instauração de uma ação penal contra a vítima, conduta punível com pena 
de reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. 
 
 
3.4 Usurpação 
 
 As condutas de usurpação são descritas nos artigos 161 e 162 do 
Código Penal. 
 O caput do artigo 161 trata da alteração de limites, conduta que se 
verifica mediante a supressão ou o deslocamento de tapume, marco, ou 
qualquer outro sinal indiciativo de linha divisória, para apropriar-se, no todo 
ou em parte, do coisa imóvel alheia. 
 Já o inciso I do dispositivo em estudo tipifica a conduta de usurpação 
de águas, estipulando que incorre na mesma pena do caput aquele que 
desviar ou represar, em proveito próprio ou de outrem, águas alheias. E o 
inciso II do mesmo artigo, tipifica a conduta do esbulho possessório, 
cometida por aquele que invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, 
 
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ou mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou edifício alheio, 
para o fim de esbulho possessório. 
 Utilizada violência pelo agente, ele também incorre na pena a esta 
cominada (art. 161, §2º, do CP). 
 Se qualquer ato de usurpação for praticado em propriedade particular, 
e não houver emprego de violência, só há que se falar em ação penal 
privada, conforme determinação do parágrafo terceiro do artigo 161, do 
Código Penal. 
 E o artigo 162 tipifica a conduta de supressão ou alteração da marca 
em animais. Segundo o mencionado dispositivo, a conduta típica é suprimir 
ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio, marca ou sinal 
indicativo de propriedade, cuja pena é de detenção, de 6 (seis) meses a 3 
(três) anos, e multa. 
 
 
3.5 Crimes de dano 
3.5.1 Dano (propriamente dito) 
 
 O crime de dano simples se consuma mediante a destruição, 
inutilização ou deterioração de coisa alheia, conforme redação do caput do 
artigo 163 do Código Penal. 
 Considera-se qualificado o crime de dano quando cometido: 
 a) com violência à pessoa ou grave ameaça; 
 b) com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não 
constitui crime mais grave 
 c) contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa 
concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista; 
 d) por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima. 
 É importante frisar, que não se fala em crime de dano culposo, mas 
apenas sob a forma dolosa. 
 O crime de dano simples, assim como aquele cometido sob a 
qualificadora de motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima, 
somente se procede mediante queixa, isto é, são crimes de ação penal 
privada. 
 
 
3.5.2 Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia 
 
 A conduta tipificada no artigo 164 é a de introduzir ou deixar animais 
em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que o 
fato resulte prejuízo. 
 Essa hipótese penal também se procede apenas mediante queixa, 
isto é, só há que se falar em ação penal privada. 
 
 
 
 
 
 
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3.5.3 Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico 
 
 O artigo 165 do Código Penal descreve como criminosa as condutas 
de destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade 
competente em virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico. Nesses 
casos, o processo será realizado mediante ação penal pública 
incondicionada, e sujeita o ofensor às penas de detenção, de 6 (seis) meses 
a 2 (dois) anos, e multa. 
 No entanto, é importante mencionar que segundo a doutrina de Julio 
Frabbrini Mirabete, o artigo 165 do Código Penal foi tacitamente revogado 
pelo artigo 62 da Lei de Crimes Ambientais (Lei n.º 9.065/98), que dispõe: 
Art. 62. Destruir, inutilizar ou deteriorar: 
I - bem especialmente protegido por lei, ato administrativo ou 
decisão judicial; 
II - arquivo, registro, museu, biblioteca, pinacoteca, instalação 
científica ou similar protegido por lei, ato administrativo ou decisão 
judicial: 
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. 
Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena é de seis meses a 
um ano de detenção, sem prejuízo da multa. 
 
 
3.5.4 Alteração de local especialmente protegido 
 
 O último tipo penal relacionado às condutas de dano é o artigo 166. 
Segundo ele, constitui crime: alterar, sem licença da autoridade competente, 
o aspecto de local especialmente protegido por lei, cuja pena aplicável é de 
detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa. 
 No entanto, é importante mencionar que segundo a doutrina de Julio 
Frabbrini Mirabete, o artigo 166 do Código Penal