Curso Direito Penal SP
143 pág.

Curso Direito Penal SP


DisciplinaDireito Penal I67.261 materiais1.084.899 seguidores
Pré-visualização45 páginas
foi tacitamente revogado 
pelos artigos 63 e 64 da Lei de Crimes Ambientais (Lei n.º 9.065/98), que 
dispõem: 
Art. 63. Alterar o aspecto ou estrutura de edificação ou local 
especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão 
judicial, em razão de seu valor paisagístico, ecológico, turístico, 
artístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou 
monumental, sem autorização da autoridade competente ou em 
desacordo com a concedida: 
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. 
Art. 64. Promover construção em solo não edificável, ou no seu 
entorno, assim considerado em razão de seu valor paisagístico, 
ecológico, artístico, turístico, histórico, cultural, religioso, 
arqueológico, etnográfico ou monumental, sem autorização da 
autoridade competente ou em desacordo com a concedida: 
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. 
 
 
87 
3.6 Apropriação indébita 
3.6.1 Apropriação indébita propriamente dita 
 
 É típica a conduta daquele que, tendo a posse ou detenção de coisa 
alheia móvel, dela se apropria indevidamente. E a pena cominada para essa 
conduta deve ser aumentada de 1/3 (um terço), quando o agente recebeu a 
coisa: 
 a) em depósito necessário; 
 b) na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, 
testamenteiro ou depositário judicial; 
 c) em razão de ofício, emprego ou profissão. 
 
 
3.6.2 Apropriação indébita previdenciária 
 
 O artigo 168-A do Código Penal, incluído pela Lei n.º 9.983/2000, 
tipificou uma conduta específica, nela incidente aquele que deixar de 
repassar à Previdência Social as contribuições recolhidas dos contribuintes, 
no prazo e forma legal ou convencional. 
 Consabido, o empregador responde pelas contribuições 
previdenciárias em duas situações: como contribuinte e como responsável 
tributário. O artigo 168-A incide sobre a conduta dele como responsável 
tributário. Assim, se ele retém de seus empregados o percentual que deveria 
ser repassado à Previdência Social e não o faz, se apropria indevidamente 
de valores que a ela deveriam ser destinados. 
 Nas mesmas penas incorre quem deixar de: 
 a) recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância 
destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento 
efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público; 
 b) recolher contribuições devidas à previdência social que tenham 
integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à 
prestação de serviços; 
 c) pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou 
valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social. 
 Quanto ao delito em estudo, será extinta a punibilidade se o agente, 
espontaneamente, declarar, confessar e efetuar o pagamento das 
contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à 
previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início 
da ação fiscal (art. 168-A, §2º, do CP). 
 Ademais, faculta-se ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar 
somente a de multa quando o agente for primário e bons antecedentes, 
desde que: 
 a) tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida 
a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive 
acessórios; ou 
 
88 
 b) o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual 
ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, 
como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. 
 
 
3.6.3 Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou força da 
natureza 
 
 Também é criminosa a conduta daquele que se apropria de coisa 
alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza, 
conforme redação legal do artigo 169 do Código Penal. E na mesma pena 
incorre: 
 a) quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em 
parte, da quota a que tem direito o proprietário do prédio (apropriação de 
tesouro); e 
 b) quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou 
parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de 
entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de 15 (quinze) dias 
(apropriação de coisa achada). 
 Para todos os crimes de apropriação indébita, se o criminoso for 
primário, e for de pequeno valor a coisa ou quantia apropriada, o juiz pode 
substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de 1/3 (um terço) 
a 2/3 (dois terços), ou aplicar somente a pena de multa, conforme 
autorização do artigo 170 do Código Penal. 
 
 
3.7 Estelionato e outras fraudes 
3.7.1 Estelionato 
 
 O estelionato consiste na utilização de meio artificioso, ardil, ou 
qualquer outro meio fraudulento para induzir ou manter alguém em erro e, 
consequentemente, dele obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita. A 
pena para o crime de estelionato é de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa. 
 Se o criminoso for primário, e for de pequeno valor o prejuízo, o juiz 
pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de 1/3 (um 
terço) a 2/3 (dois terços), ou aplicar somente a pena de multa, conforme 
autorização do parágrafo primeiro, do artigo 171 do Código Penal. 
 Nas mesmas penas do caput do artigo 171 incorre quem: 
 a) vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia 
coisa alheia como própria (disposição de coisa alheia como própria); 
 b) vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria 
inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a 
terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer 
dessas circunstâncias (alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria); 
 c) defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por 
outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto 
empenhado (defraudação de penhor); 
 
89 
 d) defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve 
entregar a alguém (fraude na entrega de coisa); 
 e) destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o 
próprio corpo ou a saúde, ou agrava as consequências da lesão ou doença, 
com o intuito de haver indenização ou valor de seguro (fraude para 
recebimento de indenização ou valor de seguro); 
 f) emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do 
sacado, ou lhe frustra o pagamento (fraude no pagamento por meio de 
cheque). 
 Quando a conduta estelionatária for cometida em detrimento de 
entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência 
social ou beneficência, a pena aumenta-se de 1/3 (um terço). 
 
 
3.7.2 Duplicata simulada 
 
 A conduta típica, conhecida como duplicata simulada, consiste na 
emissão de fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à 
mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado. 
 Nas mesmas penas incorre aquele que falsificar ou adulterar a 
escrituração do Livro de Registro de Duplicatas. 
 
 
3.7.3 Abuso de incapazes 
 
 O artigo 173 do Código Penal descreve como criminosa a conduta de 
abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ou 
inexperiência de menor, ou da alienação ou debilidade mental de outrem, 
induzindo qualquer deles à prática de ato suscetível de produzir efeito 
jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro, cuja pena cominada é de 
reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. 
 
 
3.7.4 Induzimento à especulação 
 
 Comete o crime de induzimento à especulação todo aquele que 
abusar, em proveito próprio ou alheio, da inexperiência, da simplicidade ou 
da inferioridade mental de outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, 
ou à especulação com títulos ou mercadorias, sabendo ou devendo saber 
que a operação é ruinosa. A pena para o delito em análise é de reclusão, de 
1 (um) a 3 (três) anos, e multa. 
 
 
3.7.5 Fraude no comércio