Curso Direito Penal SP
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vítima ou por qualquer outro título tem autoridade sobre ela. 
 
 
 
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7.3 Lenocínio e do tráfico de pessoa para fim de prostituição ou outra 
forma de exploração sexual 
7.3.1 Mediação para servir a lascívia de outrem 
 
 Quando o agente induz alguém a satisfazer a lascívia de outrem, 
incorre no delito descrito no caput do artigo 227 do Código Penal, e sujeita-
se à pena de reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. 
 Se a vítima for maior de 14 (quatorze) e menor de 18 (dezoito) anos, 
ou se o agente for seu ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro, 
irmão, tutor ou curador ou pessoa a quem esteja confiada para fins de 
educação, de tratamento ou de guarda, a pena será de reclusão, de 2 (dois) 
a 5 (cinco) anos (art. 227, §1º, do CP). 
 Quando o delito for cometido com emprego de violência, grave 
ameaça ou fraude, a pena aplicável será de reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) 
anos, além da pena correspondente à violência (art. 227, §2º, do CP). 
 E se o crime for cometido com a finalidade de lucro, além da pena 
reclusiva aplica-se a pena de multa (art. 227, §3º, do CP). 
 
 
7.3.2 Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração 
sexual 
 
 Também alterado pela Lei n.º 12.015/09, o artigo 228 teve seu objeto 
ampliado, e passou a considerar delituoso não só o ato de induzir ou atrair 
alguém à prostituição, mas também à qualquer outra forma de exploração 
sexual, assim como os atos de facilitar, impedir ou dificultar que alguém a 
abandone. 
 O parágrafo primeiro do artigo 228 do Código Penal, apresenta uma 
qualificadora para o delito em estudo, verificável quando o agente é 
ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, 
tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou quando assumiu, 
por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância em 
relação à mesma. 
 Em qualquer caso, se o crime for cometido com emprego de violência, 
grave ameaça ou fraude, a pena aplicável será de reclusão, de 4 (quatro) a 
10 (dez) anos, além da pena correspondente à violência (art. 228, §2º, do 
CP). 
 Se o crime for cometido com o intuito de lucro, deve-se aplicar 
também a pena de multa (art. 228, §3º, do CP). 
 
 
7.3.3 Casa de prostituição 
 
 O artigo 229 do Código Penal também foi alterado pela Lei n.º 
12.015/09. A nova redação substituiu a expressão \u201ccasa\u201d por 
\u201cestabelecimento\u201d. A conduta típica é manter, por conta própria ou de 
terceiro, estabelecimento em que ocorra exploração sexual, haja, ou não, 
intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente, cuja pena é de 
reclusão, de dois a cinco anos, e multa. 
 
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7.3.4 Rufianismo 
 
 Rufião é aquele que tira proveito da prostituição alheia, participando 
diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, 
por quem a exerça. 
 O crime assume a forma qualificada quando a vítima é menor de 18 
(dezoito) e maior de 14 (quatorze) anos ou se o crime é cometido por 
ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, 
tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou por quem tenha 
assumido, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou 
vigilância. 
 Quando o crime for cometido mediante violência, grave ameaça, 
fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação da vontade 
da vítima, a pena será de reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, sem prejuízo 
da pena correspondente à violência. 
 
 
7.3.5 Tráfico internacional de pessoa para fim de exploração sexual 
 
 O tráfico internacional de pessoa com a finalidade de exploração 
sexual ocorre quando o agente promove ou facilita a entrada, no território 
nacional, de alguém que nele venha a exercer a prostituição ou outra forma 
de exploração sexual, ou a saída de alguém que vá exercê-la no estrangeiro 
(art. 231, caput, do CP). A pena prevista para o delito em estudo é de 
reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos. 
 Na mesma pena incorre quem agenciar, aliciar ou comprar a pessoa 
traficada, assim como, tendo conhecimento dessa condição, transportá-la, 
transferi-la ou alojá-la. 
 E a pena aumenta-se da metade se: 
 a) a vítima é menor de 18 (dezoito) anos; 
 b) a vítima, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o 
necessário discernimento para a prática do ato; 
 c) se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, 
cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, 
ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou 
vigilância; ou 
 d) há emprego de violência, grave ameaça ou fraude. 
 Caso o crime seja cometido com a finalidade de obter vantagem 
econômica, aplica-se também a pena de multa (art. 231, §3º, do CP). 
 
 
7.3.6 Tráfico interno de pessoa para fim de exploração sexual 
 
 O artigo 231-A do Código Penal foi totalmente alterado pela Lei n.º 
12.015/09. Segundo o dispositivo, incorre no delito em estudo quem 
promover ou facilitar o deslocamento de alguém dentro do território nacional 
 
 
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para o exercício da prostituição ou outra forma de exploração sexual. A pena 
prevista para o delito é de reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. 
 Na mesma pena incorre quem agenciar, aliciar, vender ou comprar a 
pessoa traficada, assim como, tendo conhecimento dessa condição, 
transportá-la, transferi-la ou alojá-la. 
 E a pena aumenta-se da metade se: 
 a) a vítima é menor de 18 (dezoito) anos; 
 b) a vítima, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o 
necessário discernimento para a prática do ato; 
 c) se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, 
cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, 
ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou 
vigilância; ou 
 d) há emprego de violência, grave ameaça ou fraude. 
 Caso o crime seja cometido com a finalidade de obter vantagem 
econômica, aplica-se também a pena de multa (art. 231-A, §3º, do CP). 
 
 
7.4 Do ultraje ao pudor 
7.4.1 Ato obsceno 
 
 É obsceno o ato que lesiona o pudor, nesse caso, o pudor público. 
Conforme redação do artigo 233 do Código Penal, é criminosa a conduta de 
praticar ato obsceno em lugar público, aberto ou exposto ao público. A pena 
prevista para o crime é de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou 
multa. 
 
 
7.4.2 Escrito ou objeto obsceno 
 
 Enquanto o artigo 233 cuida da tipificação de quem pratica ato 
obsceno em local público, o caput do artigo 234 do Código Penal tipifica as 
condutas de fazer, importar, exportar, adquirir ou ter sob sua guarda, para 
fim de comércio, de distribuição ou de exposição pública, escrito, desenho, 
pintura, estampa ou qualquer objeto obsceno. 
 Nas mesmas penas do caput incorre quem: 
 a) vende, distribui ou expõe à venda ou ao público qualquer dos 
objetos referidos neste artigo; 
 b) realiza, em lugar público ou acessível ao público, representação 
teatral, ou exibição cinematográfica de caráter obsceno, ou qualquer outro 
espetáculo, que tenha o mesmo caráter; 
 c) realiza, em lugar público ou acessível ao público, ou pelo rádio, 
audição ou recitação de caráter obsceno. 
 
 
 
 
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8. Crimes contra a família 
8.1 Crimes contra o casamento 
8.1.1 Bigamia 
 
 O primeiro dos crimes contra o casamento é a bigamia. Bigamia é o 
ato de contrair novo casamento, já sendo casado. Também incorre em crime 
aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, 
desde que conheça essa circunstância, conforme determina o parágrafo 
primeiro, do artigo 235 do Código Penal. 
 A consequência da bigamia, além da punição penal, é a nulidade do 
segundo casamento. 
 No entanto, há que se estar atento, pois a anulação do primeiro 
casamento, independentemente do motivo, ou do segundo, desde que por 
motivo que não seja a bigamia, gera a inexistência do crime. 
 
 
8.1.2