Curso Direito Penal SP
143 pág.

Curso Direito Penal SP


DisciplinaDireito Penal I67.392 materiais1.087.563 seguidores
Pré-visualização45 páginas
Atualmente, dois artigos compõem o Título que trata dos crimes 
contra a propriedade imaterial: o artigo 184, que trata da violação de direito 
autoral, e o artigo 186, que apresenta disposições a ele referentes. 
 Conforme redação do caput do artigo 184 do Código Penal, comete 
crime todo aquele que violar direito de autor, assim como os que lhe forem 
conexos. A pena para a conduta descrita no caput do mencionado artigo é 
de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. Nesse caso, 
somente se procede mediante queixa, isto é, mediante ação penal privada. 
 Mas, se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com 
intuito de lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra 
intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização 
expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme 
o caso, ou de quem os represente, a pena aplicável será de reclusão, de 2 
(dois) a 4 (quatro) anos, e multa, conforme dispõe o parágrafo segundo, do 
artigo 184 do Código Penal. Nesse caso, se procede mediante ação penal 
pública incondicionada. 
 Nas mesmas penas previstas para o mencionado parágrafo segundo, 
incorre todo aquele que, com o intuito de lucro direto ou indireto, distribuir, 
vender, expor à venda, alugar, introduzir no País, adquirir, ocultar, manter 
em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido 
com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou 
executante ou do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, alugar original 
ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização dos 
titulares dos direitos ou de quem os represente. Nesses casos, também se 
procede mediante ação penal pública incondicionada. 
 Quando a violação consistir no oferecimento ao público, diante cabo, 
fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário 
realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em um tempo e lugar 
previamente determinados por quem formula a demanda, com intuito de 
lucro, direto ou indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do 
autor, do artista intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de 
quem os represente, o ofensor sujeitar-se-á a pena de reclusão, de 2 (dois) 
a 4 (quatro) anos, e multa (art. 184, §3º, do CP). Nesse caso, se procede 
apenas mediante representação, isto é, mediante ação penal pública 
condicionada. 
 É importante frisar, conforme expressa menção do parágrafo quarto, 
do artigo 184 do Código Penal, que não há crime de violação de direito 
autorial, quando se tratar de exceção ou limitação do direito de autor ou dos 
que lhe são conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº 9.610/98, 
nem quando há cópia de obra intelectual ou fonograma, em um só exemplar, 
para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto. 
 Por derradeiro, há que se salientar que, em qualquer caso, se o crime 
de violação de direito autoral for cometido em desfavor de entidades de 
 
94 
direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou 
fundação instituída pelo Poder Público, proceder-se-á mediante ação penal 
pública incondicionada (art. 186, III, do CP). 
 
 
5. Crimes contra a organização do trabalho 
 
 Os artigos 197 a 207 do Código Penal tipificam condutas contrárias à 
organização do trabalho. 
 A primeira delas consiste em constranger alguém, mediante violência 
ou grave ameaça: 
 a) a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a 
trabalhar ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias 
(art. 197, I, do CP); 
 b) a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar 
de parede ou paralisação de atividade econômica (art. 197, II, do CP). 
 Praticar qualquer dos atos acima mencionados é atentar contra a 
liberdade de trabalho, e sujeita às penas de detenção e multa, além da pena 
correspondente à violência. 
 O artigo 198 do Código Penal dispõe sobre o atentado contra a 
liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta, que consiste na 
conduta típica de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, 
a celebrar contrato de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir 
de outrem matéria-prima ou produto industrial ou agrícola. A prática desse 
crime também sujeita o infrator às penas de detenção e multa, além da pena 
correspondente à violência. 
 É típica também a conduta de participar de suspensão ou abandono 
coletivo de trabalho, praticando violência contra pessoa ou contra coisa, 
conforme redação legal do artigo 200 do Código Penal. No entanto, só há 
que se falar em abandono coletivo do trabalho se houver o concurso de, pelo 
menos, 3 (três) empregados. Nesse caso, os empregados infratores 
sujeitam-se às penas de detenção e multa, além da pena correspondente à 
violência. 
 Conduta mais grave que a do artigo 200 é prevista no artigo 201 do 
Código Penal, desde que não considerado o aspecto da violência. Segundo 
ele, participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a 
interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo, é conduta típica 
que sujeita os infratores às penas de detenção e multa. 
 O crime de invasão de estabelecimento industrial, comercial ou 
agrícola e de sabotagem está previsto no artigo 202 do Código Penal, e se 
consuma mediante a invasão ou ocupação de estabelecimento industrial, 
comercial ou agrícola, com o intuito de impedir ou embaraçar o curso normal 
do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o estabelecimento ou as coisas 
nele existentes. 
 O artigo 203 do Código Penal estipula como criminosa a conduta 
daquele que frusta, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela 
legislação do trabalho. É típico exemplo de frustração de direitos 
assegurados pela lei do trabalho a conduta de manter funcionário sem o 
 
95 
devido registro em carteira, com o que o empregador incide neste tipo penal. 
Conforme artigo 203, parágrafo primeiro, na mesma pena incorre quem: 
 a) obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado 
estabelecimento, para impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de 
dívida; 
 b) impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, 
mediante coação ou por meio da retenção de seus documentos pessoais ou 
contratuais. 
 Em qualquer caso, aumenta-se a pena de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um 
terço) se a vítima for menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou 
portadora de deficiência física ou mental (art. 203, §2º, do CP). 
 Também constitui crime, consoante artigo 204 do Código Penal, 
frustrar, mediante fraude ou violência, obrigação legal relativa à 
nacionalização do trabalho. Os artigo 203 e 204, constituem normais penais 
em branco, já que necessitam de legislação integradora que disponha sobre 
direito trabalhista. 
 Comete crime contra a organização do trabalho, aquele que exercer 
atividade, de que está impedido por decisão administrativa, conforme artigo 
205 do Código Penal, caso em que se sujeita as penas de detenção e multa. 
 Os artigos 206 e 207, ambos do Código Penal, tipificam condutas de 
aliciamento de trabalhadores. Se houver o recrutamento de trabalhadores, 
mediante fraude, para levá-los para território estrangeiro, o infrator sujeita-se 
às penas de detenção e multa (art. 206, do CP), penas que também sujeitam 
aquele que aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra 
localidade do território nacional (art. 207, caput, do CP). Na mesma pena 
incorre quem recrutar trabalhadores fora da localidade de execução do 
trabalho, dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de 
qualquer quantia do trabalhador, ou, ainda, não assegurar condições do seu 
retorno ao local de origem (art. 207, §1º, do CP). Nesse caso, as penas 
serão aumentada de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço) se a vítima for menor